Mensagem da Área
Do luto à luz: meu encontro com o plano de salvação
O período da Covid-19 foi inesperado. Assistimos pela televisão à chegada do vírus em nosso país, mas nunca imaginamos a proporção que tomaria nem que o viveríamos tão de perto. Perdi sete membros da minha família em um curto intervalo de tempo. Estávamos em um velório, prestávamos condolências e, logo depois, estávamos velando mais um ente querido. A última foi minha mãe, que desenvolveu uma infecção urinária e precisou ser hospitalizada. Ficamos ao lado dela o tempo todo até que, na Segunda semana de internação, no dia 13 de dezembro de 2020, às 6h da manhã, ela apresentou falta de ar. A saturação no oxímetro era de apenas 68, o que indicava insuficiência respiratória, uma vez que o ideal é entre 98 e 100. O teste confirmou a Covid-19.
Entrei em desespero. Meu corpo tremia como se estivesse dentro de um freezer. Apoiei minha mãe em meus ombros, olhei em seus olhos e prometi que a levaria para casa. Caminhamos juntas, ela se apoiando em mim e nas paredes do hospital. Mas, debilitada, não conseguimos sair. Sentamo-nos na porta de saída, abraçamonos e choramos. Ela disse que não conseguia mais, mas tinha medo de ficar sozinha no hospital, algo que nunca havia acontecido, pois sempre a acompanhávamos. Prometi que estaria ali todos os dias e que venceríamos juntas. Pela primeira vez nos separamos: minha mãe foi levada para uma área de isolamento, onde não poderia receber visitas nem ter acompanhante. Eu ia todos os dias ao hospital e, olhando na direção da UTI, dizia para minha mãe que eu estava ali. Até que um dia o medico me viu, ligou para a portaria e autorizou minha entrada. Eu não sabia, mas ele estava me dando a oportunidade de uma despedida. Entrei e vi minha mãe pela última vez. Corri para abraçá-la, mas fui contida pela enfermeira, pois não poderia tocá-la.
Passamos o Natal e o Ano Novo em frente ao hospital, o mais perto que podíamos chegar. No dia 2 de janeiro de 2021, no meu aniversário, pedi ao Senhor como presente ter minha mãe de volta. Dois dias depois, no dia 4 de janeiro de 2021, às 2h50 da madrugada, recebi a ligação informando que ela havia falecido.
Fiquei dois anos sem sair de casa ou receber visitas. Sentia um profundo fracasso por não ter conseguido trazer minha mãe de volta e carregava a culpa, questionando onde eu havia falhado. Esses pensamentos me consumiam diariamente. Eu havia perdido minha melhor amiga; com ela, sonhava e planejava tantas coisas e, de repente, tudo havia acabado.
Buscando conforto, comecei a pesquisar sobre vida após a morte. Queria fortalecer minha fé de que a vida não terminava aqui e que eu veria minha mãe novamente. Li muitos artigos, explorei diferentes sites. Foi então que vi um link no Facebook sobre o Livro de Mórmon. Curiosa, deixei meu endereço e telefone, acreditando que o livro chegaria pelo correio. Na última semana de março de 2023, recebi uma mensagem dizendo que precisavam entregar o livro pessoalmente. Recusei, pois ainda não recebia visitas, mas no dia seguinte ligaram novamente, informando que estavam próximos à minha casa e acabei aceitando a visita. Recebi no portão dois rapazes de camisa branca e plaquetas escritas “Élder”. Pedi que passassem o livro pelas grades do portão, mas eles explicaram que queriam me ajudar a entender seu conteúdo. Peguei duas cadeiras, abri o portão e conversamos. Apesar da conversa, eu não queria falar sobre mim. Lembro que um dos missionários perguntou: “Se Jesus Cristo estivesse na sua frente, o que você diria?” Respondi que pediria para Ele me levar com Ele.
Aceitei o convite dos missionários para visitar a capela em um domingo pela manhã. Nunca vou esquecer o sentimento que tive ao entrar: fiquei toda arrepiada, como se alguém invisível estivesse à minha espera. Toda dor e angústia desapareceram e fui envolvida por uma paz indescritível enquanto ouvia as crianças da Primária cantando. A partir de então, ansiava pelos domingos para estar na reunião sacramental e sentir novamente aquela paz. Aprendi sobre o plano de salvação e sobre a importância da Expiação de Jesus Cristo — por meio dela, as famílias podem ser eternas.
Minha irmã Vitória e eu fomos ensinadas juntas e nos batizamos no dia 1° de abril de 2023. No ano seguinte, outra irmã e três sobrinhos também foram batizados. Sou profundamente grata ao Senhor por ter me guiado até o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Minha vida foi transformada: os dias se tornaram mais leves e ganhei uma grande família em minha ala, onde me sinto acolhida e amada.
Certa manhã de domingo, acordei de um sonho com minha mãe, cheia de saudade. Ao me arrumar para a reunião sacramental, tive um forte sentimento de pegar uma jaqueta guardada havia dois anos. No bolso, encontrei um papel dobrado: a cópia da certidão de óbito de minha mãe. Chorei. Senti que era uma ligação com o sonho que tivera. Na reunião sacramental, ouvi duas irmãs emocionadas compartilhando suas experiências no templo ao realizarem ordenanças por familiares falecidos. Compreendi, naquele momento, meu chamado: minha mãe esperava por mim do outro lado do véu.
Fui ao templo e realizei as ordenanças vicárias por ela. Foi uma experiência profundamente espiritual: senti a presença dela o tempo todo. Ao entrar nas águas batismais, senti o perfume característico da minha mãe por todo o ambiente.
Sei que Jesus Cristo vive, que Ele nos ama e tem um plano de felicidade para cada um de nós nesta vida. Sou imensamente grata e O amo, pois, através de Sua Expiação, o maior ato de amor que já existiu, podemos ser salvos e viver eternamente com nossa família. ■