Conferência geral
Auxílios divinos para a mortalidade
Conferência Geral de Abril de 2025


14:41

Auxílios divinos para a mortalidade

O plano de nosso Pai Celestial oferece auxílios para nos guiar em nossa jornada mortal.

I.

Por meio do profeta Joseph Smith, o Senhor revelou algumas coisas sobre nossa vida pré-mortal. Lá, existíamos como filhos espirituais de Deus. Uma vez que Deus desejava ajudar Seus filhos a progredir, Ele decidiu criar uma Terra na qual poderíamos receber um corpo, aprender por meio da experiência, desenvolver atributos divinos e ser provados para ver se guardaríamos os mandamentos de Deus. Aqueles que se qualificassem teriam “um acréscimo de glória sobre sua cabeça para todo o sempre” (Abraão 3:26).

Para estabelecer as condições deste plano divino, Deus escolheu Seu Filho Unigênito para ser nosso Salvador. Lúcifer, que sugeriu uma alternativa que destruiria o arbítrio do homem, tornou-se Satanás e foi “expulso”. Banido para a Terra e privado do privilégio da vida mortal, a Satanás foi permitido tentar “enganar e cegar os homens e levá-los cativos segundo a sua vontade, sim, todos os que não derem ouvidos à [voz de Deus]” (Moisés 4:4).

Algo essencial no grande plano de Deus para o crescimento de Seus filhos na mortalidade era que eles tivessem “oposição em todas as coisas” (2 Néfi 2:11). Assim como nossos músculos físicos não podem ser desenvolvidos ou preservados sem que haja um esforço contra a lei da gravidade, o crescimento na mortalidade exige que nós enfrentemos as tentações de Satanás e outras oposições da mortalidade. Algo extremamente importante para o crescimento espiritual é a responsabilidade dada por Deus de escolhermos entre o bem e o mal. Aqueles que escolhessem o bem progrediriam em direção ao seu destino eterno. Aqueles que escolhessem o mal — algo que ocorre com todos nas várias tentações da mortalidade — precisariam de ajuda para obter a salvação, algo que um Deus amoroso tinha em mente para oferecer.

II.

Sem dúvida, o auxílio mais poderoso dado por Deus para a mortalidade foi o envio de um Salvador, Jesus Cristo, que sofreria para pagar o preço e conceder perdão pelos pecados dos quais nos arrependemos. Essa Expiação misericordiosa e gloriosa explica por que a fé no Senhor Jesus Cristo é o primeiro princípio do evangelho. Sua Expiação “efetua a ressurreição dos mortos” (Alma 42:23) e “[expia] os pecados do mundo” (Alma 34:8), apagando todos os pecados dos quais nos arrependemos e dando ao nosso Salvador poder para nos socorrer em nossas enfermidades mortais.

O Salvador Jesus Cristo.

Além do glorioso modo pelo qual os pecados que cometemos são apagados e perdoados, o plano de um Pai Celestial amoroso fornece muitas outras dádivas para nos proteger, inclusive nos proteger antecipadamente para não pecarmos. Nossa vida mortal sempre começa com um pai e uma mãe. No melhor dos casos, ambos estão presentes com diferentes dons para guiar nosso crescimento. Se eles não estiverem, sua ausência é parte da oposição que devemos superar.

III.

O plano de nosso Pai Celestial oferece outros auxílios para nos guiar em nossa jornada mortal. Falarei de quatro deles. Por favor, não se prendam ao número quatro, pois esses auxílios se relacionam entre si. Inclusive, há outras proteções misericordiosas além dessas.

Primeiro, falo da Luz ou Espírito de Cristo. Em seu grande ensinamento no livro de Morôni, Morôni cita seu pai ao dizer que “o Espírito de Cristo é concedido a todos os homens, para que eles possam distinguir o bem do mal” (Morôni 7:16). Lemos esse mesmo ensinamento em revelações atuais:

“E o Espírito dá luz a todo homem que vem ao mundo; e o Espírito ilumina todo homem no mundo que dá ouvidos à sua voz” (Doutrina e Convênios 84:46).

E novamente: “Pois meu Espírito é enviado ao mundo a fim de iluminar os humildes e contritos e para a condenação dos ímpios” (Doutrina e Convênios 136:33).

O presidente Joseph Fielding Smith explicou essas escrituras: “O Senhor não deixa os homens (quando nascem neste mundo) desamparados, andando às cegas em busca da luz e verdade; mas todo homem vem ao mundo com o direito de receber a diretriz, a instrução, o conselho do Espírito de Cristo, ou Luz da Verdade”.

Estudar as escrituras.

O segundo dos grandes auxílios que o Senhor fornece para nos ajudar a escolher o que é certo consiste em um conjunto de diretrizes divinas encontradas nas escrituras como parte do plano de salvação (ou plano de felicidade). Essas diretrizes são os mandamentos, as ordenanças e os convênios.

Os mandamentos definem o caminho que nosso Pai Celestial delineou para que possamos progredir rumo à vida eterna. Aqueles que veem os mandamentos como a maneira pela qual Deus decide a quem Ele punirá não compreendem o verdadeiro propósito do amoroso plano de felicidade estabelecido por Deus. Ao longo desse caminho, podemos gradualmente alcançar o relacionamento necessário com nosso Salvador e nos qualificamos para receber um aumento de Seu poder a fim de nos ajudar em nossa jornada ao destino que Deus deseja para todos nós. Nosso Pai Celestial deseja que todos os Seus filhos retornem ao reino celestial, onde Deus e o nosso Salvador habitam, e que tenham o tipo de vida das pessoas que vivem nessa glória celestial.

As ordenanças e os convênios fazem parte da lei que define o caminho para a vida eterna. As ordenanças, junto com os sagrados convênios que fazemos com Deus por meio delas, são passos obrigatórios e uma proteção essencial ao longo desse caminho. Gosto de pensar no papel dos convênios como uma demonstração de que, segundo o plano de Deus, Suas maiores bênçãos são dadas àqueles que prometem, de antemão, guardar certos mandamentos e que cumprem essas promessas.

Outro auxílio dado por Deus para fazermos escolhas corretas são as manifestações do Espírito Santo. O Espírito Santo é o terceiro membro da Trindade. Sua função, definida nas escrituras, é prestar testemunho do Pai e do Filho, ensinar-nos, fazer-nos lembrar de todas as coisas e guiar-nos a toda verdade. As escrituras contêm muitas descrições das manifestações do Espírito Santo, tal como um testemunho espiritual em resposta a uma pergunta sobre a veracidade do Livro de Mórmon. Uma manifestação não deve ser confundida com o dom do Espírito Santo, que é conferido após o batismo.

Uma das maneiras mais significativas pela qual Deus ajuda Seus filhos fiéis é o dom do Espírito Santo. A importância desse dom fica evidente no fato de que ele é formalmente conferido após o arrependimento e o batismo com água, “e vem, então, [explicam as escrituras,] a remissão de [nossos] pecados pelo fogo e pelo Espírito Santo” (2 Néfi 31:17). As pessoas que têm essa remissão de pecados — e depois renovam regularmente sua purificação pelo arrependimento diário e ao viverem de acordo com os convênios que fazem por meio da ordenança do sacramento — qualificam-se para a promessa de que o Espírito Santo, o Espírito do Senhor “[pode estar] sempre [com elas]” (Doutrina e Convênios 20:77).

Presidente Joseph F. Smith

Da mesma maneira, o presidente Joseph F. Smith ensinou que o Espírito Santo vai: “iluminar a mente das pessoas com respeito às coisas de Deus, convencê-las no momento de sua conversão de que cumpriram a vontade do Pai, e vai ser para elas um testemunho constante e um companheiro por toda a vida, agindo como o guia certo e seguro para conduzi-las em toda a verdade e diariamente enchendo sua vida de felicidade e alegria, com a disposição de fazer o bem a todos os homens, de suportar o mal em vez de infligir o mal, de ser gentil, misericordioso, longânimo e caridoso. Todos os que possuírem esse inestimável dom, essa pérola de grande valor, terão sede contínua de justiça. Sem o auxílio do Santo Espírito”, concluiu o presidente Smith, “nenhum mortal consegue trilhar o caminho estreito e apertado”.

IV.

Com tantos auxílios poderosos para nos guiar em nossa jornada mortal, é lamentável que tantos permaneçam despreparados para o encontro que eles têm marcado com nosso Salvador e Redentor, Jesus Cristo. A parábola das dez virgens, mencionada diversas vezes nesta conferência, mostra que, daqueles convidados a encontrá-Lo, apenas metade estará preparada.

As dez virgens

Todos conhecemos exemplos de alguém despreparado: ex-missionários que interromperam seu crescimento espiritual por causa de períodos de inatividade, jovens que colocaram em risco seu crescimento espiritual por se distanciarem dos ensinamentos da Igreja e das atividades, homens que adiaram sua ordenação ao Sacerdócio de Melquisedeque, homens e mulheres — às vezes descendentes de nobres pioneiros ou de pais dignos — que se afastaram do caminho do convênio sem fazer e cumprir convênios no templo sagrado.

Oração pessoal

Muitos desses desvios ocorrem quando os membros deixam de seguir o plano básico de manutenção espiritual, que inclui a oração pessoal, o estudo regular das escrituras e o arrependimento frequente. Por outro lado, alguns negligenciam a renovação semanal dos convênios deixando de participar do sacramento. Outros dizem que a Igreja não está atendendo às suas necessidades, substituindo o que eles enxergam como suas necessidades futuras em detrimento do que o Senhor tem proporcionado com Seus muitos ensinamentos e com as muitas oportunidades que temos de prestar um serviço adequado ao próximo.

A humildade e a confiança no Senhor são os remédios para tais desvios. Conforme ensina o Livro de Mórmon, o Senhor “abençoa e faz prosperar os que colocam nele a sua confiança” (Helamã 12:1). Confiar no Senhor é uma necessidade particular para todos os que erroneamente comparam os mandamentos de Deus e os ensinamentos de Seus profetas com as últimas descobertas e a sabedoria do homem.

Eu falei sobre muitas maneiras mortais pelas quais nosso amoroso Pai Celestial tem ajudado Seus filhos a retornar a Ele. Nossa parte neste plano divino é confiar em Deus, buscar e usar Seus auxílios divinos, principalmente a Expiação de Seu Amado Filho, nosso Salvador e Redentor, Jesus Cristo. Oro para que ensinemos e vivamos esses princípios, em nome de Jesus Cristo, amém.