2025
A jornada que transformou minha vida
Julho de 2025


Mensagem da Área

A jornada que transformou minha vida

No final de 2018, senti um desejo incomum: comemorar meu aniversário de 35 anos. Após anos pensando apenas nas crianças, decidi convidar amigas próximas e familiares para celebrar a vida e, pela primeira vez, a minha. Nos cinco anos anteriores, estive mergulhada na maternidade. Nossa primogênita, Melissa, nasceu em 2013 e, com sua chegada, meu marido foi promovido em seu trabalho. Sua dedicação à nossa família sempre nos trouxe bênçãos e grandes responsabilidades. Na época, eu lecionava há 12 anos, mas optei por pausar a carreira para me dedicar inteiramente ao nosso lar. Com a chegada da nossa caçula Manuela em 2016, um novo chamado também veio: meu marido foi convidado a servir como conselheiro na estaca. Nosso lar se tornou um verdadeiro centro de aprendizado, amor e serviço.

Em 2017, após o nascimento da Manuela, retornei ao trabalho e fui abençoada com a possibilidade de matricular nossas filhas na mesma escola onde lecionava. Com a vida se reorganizando, decidi cuidar também de mim. Voltei a me exercitar, procurei uma nutricionista, refiz exames e estávamos animados com o futuro. Inclusive, sugerimos aos meus pais que se mudassem para perto, criando uma rede de apoio ainda mais forte. No ano seguinte, troquei de escola para estar mais próxima de casa. Meu marido voltou a trabalhar em Canoas. Tudo parecia em equilíbrio.

No início de 2019, senti um impulse inexplicável para atualizar meus exames ginecológicos. A ecografia mamária apontou um nódulo. Uma semana depois, a mamografia confirmou: era maligno. Câncer de mama. O chão se abriu. Entre lágrimas, recebi a notícia pelo WhatsApp enquanto preparava lembrancinhas de Páscoa com minha amiga Patrícia. Sentia que o ar me faltava. Ao compartilhar com meus pais e com meu marido, o medo se refletia nos olhos deles, especialmente no olhar do meu marido, sempre tão firme, mas, naquele momento, tomado de preocupação. Ainda assim, ele foi meu alicerce. Todos questionavam: “Por quê?” Esse questionamento soava como se uma sentença de morte estivesse escrita sobre mim. Mas logo compreendi que precisava escolher: viver, lutar e crer.

Durante os domingos na igreja, ao ouvir os hinos sacramentais, meu coração transbordava. Eu olhava para minhas filhas, tão pequenas e cheias de vida, e pensava: “Quero viver para ver cada passo delas. Quero viver para servir ao lado do meu marido. Quero viver para ver minha família crescer.” Foi então que tudo o que eu aprendi sobre o plano de felicidade fez ainda mais sentido. As promessas feitas no templo, quando fui selada ao meu marido, ecoavam em minha alma: poderíamos estar juntos para sempre.

Em maio de 2019, passei pela mastectomia. Achávamos que a cirurgia seria o fim da batalha, mas o tumor havia deixado rastros. A quimioterapia se fez necessária. Comecei o tratamento em julho. Duas semanas depois, meus cabelos começaram a cair e decidi raspar a cabeça. Foi nessa fase, entre perucas e lenços, que vivi uma das maiores demonstrações de amor da minha vida: amigas e familiares organizaram um encontro surpresa. Todas usavam lenços coloridos e, juntas, cantaram um hino que ainda vive em meu coração. Ali, suspirei pela primeira vez em meses. Eu me senti amada e amparada, viva.

Nada disso teria sido possível sem o apoio e suporte do meu marido, da minha família e dos amigos. Em cada exame, em cada lágrima, em cada momento de dúvida, eles estavam ao meu lado com fé, força e amor. Não apenas caminharam comigo: envolveram-me em amor quando minhas forças estavam se esgotando. E foram minhas filhas que me deram a coragem final. O amor que sinto por elas me fez levantar todos os dias. Por elas, decidi viver.

Os meses se passaram entre dias bons e dias difíceis, e a vida seguiu seu curso. Ainda naquele mesmo ano, muitas famílias vindas da Venezuela chegaram à nossa estaca, e elas se tornaram um verdadeiro pilar de luz para mim. Foi por causa delas que vivi aquele período sentindo-me útil, importante e com a certeza de que meu propósito nesta Terra era servir. Essas famílias me deram forças para suportar os momentos mais sombrios. Preparar um lar para recebê-las me motivou a continuar lutando pela minha própria vida. Em meio às minhas orações diárias, eu suplicava ao Pai Celestial que me mostrasse o que fazer e, se fosse da Sua vontade, que me preparasse — pois, se minha hora tivesse chegado, eu estava pronta para atravessar o véu e continuar servindo a Ele do outro lado. Transformei minhas dúvidas, meus medos e minhas dores em fé, força e coragem. O conhecimento do plano de salvação foi o que me trouxe paz e serenidade para enfrentar os desafios daquele ano.

Hoje, depois de seis anos desde o diagnóstico, após vencer o câncer, passar pela pandemia e encarar uma enchente que devastou nossa cidade no ano passado, sinto que o Senhor está me moldando para algo maior. Sinto Seu amor em cada detalhe, percebo Sua orientação e recebo Seu consolo diariamente. Olho para trás com gratidão. A dor existiu, mas foi a fé que nos sustentou, e é ela que continua a nos guiar. Cada novo dia é uma dádiva.

Continuo minha jornada com um testemunho fortalecido, um coração cheio de esperança e a certeza de que as promessas eternas são reais. Minha história é de superação, mas, acima de tudo, é uma história de amor pelo meu marido, pelas minhas filhas e pelo evangelho de Jesus Cristo. Testifico com todo o meu coração que este é um tempo de preparação. Um tempo Sagrado em que estamos sendo lapidados para um dia retornarmos à presença de nossos Pais Celestiais e nos reunirmos com nossa família eterna. Quero viver para ver minhas filhas realizarem seus sonhos. Quero viver para servir com meu marido. Quero viver. E com fé eu sigo vivendo. ■