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Para ponderar: O tabernáculo e o sacrifício


“Para ponderar: O tabernáculo e o sacrifício”, Vem, e Segue-Me — Para Uso em Casa e na Igreja: Velho Testamento 2026

“O tabernáculo e o sacrifício”, Vem, e Segue-Me: Velho Testamento 2026

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Para ponderar

O tabernáculo e o sacrifício

Às vezes, ao lermos o Velho Testamento, encontramos longas passagens sobre coisas que eram claramente importantes para o Senhor, mas que parecem não ser tão relevantes para nós hoje. Êxodo 25–30; 35–40 e Levítico 1–9; 16–17 são alguns exemplos. Esses capítulos descrevem em detalhes o tabernáculo de Israel no deserto e os sacrifícios de animais que seriam realizados ali. O tabernáculo era um templo portátil, a habitação do Senhor entre Seu povo.

Nossos templos atuais compartilham semelhanças com o tabernáculo de Israel, mas certamente não correspondem à descrição em Êxodo. E não matamos animais em nossos templos — a Expiação do Salvador encerrou o sacrifício de animais há quase 2.000 anos. No entanto, apesar dessas diferenças, é de grande valor hoje ler sobre as formas de adoração da antiga Israel, especialmente se as virmos como o povo de Deus no Livro de Mórmon — como uma maneira de “fortalecer-lhes a fé em Cristo” (Alma 25:16). Quando entendemos o simbolismo do tabernáculo e do sacrifício de animais, podemos adquirir entendimento espiritual que também fortalecerá nossa fé em Cristo.

Israelitas levando um cordeiro ao tabernáculo

O Sacrifício de um Cordeiro, de Robert T. Barrett

O tabernáculo fortalece a fé em Jesus Cristo

Quando Deus ordenou a Moisés que construísse um tabernáculo no acampamento dos israelitas, Ele declarou que era Seu propósito “[habitar] no meio deles” (Êxodo 25:8). Dentro do tabernáculo, a presença de Deus era representada pela arca do testemunho — uma caixa de madeira, revestida de ouro, contendo o registro escrito do convênio de Deus com Seu povo. A arca era mantida na sala mais sagrada e interna, separada do restante do tabernáculo por um véu. Esse véu pode simbolizar nossa separação da presença de Deus por causa da Queda, bem como nosso caminho de volta a Ele — por meio do Salvador.

Além de Moisés, sabemos que apenas outra pessoa poderia entrar naquele “lugar santíssimo” (Êxodo 26:34) — o sumo sacerdote. Como os outros sacerdotes, ele primeiro tinha que ser lavado e ungido e vestido com as roupas sagradas que simbolizavam seu ofício. Uma vez por ano, em um dia chamado Dia da Expiação, o sumo sacerdote oferecia sacrifícios em nome do povo antes de entrar no tabernáculo sozinho. No véu, queimava incenso. A fumaça perfumada ascendendo ao céu representava as orações do povo subindo a Deus. Em seguida, o sumo sacerdote, carregando o sangue do sacrifício do animal, passava pelo véu e se aproximava do trono de Deus, simbolizado pela arca do testemunho.

Com base no que sabe a respeito de Jesus Cristo e de Seu papel no plano do Pai Celestial, você consegue ver como o tabernáculo nos direciona ao Salvador? Assim como o tabernáculo e a arca dentro dele representavam a presença de Deus entre Seu povo, Jesus Cristo era a presença de Deus entre Seu povo. Como o sumo sacerdote, Jesus Cristo é o Mediador entre nós e Deus, o Pai. Ele atravessou o véu para interceder por nós em virtude do sangue de Seu próprio sacrifício.

Alguns aspectos do tabernáculo de Israel podem parecer familiares, especialmente se você já foi ao templo para receber suas ordenanças. O templo é a Casa do Senhor — Sua habitação entre Seu povo. Semelhante ao lugar santíssimo do tabernáculo, a sala celestial do templo representa a presença de Deus. Para entrar, primeiro devemos ser lavados e ungidos. Vestimos roupas sagradas. Fazemos convênios. Oramos em um altar do qual as orações sobem a Deus. E, finalmente, passamos por um véu até a presença de Deus.

Talvez a semelhança mais importante entre os templos atuais e o tabernáculo antigo é que ambos, se entendidos corretamente, fortalecem nossa fé em Jesus Cristo e nos enchem de gratidão por Seu sacrifício expiatório. Deus deseja que todos os Seus filhos entrem em Sua presença; Ele quer “um reino de sacerdotes” e sacerdotisas (Êxodo 19:6). Mas nossos pecados nos impedem de obter essa bênção, pois “nada que é impuro pode habitar com Deus” (1 Néfi 10:21). Portanto, Deus, o Pai, enviou Jesus Cristo, nosso “sumo sacerdote dos bens futuros” (Hebreus 9:11). Ele abre o véu por nós e capacita todo o povo de Deus a vir “com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia” (Hebreus 4:16).

Hoje, o propósito dos templos é mais do que obter exaltação para nós mesmos. Depois de recebermos nossas próprias ordenanças e fazermos convênios com Deus, podemos nos colocar no lugar de nossos antepassados e receber ordenanças em nome deles. Em certo sentido, podemos nos tornar parecidos com o antigo sumo sacerdote — e o Grande Sumo Sacerdote —, abrindo o caminho para outros à presença de Deus.

O sacrifício fortalece a fé em Jesus Cristo

Os princípios de expiação e reconciliação são ensinados vigorosamente na antiga prática do sacrifício de animais, que existia muito antes da lei de Moisés. Adão e Eva ofereceram sacrifícios. Eles entenderam sua referência simbólica ao sacrifício do Salvador. E eles ensinaram isso a seus filhos.

O simbolismo do sacrifício de animais talvez fosse especialmente comovente no antigo Dia da Expiação de Israel (“Yom Kippur” em hebraico). A necessidade dessa cerimônia anual foi expressa em Levítico 16:30: “Porque naquele dia se fará expiação por vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados perante o Senhor”. Isso permitiu que a presença de Deus permanecesse entre o povo. Essa expiação era realizada por meio de várias cerimônias. Em uma delas, um bode era morto como oferta pelos pecados do povo, e o sumo sacerdote levava o sangue do bode ao lugar santíssimo. Posteriormente, o sumo sacerdote colocava as mãos sobre um bode vivo e confessava os pecados dos filhos de Israel — transferindo simbolicamente esses pecados para o bode. O bode era, então, expulso do acampamento de Israel.

Nesses rituais, os bodes simbolizavam Jesus Cristo, tomando o lugar das pessoas pecadoras. O pecado não deve ser permitido na presença de Deus. Mas, em vez de destruir ou expulsar os pecadores, Deus providenciou outra maneira — um bode seria morto ou expulso em seu lugar. “Assim, aquele bode levará sobre si todas as iniquidades deles” (Levítico 16:22).

Esses rituais demonstravam que Jesus Cristo e Sua Expiação eram a maneira que Deus providenciara para nos trazer de volta a Sua presença. O Salvador suportou “as nossas enfermidades, e as nossas dores”, sim, “a iniquidade de todos nós” (Isaías 53:4, 6). Ele ficou em nosso lugar, deu Sua vida para pagar a penalidade do pecado e depois venceu a morte por meio de Sua Ressurreição. O sacrifício de Jesus Cristo era o “grande e último sacrifício; sim, não um sacrifício de homem nem de animal”, mas “um sacrifício infinito e eterno” (Alma 34:10). Ele era o cumprimento de tudo para o que apontavam os antigos sacrifícios.

Jesus carregando a cruz

Por essa razão, depois que concluiu Seu sacrifício, Ele disse: “E vós não me oferecereis mais derramamento de sangue; (…) vossos sacrifícios e holocaustos cessarão (…). E oferecer-me-eis como sacrifício um coração quebrantado e um espírito contrito” (3 Néfi 9:19–20).

Então, quando encontrar escrituras no Velho Testamento sobre os sacrifícios e o tabernáculo (ou, mais tarde, o templo) — e você encontrará muitas delas —, lembre-se de que o objetivo principal de tudo é fortalecer sua fé no Messias, Jesus Cristo. Conecte o que você lê e aprende com sua adoração na casa Dele. Deixe que seu coração e sua mente se voltem a Ele. Pondere sobre o que Ele fez para trazê-lo de volta à presença de Deus — e o que você fará para segui-Lo.