2025
O milagre da atividade dos jovens
Liahona de outubro de 2025


Mensagem da Área

O milagre da atividade dos jovens

Tudo começou com um torneio de esportes organizado pela estaca Carapicuíba, no qual o amor pelo esporte se tornou ponte para algo muito maior: a conversão de corações.

Naquela época, a ala tinha apenas dois jovens ativos. Com o desejo de envolver mais rapazes, o bispo começou a usar o futebol como ferramenta de aproximação. Na primeira edição da atividade, após o bispo assumir seu chamado, três novos jovens se juntaram ao grupo. Com o tempo, mais cinco outros vieram, atraídos pelo entusiasmo dos treinos, dos amistosos e da convivência.

Os jogos aconteceram com outras alas e até com alunos do colégio onde o bispo lecionava. A intenção era clara: usar o futebol como meio de trazer os jovens para mais perto do Salvador. E funcionou. Um momento marcante foi quando a mãe de um deles, o Enzo, surpresa, comentou: “Futebol na igreja?”, ao que o próprio Enzo respondeu: “Como assim, mãe? Futebol na igreja!”. Era evidente que algo diferente e especial estava acontecendo.

A preparação para a Copa foi longa. Por quase um ano e meio, os treinos aconteceram na escola onde o bispo dava aulas, já que a ala não contava com uma quadra própria. Mesmo diante das limitações, a dedicação era constante.

No entanto, com o tempo, os jogos começaram a se tornar menos frequentes, e o contato com alguns jovens esfriou. Apenas Pedro continuava procurando o bispo, perguntando sobre o time, os Bulldogs de Carapicuíba, e querendo treinar. Com a aproximação da Copa de 2025, Pedro reacendeu o entusiasmo. Embora apenas três jovens membros estivessem ativos, outros dois haviam sido recentemente batizados:

Yuri e Iago.

Para participar da Copa, algumas metas foram estabelecidas: frequentar a igreja, participar do seminário e conhecer os missionários. Quando alguns jovens não cumpriram esses compromissos, o bispo Campos ficou decepcionado e pensou em substituí-los. Foi quando seu filho Caíque, com sabedoria, sugeriu: “Pai, por que você não ora sobre isso?”.

A oração trouxe a resposta. O bispo sentiu que deveria dar uma segunda chance, mas com regras claras. Durante a semana anterior à Copa, os jovens precisariam participar da noite familiar na casa da irmã Elizabeth, assistir a uma palestra com os missionários e comparecer à igreja. Alguns não conseguiram cumprir tudo, mas outros se esforçaram ao máximo.

Três novos jovens se aproximaram da igreja por meio de Kauã, que os convidou para participar da Copa. E eles ficaram. A amizade e o ambiente os acolheram de forma especial.

O time participou da Copa, mas não venceu. Ficaram em terceiro lugar no futebol masculine e surpreenderam com o Segundo lugar no vôlei. Apesar da derrota nos jogos, algo mais importante estava acontecendo: o coração daqueles jovens estava sendo tocado.

No domingo seguinte, os missionários élder Smith e élder Silva reuniram cerca de 12 jovens na sala do sumo conselho da estaca. Ali, com o espírito presente de forma poderosa, foi feito um convite batismal. O bispo também falou, e todos os jovens aceitaram. Começava ali uma semana intense de preparação.

Todas as noites, líderes e missionários encontravam os jovens. Eles visitaram o centro de visitantes, aprenderam sobre o plano de salvação, ouviram testemunhos sinceros e jogaram futebol com o bispo — que depois os levava para casa. Mas ainda havia um desafi o: os pais.

Cada conversa com as famílias foi guiada pelo Espírito. Havia dúvidas, resistências, mas também esperança. E, pouco a pouco, os corações se abriam. Os missionários falavam, o bispo testifi cava, e juntos, conseguiram. Na manhã do dia 27 de julho, um domingo, o jovem Daniel foi batizado. À noite do mesmo dia, outros sete estavam prontos. Um deles, Pedro — o que mais havia insistido em jogar — decidiu adiar seu batismo, ainda inseguro. Mas o espírito daquele dia foi doce, forte e marcante.

Na cerimônia, o foco era claro: os pais. Mostrar como a Igreja pode ajudar seus filhos a se tornar discípulos de Jesus Cristo, cidadãos melhores, jovens de valor.

O bispo não esconde: foi um trabalho intenso, com altos e baixos. Houve momentos em que sua própria fé vacilou. Mas ele continuou acreditando que milagres ainda acontecem. E aconteceram. No domingo seguinte, aqueles jovens receberiam o Sacerdócio Aarônico. Alguns se tornariam sacerdotes. Mais importante, estavam dando seus primeiros passos em direção a uma vida de discipulado.

Com gratidão e humildade, o bispo conclui: “Sou grato ao Senhor pela autoridade que Ele me deu e por ter sido instrumento em Suas mãos. Esses jovens são filhos Dele, e eu tenho um carinho especial por cada um deles. Sei que são preciosos aos olhos de Deus”.