Conferência geral
Participar a fim de se preparar para o retorno de Cristo
Conferência Geral de Abril de 2025


11:24

Participar a fim de se preparar para o retorno de Cristo

Os chamados e outras maneiras pelas quais nos envolvemos no serviço de Deus nos preparam de maneira única para nos encontrarmos com o Salvador.

Há alguns meses, eu estava parado em um corredor quando o élder Neil L. Andersen passou por mim. Eu havia acabado de ser chamado como autoridade geral. Provavelmente percebendo meu sentimento de inadequação, ele sorriu e disse: “Eis aqui um homem que parece não ter a menor ideia do que está fazendo”.

E eu pensei: “Eis aqui um verdadeiro profeta e vidente”.

O élder Andersen então sussurrou: “Não se preocupe, élder Shumway. Isso vai ficar mais fácil — em cinco ou seis anos”.

Vocês já se perguntaram por que somos chamados a fazer coisas no reino de Deus que parecem estar muito além de nossa capacidade? Com as demandas da vida, vocês já se perguntaram por que precisamos de chamados na Igreja? Bem, eu já.

E recebi uma resposta na conferência geral, quando o presidente Russell M. Nelson disse: “Agora é o momento para vocês, e para mim, de nos prepararmos para a Segunda Vinda de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo”. Quando o presidente Nelson disse isso, o Espírito me ensinou que, ao participarmos da obra de Deus, nós nos preparamos e preparamos outras pessoas para o retorno de Cristo. A promessa do Senhor é categórica ao afirmar que os chamados, a ministração, a adoração no templo, seguir inspirações, e outras maneiras pelas quais embarcamos na obra de Deus nos preparam de maneira única para nos encontrarmos com o Salvador.

Deus fica feliz quando nos envolvemos em Sua obra

Na “majestade deste momento”, à medida que o reino de Deus se expande e há muitos templos na Terra, há uma necessidade crescente de almas desejosas se envolverem na obra de Deus. Servir de modo altruísta é a essência do discipulado cristão. Mas servir raramente é conveniente. É por isso que admiro vocês, discípulos que cumprem convênios, o que inclui nossos queridos missionários, que deixam de lado seus desejos e desafios para servir a Deus prestando serviço a Seus filhos. Deus “[Se deleita] em [honrá-los por servirem-No] em retidão”. Ele promete: “Grande será sua recompensa e eterna sua glória”. Quando dizemos sim a um chamado, estamos dizendo sim a Jesus Cristo. E quando dizemos sim a Cristo, estamos dizendo sim à vida mais abundante possível.

Aprendi essa lição enquanto trabalhava e estudava engenharia química na faculdade. Fui chamado para ser o líder de atividades em uma ala de solteiros. Esse chamado era tudo o que eu temia. Mesmo assim, aceitei o chamado, e, no começo, foi algo maçante. Então, em uma atividade, uma linda garota ficou encantada com a maneira como eu servia o sorvete. Ela voltou três vezes, com a esperança de chamar minha atenção. Nós nos apaixonamos, e ela me pediu em casamento apenas duas semanas depois. Bem, talvez isso não tenha acontecido tão rápido, e tenha sido eu quem fez o pedido de casamento, mas a verdade é que tremo ao pensar que poderia perder Heidi se tivesse dito não àquele chamado.

Nossa participação é uma preparação para o retorno de Cristo

Nós nos envolvemos na obra de Deus não porque Deus precisa de nós, mas porque precisamos de Deus e de Suas bênçãos grandiosas. Ele promete: “Abençoarei todos os que trabalharem em minha vinha com uma grandiosa bênção”. Gostaria de compartilhar três princípios que ensinam como nossa participação na obra de Deus nos abençoa e nos ajuda a nos prepararmos para nosso encontro com o Salvador.

Primeiro, ao participarmos, nós progredimos rumo ao “propósito de [nossa] criação”.

Aprendemos esse padrão no relato da Criação. Depois de cada dia de trabalho, Deus reconhecia o progresso realizado dizendo: “Está bom”. Ele não dizia que o trabalho estava terminado ou que estava perfeito. O que Ele dizia era que havia progresso, e à vista de Deus, isso é bom!

Os chamados não determinam nem comprovam o valor ou a dignidade de uma pessoa. Em vez disso, ao trabalharmos com Deus da maneira que Ele pede, crescemos até o propósito de nossa própria criação.

Deus Se alegra com nosso progresso, e deveríamos nos alegrar também, mesmo quando ainda temos trabalho a fazer. Às vezes, falta-nos força ou os meios para servir em um chamado. Ainda assim, podemos nos envolver no trabalho e proteger nosso testemunho por meio de maneiras significativas, como a oração e o estudo das escrituras. Nosso amoroso Pai Celestial não nos condena quando estamos dispostos, mas não temos condições de servir.

Segundo, servir eleva nosso lar e nossa Igreja a lugares sagrados, nos quais podemos praticar como viver os convênios.

Por exemplo, nosso convênio de sempre nos lembrarmos de Cristo é feito individualmente, mas é vivido quando servimos a outras pessoas. Os chamados nos trazem oportunidades de “[levarmos] as cargas uns dos outros, e assim [cumprirmos] a lei de Cristo”. Quando servimos por amor a Deus e desejamos viver nossos convênios, o serviço que parece pesado e desgastante se torna alegre e transformador.

As ordenanças não nos salvam porque cumprem uma lista de verificação celestial. Em vez disso, quando vivemos os convênios associados a essas ordenanças, tornamo-nos o tipo de pessoa que deseja estar na presença de Deus. Esse entendimento supera nossa hesitação em servir ou nossa preferência por não servir. Nossa preparação para nos encontrarmos com Jesus Cristo acelera quando paramos de perguntar o que Deus permitirá que façamos e começamos a perguntar o que Ele prefere que façamos.

Terceiro, participar da obra de Deus nos ajuda a receber a dádiva da graça de Deus e sentir Seu amor maior.

Não recebemos um pagamento por nosso serviço. Em vez disso, as escrituras ensinam que, por nosso “trabalho, [receberemos] a graça de Deus, a fim de [nos fortalecermos] no Espírito, tendo conhecimento de Deus [e ensinarmos] com poder e autoridade de Deus”. Essa é uma troca muito boa!

Devido à graça de Deus, nossas habilidades ou incapacidades não são a base principal para se fazer ou aceitar um chamado. Deus não espera um desempenho perfeito ou um talento excepcional para participarmos da obra Dele. Se fosse dessa maneira, a rainha Ester não teria salvado sua nação, Pedro não teria liderado a Igreja primitiva e Joseph Smith não teria sido o profeta da Restauração.

Ao agirmos com fé para fazer algo que está além de nossa capacidade, nossa fraqueza é exposta. Isso nunca é confortável, mas é necessário “que saibamos que é [pela] graça [de Deus] (…) que temos poder para fazer estas coisas”.

Vamos falhar muitas vezes ao nos envolvermos na obra de Deus. Mas Jesus Cristo nos ampara em nossos esforços. Ele gradualmente nos eleva para superarmos nossas falhas, nossos medos, e o sentimento de que nunca seremos suficientes. Quando consagramos nosso precário, porém melhor esforço, Deus o magnifica. Quando nos sacrificamos por Jesus Cristo, Ele nos santifica. Esse é o poder transformador da graça de Deus. Quando servirmos, crescemos na graça até estarmos preparados para sermos “levantados pelo Pai, para [comparecermos] perante [Jesus Cristo]”.

Ajudar outras pessoas a receber a dádiva de um chamado e a se alegrar com ele

Não sei tudo o que o Salvador vai me perguntar quando eu estiver na presença Dele, mas talvez uma das perguntas seja: “Quem você trouxe com você?” Os chamados são dádivas sagradas de um amoroso Pai Celestial para ajudar a trazer outras pessoas conosco a Jesus Cristo. Então, convido os líderes e cada um de nós a buscar mais intencionalmente as pessoas que não têm um chamado. Incentivem-nos e ajudem-nos a se envolverem na obra de Deus a fim de ajudarem-nos a se preparar para o retorno de Cristo.

João não estava ativo na Igreja quando seu bispo o visitou e disse-lhe que o Senhor tinha um trabalho para ele realizar. Ele convidou João a parar de fumar. Embora João tivesse procurado parar muitas vezes, dessa vez ele sentiu um poder invisível o ajudando.

Apenas três semanas depois, o presidente da estaca visitou João. Ele o chamou para servir no bispado. João ficou em choque. Ele contou ao presidente da estaca que tinha acabado de parar de fumar. Se isso significava que ele tinha que abandonar sua tradição de ir aos jogos de futebol aos domingos, isso seria pedir demais. A inspirada resposta do presidente da estaca foi simples: “João, não sou eu quem está lhe chamando; é o Senhor”.

João, então, respondeu: “Bem, se for assim, servirei”.

João me disse que esses sacrifícios para servir foram o momento de transformação espiritual para ele e para sua família.

Fico pensando se não enxergamos direito, deixando de fazer chamados a pessoas que, em nossa visão mortal, parecem improváveis ou indignas. Ou talvez estejamos mais preocupados com uma cultura de desempenho do que com a doutrina de progresso, negligenciando o fato de que o Salvador aumenta a capacidade do improvável e do desconhecido, dando-lhes oportunidades para servir.

O élder Bednar ensina a importância do mandamento escriturístico de permitir “que todo homem [e mulher] aprenda o seu dever e a agir”. Será que fazemos isso? Quando os líderes e os pais permitem que as pessoas aprendam e ajam por si mesmas, elas realmente florescem e se desenvolvem. Embora o caminho mais fácil possa ser o de dar a membros fiéis um segundo chamado, a maneira mais excelente é convidar pessoas improváveis para servir e permitir que elas aprendam e cresçam.

Se Cristo estivesse aqui fisicamente, Ele visitaria os doentes e ensinaria na Escola Dominical; Ele se sentaria ao lado das moças que estão sofrendo e abençoaria as crianças. Ele pode realizar Sua própria obra. Mas Ele vive esse princípio de nos permitir agir e aprender, por isso Ele nos envia em Seu lugar.

Com a participação na obra de Deus, “vem o direito, o privilégio e a responsabilidade de representar o Senhor [Jesus Cristo]”. Quando servimos para magnificar a Cristo e não a nós mesmos, nosso serviço se torna repleto de alegria. Quando as pessoas saem de nossa aula, de uma reunião, de uma visita de ministração ou de uma atividade lembrando-se mais de Cristo do que de nós, o trabalho se torna revigorante.

Ao buscarmos sinceramente representar o Salvador, tornamo-nos mais semelhantes a Ele. Essa é a melhor preparação para o momento sagrado em que cada um de nós se ajoelhará e confessará que Jesus é o Cristo. Presto testemunho de que Ele é o Cristo e de que o presidente Russell M. Nelson é a “voz do Senhor [que] chega aos confins da Terra” para nos ajudar a “[nos preparar] para o que está para vir”. No sagrado nome de Jesus Cristo, amém.