Conferência geral
Agora vejo
Conferência Geral de Outubro de 2025


17:24

Agora vejo

O impacto que o Livro de Mórmon teve em minha vida não é menos milagroso para mim do que a aplicação de saliva e barro nos olhos do homem cego.

Com amor sincero, todos nós ecoamos a homenagem do presidente Oaks pelo falecimento do presidente Russell M. Nelson. E com igual amor e profundo pesar, todos reconhecemos as tragédias ocorridas recentemente em Michigan e, quase diariamente, em todo o mundo. Reconhecemos essas coisas com amor e com confiança no Senhor Jesus Cristo.

O capítulo 9 de João relata a experiência de Jesus e Seus discípulos ao passarem perto de um mendigo que havia nascido cego. Isso levou os discípulos a fazer a Jesus várias perguntas religiosas complexas sobre a origem e transmissão da limitação desse homem. O Mestre respondeu fazendo algo muito simples e surpreendente. Ele cuspiu na terra e preparou uma pequena mistura de barro. Em seguida, aplicou isso nos olhos do homem, instruindo-o que fosse se lavar no tanque de Siloé. O homem cego obedeceu a todas as instruções e, conforme relata a escritura, “voltou vendo”. Como é importante a evidência, em contraste com desejos, argumentos ou até mesmo a malícia em oposição à verdade.

Bem, temendo que esse milagre aumentasse ainda mais a ameaça que Jesus já representava à sua suposta autoridade, os inimigos do Salvador confrontaram o homem que havia recuperado a visão e disseram com raiva: “Sabemos que [Jesus] é pecador”. O homem ouviu por um momento e respondeu: “Se é pecador, não sei; uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo”.

Jesus deu o primeiro significado a essa mudança, dizendo a Seus discípulos que tudo isso havia acontecido “para que se [manifestassem] nele as obras de Deus”. Lembrem-se de que, por duas vezes nessa narrativa, a ação do Salvador foi mencionada como ungir os olhos do cego, um ato que seria concluído pela lavagem. Essa descrição de que “se [manifestassem] nele as obras de Deus” poderiam possivelmente sugerir a realização de uma ordenança.

Outra verdade que é evidente aqui são os instrumentos usados pelo Criador do céu e da Terra e tudo que existe neles para realizar esse milagre: saliva e um pouco de terra! Esses ingredientes aparentemente improváveis declaram que Deus pode nos abençoar por qualquer método que Ele escolher. Assim como Naamã hesitou diante do rio Jordão ou os filhos de Israel se recusaram a olhar para a serpente no cajado, é muito fácil para nós ignorarmos a fonte de nossa redenção porque os ingredientes e os instrumentos parecem vergonhosamente simples.

Mas lembramos, por meio do Livro de Mórmon, que algumas coisas são tanto claras quanto preciosas e que, antes do nascimento de Jesus, seria profetizado que ele “não [teria] forma nem formosura; e olhando nós para ele, nada [veríamos] em sua aparência, para que o desejássemos”. Quantas vezes Deus enviou Sua majestosa mensagem por meio de uma presidente da Sociedade de Socorro recém-chamada e muito ansiosa, um menino sem instrução em uma fazenda em Nova York ou um bebê deitado em uma manjedoura.

E se as respostas a nossas orações vierem de maneira simples, incomum ou até complicada? Estamos dispostos a perseverar, continuar tentando viver o evangelho de Cristo sem nos importarmos com quanta saliva e barro serão necessários? Pode não estar sempre claro para nós o que está sendo feito ou por que, e, de vez em quando, todos nos sentiremos um pouco como uma irmã idosa que disse: “Senhor, que tal uma bênção que não esteja disfarçada?”

Considerem a evidência de outra verdade, esta a respeito do santo sacerdócio. Ao documentar a organização da igreja meridiana, a primeira linha de Lucas diz: “E convocando os seus doze discípulos, deu-lhes poder e autoridade”, dons não concedidos com base em credenciais impressionantes nem determinados pela tradição ou pelo direito de primogenitura. Eles não são concedidos por uma escola de teologia ou um seminário teológico. São conferidos apenas pela imposição de mãos de alguém sobre quem já haviam sido impostas mãos autorizadas, em uma sequência ininterrupta que remonta à fonte de toda a autoridade divina, o Senhor Jesus Cristo.

Em uma igreja que entende o dom da misericórdia, não seria outra maravilhosa evidência da veracidade da Igreja ver essas bênçãos e esses convênios serem estendidos a nossos parentes falecidos, aqueles de nossa família que nos precederam? Deveriam eles ser penalizados por não terem tido acesso ao evangelho ou por terem nascido em uma época ou um lugar em que as ordenanças e os convênios divinos não estavam disponíveis para eles? A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem Casas do Senhor sagradas e dedicadas, nas quais o trabalho de misericórdia e redenção está sendo feito todos os dias e noites vicariamente por pessoas falecidas além de oferecer oportunidades de adoração e ordenanças para os vivos. Que eu saiba, essa evidência particular da verdade de Deus, do amor universal de Deus pelos vivos e pelos mortos não é vista em outros lugares do mundo — exceto em uma igreja que demonstra a verdade a esse respeito em particular: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Minha primeira experiência, que me trouxe visão e vida, com evidência real da verdade não aconteceu com barro ungido nem no tanque de Siloé. Não, o instrumento da verdade que trouxe a cura do Senhor veio como páginas de um livro, sim, o Livro de Mórmon: Outro Testamento de Jesus Cristo! As afirmações contidas nesse livro enfrentaram a rejeição furiosa dos incrédulos, a raiva com a mesma intensidade daqueles que disseram ao homem curado que ele não poderia, de forma alguma, ter vivido o que ele sabia que havia vivenciado.

Foi-me dito que os meios pelos quais este livro surgiu eram impraticáveis, inacreditáveis, embaraçosos e até profanos. Bem, essa é uma linguagem dura de qualquer um que presume conhecer os meios pelos quais o livro surgiu, na medida em que a única descrição dada sobre esses meios é que ele foi traduzido “pelo dom e poder de Deus”. É isso. Isso é tudo. Em todo caso, o impacto que o Livro de Mórmon teve em minha vida não é menos milagroso para mim do que a aplicação de saliva e barro nos olhos do homem cego. Tem sido, para mim, uma barra de segurança para minha alma, uma luz transcendente e penetrante de revelação, uma iluminação no caminho que preciso trilhar quando surgirem névoas de escuridão. E com certeza elas vêm e com certeza virão.

E, dada a visão que ele me concedeu do amor universal e da graça redentora de meu Salvador, compartilho com vocês meu testemunho, justificado aqui quando os pais do homem recém-abençoado disseram que seu filho deveria ser ouvido porque ele “[tinha] idade”. Pois eu também tenho. Ele tinha idade suficiente para ser levado a sério, eles deram a entender. Pois eu também tenho. Daqui a dois meses, completarei 85 anos. Estive à beira da morte e voltei. Já caminhei ao lado de reis e profetas, presidentes e apóstolos. E a melhor parte, às vezes, fui dominado pelo Espírito Santo de Deus. Espero que o meu testemunho seja considerado, pelo menos, um pouco aqui.

Irmãos e irmãs, cheguei à convicção plena de que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é uma verdadeira restauração da Igreja do Novo Testamento, e ainda mais, porque não posso negar a evidência dessa restauração. Desde aquelas primeiras experiências, suponho que já tive mil — dez mil? — outras evidências de que tudo o que falei hoje é verdadeiro. Por isso, sinto-me feliz agora por me juntar a meu amigo encolhido nas ruas de Jerusalém, onde canto com minha voz já não tão firme:

Sublime graça me salvou,

Que doce som ouvi!

Da escuridão me resgatou

E Sua luz eu vi.

Em nome de Jesus Cristo, amém.