Conferência geral
Nosso sistema de orientação celestial
Conferência Geral de Abril de 2025


10:48

Nosso sistema de orientação celestial

Ao centralizarmos nossa vida em Jesus Cristo, encontraremos o caminho de volta para casa, perseverando e nos regozijando até o fim.

Jesus Cristo mudou minha vida quando fui batizado aos 26 anos de idade em minha amada Frutillar, no Chile. Naquela época, meu trabalho me levava através dos oceanos, rios e lagos da bela Patagônia chilena. Depois do meu batismo, passei a ver meu trabalho e minha vida de uma maneira nova e diferente, reconhecendo que verdadeiramente “todas as coisas mostram que existe um Deus”.

Na natureza, os salmões são gerados nas nascentes dos rios. Em algum momento da vida, eles precisam nadar rio abaixo para chegar ao oceano, onde encontram os nutrientes e as condições necessárias para seu desenvolvimento.

Porém, o oceano também é um lugar perigoso, onde predadores espreitam e pescadores tentam capturar os salmões usando anzóis chamativos que imitam o alimento, mas não nutrem. Se os salmões conseguirem sobreviver a essas ameaças, eles estarão prontos para usar seu poderoso sistema de orientação para retornar rio acima ao mesmo lugar onde nasceram e enfrentar alguns desafios novos e outros já conhecidos. Os cientistas estudam o comportamento migratório dos salmões há anos e descobriram que eles usam um tipo de mapa magnético, semelhante ao GPS, para guiá-los até seu destino final com incrível precisão.

Todos nós poderemos retornar um dia ao lar celestial, de onde viemos. E assim como os salmões, temos nosso próprio mapa magnético, ou a “Luz de Cristo”, para nos guiar até lá. Jesus ensinou a Seus discípulos: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim”.

Ao centralizarmos nossa vida em Jesus Cristo, encontraremos o caminho de volta para casa, perseverando e nos regozijando até o fim. O presidente Russell M. Nelson ensinou que “a alegria que sentimos tem pouco a ver com as circunstâncias de nossa vida e tem tudo a ver com o enfoque de nossa vida”.

Nossa natureza e destino divinos

Na proclamação sobre a família, lemos que “cada [um de nós] é um filho (ou filha) gerado em espírito por pais celestiais que o amam e, como tal, possui natureza e destino divinos. (…) Na esfera pré-mortal, os filhos e filhas que foram gerados em espírito conheciam e adoravam a Deus como seu Pai Eterno e aceitaram Seu plano, segundo o qual Seus filhos poderiam obter um corpo físico e adquirir experiência terrena a fim de progredirem rumo à perfeição, terminando por alcançar seu destino divino como herdeiros da vida eterna”.

Antes de Seu nascimento na mortalidade, Jesus Cristo apareceu a Moisés e falou com ele em nome do Pai. Ele disse que Moisés teria uma grande obra a realizar. Durante aquele encontro, o Senhor o chamou de “meu filho” várias vezes.

Depois daquela experiência, Satanás veio tentá-lo, dizendo: “Moisés, filho de homem, adora-me”.

Moisés respondeu à tentação lembrando-se de sua natureza divina, e disse: “Quem és tu? Pois eis que sou um filho de Deus”. A verdade libertou Moisés de um ataque do adversário.

Irmãos e irmãs, os anzóis da mortalidade são reais. Eles são muitas vezes sedutores, mas buscam apenas um alvo: tirar-nos do curso das águas vivas que levam ao Pai e à vida eterna.

Sei o quão reais os anzóis da mortalidade podem ser. Certo domingo, quando eu ainda era recém-converso, estava dando uma aula na reunião do sacerdócio quando surgiu um debate que me deixou muito chateado. Tive dificuldades para terminar minha lição. Fiquei ofendido e senti que era a vítima. Sem dizer uma palavra, dirigi-me à saída com a ideia de que não voltaria à igreja por um tempo.

Naquele exato momento, um portador do sacerdócio preocupado parou diante de mim. Ele me convidou amorosamente a me concentrar em Cristo e não na situação que tínhamos vivenciado na aula. Lembro-me daquela experiência. Ele compartilhou comigo que ouvira uma voz lhe dizer: “Vá atrás dele; ele é importante para Mim”.

O élder Vargas e o líder que foi atrás dele.

Meus queridos amigos, todos nós somos importantes para Ele. O presidente Nelson ensinou que “por causa de nosso convênio com Deus, Ele nunca Se cansará de procurar nos ajudar, e nunca esgotaremos Sua paciência misericordiosa para conosco”. Nossa natureza divina e nosso relacionamento por convênio com Deus nos dão o direito de receber ajuda divina.

A necessidade de nutrição

Assim como os salmões precisam ser nutridos no oceano para crescer, também precisamos nos nutrir espiritualmente para evitar morrer de desnutrição espiritual. A oração, as escrituras, o templo e nossa frequência regular às reuniões dominicais são essenciais em nosso menu espiritual.

Em novembro de 1956, Ricardo García entrou nas águas do batismo no Chile, tornando-se o primeiro membro da Igreja em meu país. No dia que antecedeu sua morte, Ricardo declarou diante de familiares e amigos: “Há muitos anos, os missionários convidaram a mim e a minha família para sermos felizes. Sou um homem feliz. Digam a todas as pessoas no Chile que o evangelho significa felicidade”.

Após ter sido nutrido com o evangelho de Jesus Cristo, Ricardo dedicou toda a sua vida a servir a Deus e ao próximo com amor. Seu exemplo de discipulado abençoou não só a mim, mas várias gerações. O profeta Joseph Smith ensinou que “um homem cheio de amor de Deus não fica contente em abençoar apenas sua família, mas estende a mão para o mundo inteiro, ansioso por abençoar toda a humanidade”.

Retornar ao nosso lar celestial

Dentro de cada um de nós existe o desejo de retornar ao nosso lar celestial, e Jesus Cristo é o nosso sistema de orientação celestial. Ele é o caminho. Seu sacrifício expiatório torna possível que façamos convênios sagrados com Deus. Mesmo ao fazermos convênios, às vezes nos encontraremos nadando contra a corrente. Perigos, decepções, tentações e aflições vão testar nossa fé e nossa força espiritual. Peçam ajuda. Jesus Cristo nos entende e está sempre desejoso de carregar conosco nossos fardos.

Lembrem-se de que Ele é conhecido como um “homem de dores, e experimentado em padecimentos”. O Salvador ensinou: “No mundo tereis aflição, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Seu sacrifício expiatório permite que nossos pecados sejam perdoados a ponto de Ele não mais Se lembrar deles.

Podemos não nos esquecer totalmente de nossos pecados como parte de nosso aprendizado mortal para nos lembrarmos de não repeti-los. Contudo, devemos nos lembrar Dele ao tomarmos o sacramento na igreja todos os domingos. Essa ordenança é parte essencial de nossa adoração e de nosso desenvolvimento espiritual. Sentimos alegria quando entendemos que esse dia não é apenas mais um dia. “O sábado foi feito por causa do homem” com a intenção de nos dar descanso do mundo e renovar nosso corpo e nosso espírito.

Também nos lembramos Dele quando vamos ao templo, a Casa do Senhor. Os templos nos dão um conhecimento mais profundo de Jesus Cristo como o centro do convênio que nos leva à vida eterna, “o maior (…) [dos] dons de Deus”.

Frequentar o templo me trouxe consolo e grande esperança em relação a nosso destino eterno. Tive conexões celestiais com pessoas de ambos os lados do véu. Vi milagres de cura na vida dos meus filhos pequenos, dois dos quais vivem com doenças invisíveis que exigem cuidados diários pelo resto desta vida.

Nossa família se alegra quando compartilhamos sobre o plano de felicidade. O rosto dos meus filhos se ilumina quando ouvem que, graças a Jesus Cristo, suas “aflições não durarão mais que um momento”. Amamos profundamente nossos filhos e sabemos que, um dia, assim como ensinou o presidente Jeffrey R. Holland, eles “se erguerão diante de nós glorificados e grandiosos, admiravelmente perfeitos em corpo e mente”. Nossos convênios nos aproximam de Deus a ponto de tornar possível o que parece impossível e substituir toda escuridão e dúvida por luz e paz.

Graças a Jesus Cristo, há esperança e razões bem fundamentadas para continuarmos amando, orando e apoiando aqueles com quem nos importamos.

Sei que Ele vive. Ele nos conhece e nos ama. Ele é o caminho, a verdade e a vida do mundo.

Que todos nós hoje possamos centralizar nossa vida em Jesus Cristo e Seus ensinamentos. Isso nos ajudará a não morder as iscas nos anzóis da tentação, da ofensa e da autopiedade. Permaneceremos como os templos — santos, firmes e constantes. Resistiremos às tempestades e chegaremos em casa, perseverando e nos regozijando até o fim. Em nome de Jesus Cristo, amém.