Capítulo 33
Que igreja é essa?
Os santos do nordeste do México se regozijaram em 28 de abril de 2002, quando o presidente Hinckley dedicou uma Casa do Senhor em Monterrey, no estado de Nuevo León, México. Era o 110º templo em funcionamento da Igreja — e o 11º templo dedicado no México em três anos. Como o presidente Hinckley previra, os 58 templos dedicados depois que a Igreja começou a usar o novo projeto de construção de templos em 1998 espalharam bênçãos e milagres por toda parte. Os santos que antes viajavam vários dias para ir ao templo conseguiam chegar lá em questão de horas ou até minutos.
Alguns dos primeiros santos a se beneficiarem com a expansão da construção de templos estavam nas colônias mexicanas da Igreja, cujo isolamento havia inspirado o novo projeto do templo. Inaugurado em março de 1999, o Templo de Colonia Juárez Chihuahua tinha cerca de 630 metros quadrados — o menor da Igreja —, mas rapidamente se tornou um referencial na comunidade.
Bertha Chavez, que frequentava a Igreja em Nuevo Casas Grandes, nas proximidades, ficou encantada quando um conselheiro da presidência do templo a convidou para ser oficiante de ordenanças no novo templo. O sonho de Bertha era servir na Casa do Senhor desde que recebeu sua investidura no Templo de Mesa Arizona em 1987. Agora seu sonho tinha se tornado realidade.
“Foi uma grande e linda surpresa”, lembrou ela. “Comecei a pular de alegria, chorando de gratidão ao Senhor por me dar essa tremenda oportunidade de servir em Sua casa.”
Do outro lado do Atlântico, Marilena Kretly Pretel Busto viajou de sua casa em Portugal para o recém-dedicado Templo de Madri Espanha. No ano anterior, sua avó havia falecido aos 101 anos. Marilena estava ansiosa para receber as ordenanças em nome de sua avó.
Na Casa do Senhor, Marilena esperava sentir alguma coisa especial quando fosse batizada por sua avó, mas não sentiu nada. Ela também não sentiu nada durante as ordenanças de confirmação e investidura. No início, essa ausência de sensações deixou Marilena ansiosa. Porém, na hora em que se ajoelhou no altar da sala de selamento, pronta para que sua avó fosse selada a seus pais, ela estava feliz por ter feito o trabalho do templo.
Então o selador começou a falar, e Marilena sentiu como se um choque percorresse seu corpo. Ela não conseguia descrever exatamente o que sentia, mas tinha certeza de que sua avó estava muito feliz no mundo espiritual.
Enquanto isso, na Bolívia, grande parte dos 100 mil santos do país havia se preparado para frequentar o Templo de Cochabamba após a dedicação em abril de 2000. Como acreditava que famílias fortes preparavam os membros da Igreja para frequentar o templo, a presidente da Sociedade de Socorro de uma estaca em Cochabamba, María Mercau de Aquino, organizou uma reunião com o objetivo de fortalecer o casamento e dar às mulheres um entendimento maior de seu valor.
Na mesma estaca, Antonio e Gloria Ayaviri conseguiam ver como o novo templo estava fortalecendo sua família. “Criar nossos filhos é muito mais fácil agora que temos o evangelho e as bênçãos do templo em nossa vida”, testificou Antonio. “Em nosso lar, temos um pedaço do céu.”
A Casa do Senhor em Fukuoka, no Japão, também estava transformando vidas. Mais de 30 anos se passaram desde que Kazuhiko Yamashita, o presidente da Estaca Fukuoka, havia se filiado à Igreja logo depois de assistir ao filme O Homem em Busca da Felicidade na feira mundial em Osaka, Japão. A fé no plano de salvação continuava a orientá-lo. Ele e sua esposa, Tazuko, foram selados no Templo de Tóquio em 1980 e tinham seis filhos.
O Templo de Fukuoka era agora o coração da Igreja no sul do Japão. Durante a visitação pública, Kazuhiko ficou satisfeito ao ver que muitos santos haviam se entusiasmado e convidaram seus familiares e amigos para conhecer a Casa do Senhor. Inúmeros santos que haviam se afastado do rebanho também retornaram, com a fé reavivada pela inegável influência do templo. Durante a dedicação, sentado na sala celestial, Kazuhiko se sentiu perfeitamente em paz. Ele tinha uma forte sensação de que o Senhor estava lá e que amava os santos no Japão. Quando olhou para o presidente Hinckley, Kazuhiko viu que o profeta estava com lágrimas nos olhos.
O novo templo em Monterrey, no México, logo proporcionou bênçãos. Román e Norma Rodríguez se filiaram à Igreja depois de participarem da visitação pública do templo. Naquela época, eles estavam pensando em comemorar seus 15 anos de casamento e renovar os votos em uma cerimônia luxuosa. Mas alguma coisa nesse plano não estava dando certo, e Norma orou a Deus pedindo orientação.
No ano seguinte, ela e Román retornaram ao Templo Monterrey com seus três filhos. Eles não desejavam mais um casamento extravagante. Nas belas e eternas promessas do poder selador, eles descobriram a cerimônia de casamento que sempre quiseram.
Quando Anne Pingree foi chamada para ser segunda conselheira na presidência geral da Sociedade de Socorro em abril de 2002, ela estava preocupada com a alfabetização das mulheres santos dos últimos dias. De 1995 a 1998, ela e seu marido, George, foram líderes de missão na Missão Nigéria Port Harcourt. Muitas mulheres que ela conheceu naquela época não sabiam ler, por isso era difícil para elas servir na Igreja.
À medida que a Igreja crescia nas nações em desenvolvimento durante as décadas de 1970 e 1980, ensinar as pessoas a ler passou a fazer parte da missão. Em 1992, a presidente geral da Sociedade de Socorro, Elaine L. Jack, fez da alfabetização um dos principais objetivos de sua presidência. Isso levou à criação do Esforço de Alfabetização do Evangelho, com o objetivo de ensinar a ler e incentivar os membros da Igreja a estudarem as escrituras, instruírem a família e se aperfeiçoarem.
Anne havia servido na diretoria da presidente Jack antes de sua missão e, quando chegou à Nigéria, trabalhou com missionários e santos locais para promover a alfabetização no evangelho. A junta geral da Sociedade de Socorro e um artista de Utah também a ajudaram a criar alguns cartazes e cartilhas simples de treinamento para atender às mulheres da missão que tinham dificuldades de leitura. A utilização desse material possibilitou que ela visse um número cada vez maior de mulheres cumprindo seus chamados com confiança e entendimento.
Durante seu primeiro ano na presidência geral da Sociedade de Socorro, Anne foi designada para liderar os projetos de alfabetização da organização. Alguns estudos revelaram que as mulheres nos países em desenvolvimento tinham menos acesso à educação do que os homens, resultando em taxas de alfabetização mais baixas. As evidências também sugeriam que os santos tinham maior probabilidade de permanecer na Igreja e participar das reuniões regularmente quando sabiam ler. Além de Anne, Bonnie D. Parkin, presidente geral da Sociedade de Socorro, e Kathleen Hughes, primeira conselheira, acreditavam que ajudar as irmãs da Sociedade de Socorro a aprender a ler as capacitaria a servirem eficazmente na Igreja, fortaleceria a família, elas conseguiriam empregos melhores e ainda ganhariam um firme testemunho de Jesus Cristo.
Sob o comando da presidente Parkin, a junta da Sociedade de Socorro continuou a priorizar o Esforço de Alfabetização do Evangelho. Além disso, encorajaram os santos a usar o Tereis Minhas Palavras, um manual de alfabetização desenvolvido inicialmente pelo Sistema Educacional da Igreja. Assim como Anne, elas entenderam que muitos membros da Igreja, não por culpa própria, tinham dificuldades em seus chamados porque não conseguiam ler ou entender os muitos manuais e lições da Igreja.
Enquanto a presidência discutia esses problemas, Anne falou sobre as cartilhas de treinamento simplificadas, como aquelas que ela usou na Nigéria, que poderiam ser usadas em todo o mundo A presidente Parkin achava que a junta geral da Sociedade de Socorro deveria desenvolver cartilhas semelhantes para ajudar os membros em áreas com baixo índice de alfabetização.
Para ajudar nesse trabalho, a junta geral recomendou Florence Chukwurah, uma santo dos últimos dias que Anne conheceu na Nigéria, para servir com elas. Florence estava visitando Salt Lake City enquanto seu marido, Christopher N. Chukwurah, setenta autoridade de área, recebia treinamento na sede da Igreja. Enfermeira por profissão, Florence havia sido criada em condições de pobreza e entendia como era viver em um lugar onde a Igreja estava começando.
A Primeira Presidência aprovou a recomendação, e a presidente Parkin designou Florence para trabalhar com o comitê de alfabetização. Em pouco tempo, ela estava trabalhando com outros membros da junta para desenvolver cartilhas de treinamento mais simples.
Anne estava muito feliz em ver o progresso do trabalho de alfabetização. “Tudo está acontecendo muito rápido”, pensou ela. “Quase não consigo acreditar.”
De volta às Filipinas, Seb Sollesta estava grato por estar em casa novamente. Sua ausência havia prejudicado muito sua esposa, Maridan, e seus três filhos. Agora a família passava todos os dias juntos, e Seb se sentia abençoado. Ele podia conversar com os filhos pessoalmente, incentivá-los a serem ativos na Igreja e ajudá-los a se prepararem para a missão.
Quando Seb retornou, Maridan servia como coordenadora de assuntos públicos da Igreja para as estacas da cidade de Iloilo. Em seu chamado, ela ajudava líderes comunitários e governamentais a aprenderem sobre a Igreja. Ela também colocou a Igreja em contato com grupos religiosos e de serviços sociais para prestar assistência em exames oftalmológicos, doações de sangue e outros projetos. Enquanto isso, Seb tornou-se sumo conselheiro da Estaca Iloilo Norte.
Naquela época, a Primeira Presidência continuava preocupada com os santos em áreas com baixo índice de frequência à Igreja. As Filipinas tinham quase 500 mil santos, mas apenas cerca de 20 por cento deles frequentavam as reuniões regularmente. Diante dessa preocupação, o presidente Hinckley chamou o élder Dallin H. Oaks para servir como presidente da Área Filipinas e o élder Jeffrey R. Holland para servir como presidente da Área Chile, que enfrentava desafios semelhantes. Os dois apóstolos começaram a servir em agosto de 2002 com o plano de ocupar esses chamados durante um ano.
Nas Filipinas, o élder Oaks e seus conselheiros se reuniam regularmente com líderes de estaca, de missão e de área. Durante uma reunião de treinamento especial em Manila, o élder Oaks falou sobre a importância de adotar uma “cultura do evangelho” com base no plano de salvação, nos mandamentos de Deus e nos ensinamentos dos profetas modernos. Ele observou que os elementos da cultura do evangelho eram encontrados nas culturas locais em todos os lugares. No entanto, também havia aspectos de tais culturas que não estavam em harmonia com os ensinamentos de Jesus Cristo.
“Os convênios que fazemos no batismo exigem que mudemos nossa vida”, ensinou ele. “Precisamos mudar todos os elementos de nossas práticas ou comportamentos culturais existentes que estiverem em conflito com os mandamentos, os convênios e a cultura do evangelho.”
O élder Oaks enfatizou que a cultura do evangelho fortalece as famílias e os indivíduos ao promover a castidade, o casamento no templo, a honestidade, a autossuficiência e a parceria igualitária no casamento. Ele pediu aos líderes que fizessem do ensino da doutrina do Salvador e da edificação da fé Nele sua maior prioridade entre os santos. Ele também os aconselhou a fortalecer suas alas, conciliando o trabalho missionário com um maior esforço de reativação e realizando atividades regulares para os jovens.
Após o treinamento, Seb e outros líderes da Estaca Iloilo Norte pediram aos bispados das alas que identificassem famílias que pudessem ser trazidas de volta ao rebanho. Eles acreditavam que, se o pai e a mãe voltassem para a Igreja, provavelmente trariam também os filhos. Os filhos se tornariam futuros missionários e líderes da Igreja.
Seb, que era pai de adolescentes, estava particularmente preocupado com os jovens. A baixa atividade nos quóruns do Sacerdócio Aarônico e nas classes das Moças era um grande problema em sua área. Menos de 10 por cento das alas e ramos nas Filipinas tinham todos os três quóruns do Sacerdócio Aarônico funcionando. E a maioria das unidades não tinha atividades no meio da semana para os jovens.
A Estaca Iloilo Norte resolveu esse problema incentivando as alas a realizarem aulas regulares para os jovens mesmo que tivessem apenas um ou dois membros. Com as classes e os quóruns em funcionamento, por menores que fossem, os rapazes e moças podiam convidar seus amigos para as reuniões dominicais e atividades durante a semana.
Seb acreditava que os jovens precisavam participar das atividades da Igreja, nas quais poderiam fazer amizades e seguir bons exemplos. Quando os líderes locais expressavam preocupação por não terem orçamento suficiente para pagar o custo das atividades, Seb e outros líderes de estaca diziam para eles seguirem em frente e planejarem as atividades. Se eles precisassem de recursos adicionais, a estaca poderia provê-los.
Enquanto Seb servia aos santos em sua estaca, aplicando o que aprendeu com o élder Oaks, ele refletia sobre suas próprias responsabilidades na Igreja e no lar. Quando falava sobre a cultura do evangelho, o élder Oaks aconselhava os santos filipinos a não deixarem suas famílias por muito tempo para trabalhar, como Seb havia feito. Algumas pessoas nas Filipinas não tinham muitas opções além do trabalho no exterior, mas Seb sabia que ele e sua família poderiam viver felizes e ganhar seu sustento na cidade de Iloilo.
E, para ele, nenhum ganho material poderia compensar o tempo que passou longe de sua família.
Em abril de 2003, Blake McKeown, então com 14 anos, chegou à sede de estaca em Baulkham Hills, um subúrbio de Sydney, na Austrália, com seu irmão de 17 anos, Wade. Normalmente, a sede da estaca era um lugar calmo e tranquilo. Mas, naquele dia, uma grande tenda havia sido montada no estacionamento, e o local estava repleto de jovens de todas as estacas de New South Wales. Eles vieram para participar da conferência Especialmente para Jovens — agora conhecida na Austrália como Time for Youth [Tempo para os Jovens].
Após o sucesso da conferência Especialmente para Jovens em Brisbane, a presidência da área incentivou as estacas da Austrália e da Nova Zelândia a organizarem seus próprios eventos. Em 2002, Mary McKenna e seu comitê organizaram uma conferência em Brisbane e, em 2003, outra na Nova Zelândia. A conferência em Baulkham Hills foi a primeira realizada na Austrália fora de Brisbane.
Embora Blake tivesse sido criado na Igreja, ele nunca tinha visto tantos jovens santos dos últimos dias em um só lugar. Ele e Wade eram de Penrith, que ficava a cerca de 45 minutos de carro da sede da estaca de Baulkham Hills. Eles tinham um grupo de jovens muito forte em sua ala, mas os santos dos últimos dias representavam menos de 1 por cento da população da Austrália, de modo que as atividades dos jovens — mesmo a nível de estaca — raramente tinham a participação de algo mais do que algumas dezenas de pessoas. Na escola de Blake, havia apenas dois membros da Igreja, além dele e de seu irmão.
Depois que a conferência começou, ele e Wade raramente se viam. Seguindo o modelo da conferência Especialmente para Jovens, todos os participantes do evento se dividiram em pequenos grupos liderados por um conselheiro jovem adulto solteiro. Nos grupos, os jovens participavam de várias atividades em rodízio. Eles também participavam de projetos de serviço, ouviam devocionais e palestras, aprendiam músicas, estudavam as escrituras, torciam pelos outros em um show de talentos e participavam de um baile.
O tema da conferência foi “Cremos”, com foco no estudo do curso do seminário daquele ano, Doutrina e Convênios. Os palestrantes e conselheiros compartilhavam experiências espirituais com base no tema e incentivavam os participantes a se achegarem a Cristo, orarem, manterem um diário e viverem de acordo com os outros princípios fundamentais do evangelho. As reuniões de testemunho também deram aos jovens a oportunidade de compartilhar seu testemunho do Salvador e de Seu evangelho restaurado com seus colegas.
Na igreja, Blake costumava ficar inquieto nas reuniões, mas chegou à conferência com uma base sólida de fé transmitida por seus pais. Ele e Wade eram a terceira geração de santos dos últimos dias, e seus pais e avós sempre foram grandes exemplos de fé e serviço.
O programa dos Rapazes também o fortaleceu. Como diácono, Blake havia sido chamado como presidente do quórum. Seu bispo pediu que ele escolhesse dois conselheiros e um secretário entre os outros 11 rapazes de seu quórum. Depois de orar pedindo orientação, Blake retornou ao bispo na semana seguinte com três nomes. O bispo mostrou para Blake a própria lista, que continha os nomes dos mesmos três rapazes. Ele havia colocado os nomes em uma ordem diferente, mas ajustou sua lista para ficar igual à de Blake. A experiência tinha dado a Blake confiança na oração e em sua capacidade de liderar.
Blake não era muito extrovertido, mas gostava de fazer novos amigos de outras alas e estacas na conferência. No final do dia, ele e Wade voltavam para casa a fim de descansar e retornavam cedo na manhã seguinte.
Eles não perceberam como os três dias da conferência os afetaram, mas a mãe deles percebeu algumas mudanças. Além da diversão e dos jogos, a conferência proporcionou aos jovens a oportunidade de sentir o Espírito em um novo ambiente. Quando Blake e Wade voltaram, eles passaram a prestar mais atenção às escrituras e estavam um pouco mais confiantes em seu testemunho.
Na tarde de 10 de janeiro de 2004, Georges A. Bonnet estava reunido com o presidente Hinckley, o élder Russell M. Nelson e milhares de santos da África Ocidental em um estádio esportivo em Acra, Gana. O profeta fora à cidade para dedicar o novo templo. Mas, antes da dedicação, ele pediu às crianças e aos jovens das estacas e distritos de Gana que celebrassem essa ocasião com um evento cultural com músicas e danças alegres. Ele acreditava que promover essas celebrações nas dedicações de templos ajudaria os jovens a terem lembranças inesquecíveis e a se empolgarem com a Igreja.
Após uma oração de abertura, grupos vestidos com roupas coloridas se apresentaram em um grande palco adornado com belos murais. Alguns artistas cantaram músicas. Outros apresentaram danças típicas de Gana, como a adowa e a kpanlogo, ou tocaram músicas tradicionais em tambores e flautas de bambu.
Um destaque daquela tarde foi quando os missionários subiram ao palco e cantaram o hino missionário “Chamados a servir”. Oitocentas e cinquenta crianças da Primária, todas vestidas de branco, também subiram ao palco e cantaram “Sou um filho de Deus” com os missionários.
Na manhã seguinte, Georges acordou sentindo-se grato. O dia da dedicação finalmente havia chegado. Às 9 horas, ele se juntou ao presidente Hinckley e ao élder Nelson na sala celestial para a primeira sessão dedicatória. O evento começou com a cerimônia de assentamento da pedra angular conduzida pelo presidente Hinckley. Depois disso, o presidente e a diretora do templo falaram, seguidos pelo élder Nelson e pelo élder Emmanuel Kissi, agora setenta autoridade de área, que liderou os santos ganenses durante o período de congelamento.
Em seu discurso, o élder Kissi prestou homenagem a Joseph William Billy Johnson, que estava na congregação. Ele também falou de alguns dos primeiros santos que possibilitaram o rápido crescimento da Igreja em Gana.
“Nossos sonhos se tornaram realidade”, disse ele.
Perto do final da sessão, o presidente Hinckley falou humildemente sobre a ajuda do Senhor na construção do templo. “O Senhor ouviu nossas orações”, ele testificou. “Ele ouviu suas orações. Ele ouviu as orações de muitas pessoas, e o templo agora está terminado.”
O profeta então dedicou o edifício. “Agradecemos a Ti pela irmandade que existe entre nós, que nem a cor da pele nem o local de nascimento podem nos diferenciar como Teus filhos e filhas que assumiram convênios sagrados e obrigatórios”, ele orou. “Que Tua obra se expanda nesta terra e nas nações vizinhas.”
Mais tarde, naquele mesmo dia, durante a terceira sessão dedicatória, o presidente Hinckley chamou Georges para conversar. Surpreso, Georges se aproximou do púlpito. “Quero que você saiba que nosso Deus é um Deus de milagres”, ele testificou. “Os milagres acontecem graças à fé, e muitos, muitos exerceram sua fé por meio da oração e de outras formas de adoração para que esse grande dia acontecesse.”
“Acredito que ter um templo dedicado na África Ocidental pode ser um dos eventos mais importantes desde a Expiação de Jesus Cristo e a restauração de todas as coisas”, continuou ele. “Há milhões de africanos que já faleceram e que estão se alegrando conosco hoje.”
Após a dedicação, Georges se juntou ao presidente Hinckley, ao élder Nelson, ao élder Kissi e a outros para visitar John Kufuor, sucessor de Jerry Rawlings como presidente de Gana. Desde que assumiu o cargo no início de 2001, o presidente Kufuor e seu governo foram prestativos e solidários durante a construção do templo. Em 2002, ele visitou a Primeira Presidência em Salt Lake City para aprender mais sobre a Igreja e agradecer aos santos dos últimos dias por suas contribuições humanitárias e religiosas para Gana. Ele também participou da visitação pública do novo templo em Acra e fez um tour pelo edifício. O que ele viu o deixou impressionado.
“Sua igreja”, disse ele então ao presidente Hinckley, “ganhou a cidadania em Gana”.
Em junho de 2004, Angela Peterson esperava no carro para fazer uma inspeção de segurança e controle de emissões perto de Washington, D.C. Vários carros estavam à sua frente, a fila contornava o estacionamento. Isso vai demorar um pouco, ela pensou.
Em vez de deixar o motor engatado, ela desligou o carro e abriu as janelas para aproveitar a brisa da tarde de verão. Enquanto esperava, ela pegou um exemplar de “A Família: Proclamação ao Mundo” que trouxera com ela. Algumas semanas antes, o presidente da estaca convidara os membros de sua ala de jovens adultos solteiros a memorizar a proclamação, prometendo que, se fizessem isso, receberiam bênçãos. Angela acreditou na promessa e, por isso, estava se esforçando para memorizar o documento.
Desde o anúncio da proclamação sobre a família na reunião geral da Sociedade de Socorro de setembro de 1995, há nove anos, ela se tornara fundamental para a mensagem da Igreja sobre a família. Os pais organizavam o lar em torno desses princípios, membros da Igreja a emolduravam e penduravam na parede, e a Universidade Brigham Young oferecia um curso inteiro sobre esse texto de apenas uma página. Angela era adolescente quando o presidente Hinckley apresentou a proclamação, e ela não tinha certeza se já a lera antes do convite do presidente da estaca.
Depois de terminar o ensino médio, Angela se mudou de sua pequena cidade natal, Stirling, em Alberta, no Canadá, para cursar a universidade em Logan, Utah. Após a formatura, ela fez um estágio no Departamento de Assuntos Públicos da Igreja em Salt Lake City antes de conseguir um cargo de tempo integral no Departamento de Assuntos Internacionais e Governamentais da Igreja em Washington, D.C. As ruas da capital, repletas de museus, monumentos e prédios do governo, eram muito diferentes das estradas empoeiradas de sua juventude.
Quando Angela chegou ao início da fila, ficou em uma sala de espera enquanto o mecânico verificava seu carro. A inspeção demorou mais do que ela esperava, e ela começou a ficar preocupada ao perceber que outros clientes entravam e saíam enquanto ela continuava esperando. Será que havia algo errado com o carro dela? Quanto custaria o conserto?
Finalmente, depois do que pareciam horas, o mecânico apareceu e disse que o carro havia passado na inspeção.
Aliviada, Angela pagou e saiu do prédio, ainda sem entender por que tanta demora. Quando chegou ao carro, encontrou o mecânico esperando por ela.
“Senhorita”, disse ele, “queria pedir desculpas por ter demorado tanto na revisão de seu automóvel”.
Ele disse a Angela que a cópia da proclamação da família que estava no banco do passageiro chamou a atenção dele. Ele havia lido o texto várias vezes, comovido com sua mensagem sobre as famílias.
“Que igreja é essa? Que documento sobre a família é esse? Como posso conseguir um exemplar?”, perguntou ele. “Está escrito que é de autoria de apóstolos. Está querendo dizer que há apóstolos na Terra hoje como no tempo de Jesus? Por favor, preciso saber.”
Atordoada, Angela organizou as ideias. “Há apóstolos e profetas na Terra, assim como na época de Jesus Cristo”, ela lhe disse, explicando brevemente sobre Joseph Smith e a Restauração do evangelho. Ela entregou para ele sua cópia da proclamação da família e um Livro de Mórmon.
Ele então lhe deu seu nome e número de telefone para que ela compartilhasse com os missionários. Enquanto voltava da oficina para casa, Angela não conteve as lágrimas, agradecida por ter deixado a proclamação no banco do carona.