2025
Seu arrependimento não sobrecarrega Jesus Cristo, mas torna a alegria Dele mais radiante
Maio de 2025


11:44

Seu arrependimento não sobrecarrega Jesus Cristo, mas torna a alegria Dele mais radiante

O convite ao arrependimento é uma expressão do amor de Deus. Aceitar esse convite é uma expressão do nosso amor.

Há vários anos, numa viagem à Flórida, sentei-me ao ar livre para ler um livro. O título sugeria que podemos alcançar o céu mesmo se não somos perfeitos agora. Uma mulher que passava perguntou: “Acha isso possível?”

Ergui o rosto, confusa, então me dei conta de que ela falava sobre o livro que eu estava lendo. Eu disse algo ridículo como: “Ainda não li muito, mas depois lhe conto como termina”.

Oh, como eu gostaria de voltar ao passado! Eu diria a ela: “Sim, é possível, sim! Pois o céu não é para as pessoas que foram perfeitas, mas para as que foram perdoadas, as que escolhem Cristo repetidas vezes”.

Quero me dirigir hoje àqueles dentre nós que às vezes se sentem assim: “Parece que o arrependimento e o perdão funcionam para todos, menos para mim”. Aos que intimamente consideram: “Como eu sempre cometo os mesmos erros, acho que é assim que eu sou”. Àqueles que, tal como eu, têm dias em que o caminho do convênio parece demasiado íngreme, quase como uma escalada do convênio.

Um maravilhoso missionário que servia na Austrália, o élder QaQa, de Fiji, compartilhou um testemunho similar ao concluir sua missão: “Sei que Deus me ama, mas às vezes me pergunto: ‘Será que Deus sabe que eu O amo?’ Pois não sou perfeito, e ainda cometo erros”.

Nessa terna e inquietante pergunta, esse missionário resumiu exatamente uma preocupação constante que tenho. Talvez vocês também se perguntem: “Eu estou tentando arduamente, mas será que Deus realmente sabe disso? Se eu vivo fracassando, será que Deus sabe que eu ainda O amo?”

Entristece-me admitir isso, mas eu costumava avaliar meu relacionamento com o Salvador de acordo com a perfeição do modo como eu vivia. Achava que uma vida obediente significava que eu jamais precisaria me arrepender. E, quando cometia um erro, que era algo que acontecia todos os dias, eu me distanciava de Deus, pensando: “Ele deve estar decepcionado comigo”.

Isso simplesmente não é verdade.

Aprendi que, se vamos esperar até estarmos puros e perfeitos o suficiente para nos achegarmos ao Salvador, não entendemos nada!

Que tal pensarmos nos mandamentos e na obediência de outra forma?

Testifico que, embora Deus Se preocupe com nossos erros, Ele Se preocupa mais com o que acontece depois que erramos. Será que vamos nos voltar a Ele repetidas vezes? Por acaso vamos permanecer nesse relacionamento de convênio?

Pode ser que, ao ouvirem as palavras do Senhor: “Se me amais, guardai os meus mandamentos”, vocês sintam desânimo por não terem guardado todos. Permitam-me lembrá-los de que se arrepender também é um mandamento! De fato, talvez esse seja o mandamento mais repetido nas escrituras.

No monólogo de Alma: “Oh! eu quisera ser um anjo e poder realizar o desejo de meu coração (…) e proclamar arrependimento”, ele não estava querendo nos envergonhar, apontando nossos erros. Mas, sim, ele queria proclamar arrependimento para que pudéssemos deixar de sofrer no mundo. Uma das razões pelas quais Alma odiava o pecado é o fato de que ele nos faz sofrer.

Às vezes, tenho que procurar lembrar, como se fosse um lembrete adesivo colado na testa, que os mandamentos são o caminho que nos leva para longe da dor. E o arrependimento também. Nosso profeta disse: “O Salvador nos ama sempre, mas especialmente quando nos arrependemos”.

Portanto, quando o Senhor diz: “Arrependei-vos, arrependei-vos”, que tal imaginá-Lo dizendo: “Amo você. Amo você”. Imaginem que Ele está suplicando que deixem para trás a conduta que lhes causa dor, convidando-os a sair das trevas e a se voltar para a luz Dele.

Na ala da minha filha Carly, um sacerdote novo se ajoelhou para abençoar o sacramento, mas, em vez de dizer: “Para que o façam em lembrança do sangue de teu Filho”, Ele disse, inadvertidamente: “Para que o façam em lembrança do amor de teu Filho”. Lágrimas vieram aos olhos de Carly quando a verdade contida nessas palavras calou fundo em seu coração.

Nosso Salvador Se dispôs a sofrer a dor de Sua Expiação porque Ele ama vocês. De fato, vocês são a “alegria que lhe estava proposta” enquanto Ele sofria.

O convite ao arrependimento é uma expressão do amor de Deus.

Aceitar esse convite é uma expressão do nosso amor.

Pensem na sua imagem preferida de Cristo. Agora imaginem Seu sorriso radiante a cada vez que vocês fizerem uso de Sua dádiva, porque Ele é o “perfeito esplendor de esperança”.

Sim, seu arrependimento não sobrecarrega Jesus Cristo, mas torna a alegria Dele mais radiante.

Vamos ensinar isso!

Pois o arrependimento é a melhor notícia que temos!

Não permanecemos no caminho do convênio sem jamais cometermos erros. Permanecemos no caminho nos arrependendo todos os dias.

E, quando nos arrependemos, Deus nos perdoa sem nos envergonhar, sem nos comparar com todos os outros e sem nos repreender por estarmos nos arrependendo da mesma coisa que fizemos semana passada.

Ele fica feliz toda vez que nos vê de joelhos. Ele Se deleita em nos perdoar, porque somos o Seu deleite.

Não sentem que isso é verdade?

Então por que é tão difícil acreditar nisso?

Satanás, o grande acusador e enganador, usa a vergonha para nos afastar de Deus. A vergonha é uma escuridão tão densa que parece que, se a tirarmos do corpo, é como se ela tivesse um peso físico real.

A vergonha é o sentimento que nos assola, dizendo: “Como você pôde fazer isso?” “Você nunca faz nada certo?”

A vergonha não diz que cometemos um erro, mas que somos nossos erros. Podemos até ouvir: “Escondam-se”. O adversário faz de tudo a seu alcance para manter esse peso dentro de nós, dizendo que o preço é muito alto, que será mais fácil permanecer na escuridão, eliminando toda a esperança.

Satanás é o ladrão da esperança.

Mas vocês precisam ouvir isto, por isso vou dizer bem alto: Vocês não são a voz em sua mente nem os erros que cometeram. Talvez seja necessário que vocês digam isso bem alto também. Digam a Satanás: “Hoje não!” Mandem-no embora.

Sintam esse impulso, a tristeza segundo Deus, que os conduz ao Salvador, e vejam a graça Dele entrar em sua vida e na vida das pessoas que vocês amam. Prometo que, assim que vocês corajosamente trouxerem um coração quebrantado perante Ele, imediatamente Ele vai estar ao seu lado.

Se vocês vissem alguém se afogando, não estenderiam a mão para salvá-lo? Conseguem imaginar o Salvador rejeitando a nossa mão estendida? Eu O imagino mergulhando na água, descendo abaixo de todas as coisas para nos erguer a fim de que consigamos respirar! Ninguém pode afundar tanto a ponto de estar fora do alcance da luz de Cristo.

O Salvador é sempre mais radiante do que a escuridão da vergonha. E Ele jamais menosprezaria o valor que vocês têm. Então prestem atenção.

  • Imaginem que esta mão representa o valor.

  • Esta mão representa a obediência. Talvez vocês tenham acordado hoje pela manhã, feito uma oração significativa e estudado as escrituras para ouvir a voz de Deus. Vocês tomaram boas decisões e costumam tratar as pessoas à sua volta de modo semelhante ao que Cristo faria. Vocês estão ouvindo a conferência geral! Sua obediência está aqui!

  • Ou talvez as coisas não tenham ido tão bem. Vocês estão com dificuldade de fazer aquelas coisas pequenas e simples para se conectarem com o céu. Tomaram decisões das quais não se orgulham.

  • Onde está o seu valor? Por acaso esta mão se moveu?

Seu valor não está ligado à obediência. Seu valor é constante, nunca muda. Foi-lhes dado por Deus, e não há nada que vocês ou qualquer outra pessoa possam fazer para mudar isso. A obediência traz bênçãos, isso é verdade. Mas o valor não é uma delas. Seu valor é sempre “grande à vista de Deus”, não importa para onde as suas decisões os tenham levado.

Embora eu cometa erros, quero permanecer no relacionamento por convênio com Cristo, e vou lhes dizer o motivo.

Em minha juventude, tive aulas de salto ornamental e aprendi que, ao dar nota a um salto, os juízes prestam atenção na execução. A entrada foi perfeitamente vertical, com os dedos dos pés estendidos, espirrando pouca água? Então, eles fazem algo extraordinário. Eles classificam o grau de dificuldade.

Todos saltam com seu próprio grau de dificuldade. E o Salvador é o único que realmente conhece a dificuldade do seu salto. Quero ter um relacionamento com a única pessoa que me entende, que conhece meu coração e sabe o quanto estou me esforçando!

Ele conhece as névoas de escuridão que descem sobre todos nós, viajantes, sabe que nossa jornada passa ao lado de um rio de imundície — de modo que, mesmo que estejamos agarrados à barra de ferro, ainda assim vamos receber alguns respingos.

Quando nos achegamos a Cristo, estamos dizendo: “Pode me ajudar?” com esperança, com a certeza revelada de que os braços Dele estão sempre estendidos para nós. Creio que essa nova visão do arrependimento significa que, mesmo que não tenhamos uma obediência perfeita ainda, tentamos oferecer uma obediência afetuosa agora, decidindo permanecer junto a Ele, repetidas vezes, porque O amamos.

Lembram-se do povo do rei Benjamim, que não tinha mais disposição de fazer o mal, mas de apenas fazer o bem continuamente? Acham que eles desmontaram suas tendas, foram para casa e jamais cometeram um erro novamente? É claro que não! A diferença é que eles já não queriam mais pecar. Eles tinham uma obediência afetuosa! O coração deles se voltara a Deus embora ainda tivessem dificuldades!

Certa vez, na praia, vi uma ave voando contra o vento, batendo as asas com muita força, quase desesperadamente, mas sem sair do lugar. Então notei outra ave, mais no alto. Ela havia apanhado uma corrente de ar para cima e estava flutuando facilmente, livre no vento. Essa é a diferença entre tentar fazer isso por nós mesmos e voltar-nos para o Salvador, deixando que Ele nos eleve, com “cura debaixo das suas asas”.

Quando éramos líderes de missão na Austrália, em nossa última conversa com cada missionário, falávamos sobre 3 Néfi 17, em que lemos que as pessoas estavam próximas do Salvador e O ouviram orar por elas. Perguntávamos: “Se você pudesse ouvir o Salvador orando por você, o que acha que Ele diria?”

A oportunidade de ouvir as respostas deles foi uma das experiências mais espirituais da minha vida. Cada um daqueles missionários fazia uma pausa, e lhes vinham lágrimas aos olhos quando lhes lembrávamos: “Seu Salvador conhece o grau de dificuldade que vocês estão vivenciando. Ele já sentiu tudo isso!”

Foi isto que aqueles missionários compartilharam conosco de modo sereno e terno. Uma missisonária disse: “Jesus diria ao Pai o seguinte: ‘Ela está fazendo o melhor que pode. Eu sei o quanto ela está tentando’”. Outro missionário disse: “Com tudo o que aconteceu na vida dele, estou muito orgulhoso dele”.

Vamos experimentar fazer isso. Hoje à noite, antes de orar, imaginem que Jesus Cristo está bem perto de vocês. Ele é seu Advogado junto ao Pai. Perguntem a si mesmos: “O que o Salvador diria ao Pai a meu respeito?”

E, depois, fiquem em silêncio.

Ouçam aquela voz que diz coisas boas a seu respeito — a voz do Salvador, seu melhor amigo, e a de seu Pai Celestial, que realmente está a seu lado. Lembrem-se de que o amor Deles e seu valor são sempre grandes, não importa o que aconteça.

Sou testemunha de que Jesus Cristo dá luz aos que estão na escuridão. Por isso, nos dias em que ouvirem uma voz dizendo a vocês que se escondam, que se isolem num quarto escuro, sozinhos, convido-os a ter coragem e a acreditar em Cristo! Caminhem para a Luz e acendam essa Luz — nosso perfeito esplendor de esperança.

Banhados na luz Dele, vocês verão pessoas a seu redor que também se sentiam sozinhas, mas que agora, com a luz acesa, vocês e elas se perguntam: “Por que tínhamos tanto medo na escuridão? E por que ficamos lá por tanto tempo?”

“Que os braços do Senhor das Luzes envolvam [vocês] e que Ele console e ame [vocês] continuamente.” Oro para que O amemos continuamente e que O escolhamos, repetidas vezes. Em nome de Jesus Cristo, amém.