“Presidente Russell M. Nelson: Profeta e apóstolo”, Liahona, novembro de 2025.
In Memoriam
Presidente Russell M. Nelson: Profeta e apóstolo
“Testifico que Deus é nosso Pai. Jesus é o Cristo. Sua Igreja foi restaurada na Terra. Suas verdades, convênios e ordenanças nos permitem vencer o temor e encarar o futuro com fé!”
Em 1979, o doutor Russell M. Nelson, cirurgião cardiotorácico e presidente geral da Escola Dominical de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, foi a uma reunião em que o presidente Spencer W. Kimball (1895–1985) solicitou aos presentes que se esforçassem mais para levar o evangelho a todas as nações, especialmente à China. “Precisamos aprender o idioma deles. Temos que orar por eles e ajudá-los”, incentivou o presidente Kimball.
O doutor Nelson aceitou o desafio. Pouco tempo depois, ele e sua esposa Dantzel começaram a estudar mandarim. Se aparecesse uma oportunidade de fazer algo mais, ele queria estar preparado.
Uma oportunidade surgiu naquele mesmo ano. Em uma reunião a trabalho, o doutor Nelson conheceu um proeminente cirurgião chinês. Por causa de suas aulas de mandarim, o doutor Nelson conseguiu iniciar uma conversa em chinês. Os dois homens se deram bem, e o doutor Nelson convidou o médico chinês para visitar Utah. Em troca, o doutor Nelson foi convidado a visitar a China como professor honorário de cirurgia.
O doutor Nelson foi à China muitas vezes. Ele foi inclusive convidado a operar um famoso cantor de ópera chinês. As pessoas que ele conheceu não somente respeitavam sua especialidade médica, mas também apreciavam o fato de ele se comunicar em chinês. Seu relacionamento com os chineses foi muito útil para criar um bom vínculo entre a Igreja e a China. E tudo isso foi possível porque ele aceitou o desafio do profeta.
Ao falar sobre o desafio do presidente Kimball, o presidente Nelson disse: “Eu não o ouvi dizer: ‘Todos, com exceção do irmão Nelson, devem fazer essas coisas’. Então, acreditei nele. Eu me empenhei, e Dantzel também, para aprendermos mandarim”. Ele prosseguiu com firmeza, confiando nas palavras do profeta.
Essa disposição para obedecer foi uma característica importante da vida do presidente Nelson. Ele sabia que, ao seguir a orientação divina, as bênçãos sempre viriam, mesmo que essas bênçãos não fossem vistas senão depois de muitos anos.
O jovem Russell Nelson (no centro, à frente) com seus pais e irmãos.
Fiel desde muito jovem
Russell Marion Nelson nasceu em Salt Lake City, Utah, EUA, no dia 9 de setembro de 1924, filho de Marion C. Nelson e Edna Anderson Nelson. O presidente Nelson afirmou o seguinte a respeito de seus pais: “Eles fizeram do amor a principal influência em casa. (…) Nós líamos, cantávamos, brincávamos e trabalhávamos juntos”.
O lar da família Nelson era um local de amor, felicidade e apoio. Adquirir instrução era um assunto muito importante para Marion e Edna. O presidente Nelson disse: “Eles estavam dispostos a fazer qualquer sacrifício necessário para ajudar os filhos a alcançarem o que desejavam ser na vida. (…) Sem o incentivo deles e a absoluta certeza que eles tinham da importância da educação e do serviço, minha vida jamais teria sido o que é hoje”.
Embora os pais de Russell o apoiassem nas atividades da Igreja, eles eram mais ativos na comunidade do que na Igreja. O jovem Russell temia que sua família jamais fosse selada no templo. Contudo, ele tinha confiança de que o Senhor responderia suas orações por sua família. E, após muitos anos, elas foram respondidas. Em 26 de março de 1977, Marion, Edna e os filhos foram selados no Templo de Provo Utah. O presidente Nelson disse que esse foi o maior presente que seus pais deram à família.
Preparação antecipada
Quando Russell ainda era jovem, decidiu estudar medicina. Ele queria pesquisar o desconhecido e servir às pessoas. Ao relembrar essa decisão, ele disse: “Eu achava que a melhor carreira que um ser humano poderia ter era a de ser mãe. (…) A segunda era a de médico. Assim, eu poderia ajudar as pessoas todos os dias e ensiná-las”.
Depois de terminar o ensino médio, em 1941, Russell começou a fazer um curso preparatório para medicina na Universidade de Utah. Devido ao clima de incertezas causado pela Segunda Guerra Mundial, Russell fez quatro anos de estudos em três. Os estudos o mantinham muito ocupado, mas ele ainda conseguia arranjar tempo para participar de peças de teatro e outros eventos sociais. Foi em uma dessas peças de teatro que ele conheceu a moça que se tornaria sua esposa. Quando ele viu Dantzel White pela primeira vez, ensaiando no palco, perguntou: “Quem é aquela moça linda cantando lá?”
Russell M. Nelson e sua esposa Dantzel na Universidade de Utah em 1942.
Em 31 de agosto de 1945, Russell e Dantzel se casaram no Templo de Salt Lake. “Com certeza, foi a coisa mais importante que já fiz em toda a minha vida”, disse Russell em 1982. “Ela me deu companheirismo, dez lindos filhos e todas aquelas coisas maravilhosas e intangíveis que uma mulher oferece ao marido para ajudá-lo em suas conquistas e para que ele não seja egoísta.”
Na época em que recebeu a graduação no bacharelado, em junho de 1945, Russell já estava indo bem em seu primeiro ano na escola de medicina e completou o curso de quatro anos em três anos. Em agosto de 1947, aos 22 anos, ele se formou em medicina com as mais elevadas honras.
Russell M. Nelson se formou em medicina pela Universidade de Utah em agosto de 1947.
Obediência às leis divinas
Após se formar na escola de medicina, o doutor Nelson e Dantzel se mudaram para Minnesota, EUA, onde ele participou de uma equipe de pesquisa para desenvolver uma máquina de coração e pulmões artificiais. A própria equipe projetou e montou cada parte da máquina.
Durante sua pesquisa, o doutor Nelson foi incentivado por seu entendimento a respeito da obediência à lei divina. Ele sabia que “a todos os reinos se deu uma lei” (Doutrina e Convênios 88:36) e que isso incluía “até a bênção do batimento cardíaco”. Se a equipe entendesse essas leis, poderia usá-las para abençoar os enfermos.
“Para mim, isso significava que, se trabalhássemos, estudássemos e fizéssemos as perguntas adequadas em nossos experimentos científicos, aprenderíamos as leis que governam o batimento cardíaco. Depois de aprendermos algumas dessas leis, vimos que poderíamos parar o batimento cardíaco, realizar reparos delicados nas válvulas ou vasos danificados e depois deixar o coração bater novamente.”
Pioneiro e líder
Após seu trabalho na máquina coração-pulmão, o doutor Nelson continuou pesquisando maneiras de melhorar a cirurgia de peito aberto. Em 1955, ele realizou a primeira cirurgia bem-sucedida de peito aberto usando uma máquina de coração-pulmão, em Utah.
Apesar do sucesso, a cirurgia de peito aberto ainda era terreno desconhecido. O doutor Nelson soube que uma família havia perdido o primeiro filho devido a uma doença cardíaca congênita. Agora essa família tinha uma filha com a mesma condição. A situação era grave, mas ele prometeu fazer de tudo por ela. Infelizmente, depois da operação, a criança morreu. Depois de um tempo, outra filha da mesma família foi trazida a ele, também nascida com uma malformação cardíaca. Ele fez novamente uma cirurgia, mas essa menina também morreu. O doutor Nelson ficou arrasado com o sofrimento. Ele prometeu a si mesmo que jamais faria outra cirurgia de coração.
Embora tivesse compartilhado da tristeza com ele, Dantzel lhe disse sabiamente que, se ele desistisse, outra pessoa teria que aprender o que ele já sabia. “Não é melhor continuar tentando em vez de desistir agora e fazer com que outras pessoas passem pela mesma tristeza para aprender o que você já sabe?”
O doutor Nelson, então, voltou ao laboratório e à mesa de operações e trabalhou com ainda mais empenho do que antes. No final, tornou-se um dos principais cirurgiões cardíacos do país. Só no ano de 1983 — um ano antes de ser chamado como apóstolo — ele realizou 360 cirurgias.
O doutor Nelson dedicou seus talentos à pesquisa, ao ensino e às cirurgias. Atuou em muitos cargos profissionais de influência, tanto local quanto internacionalmente. Ele recebeu certificações da Junta Americana de Cirurgia e da Junta Americana de Cirurgia Torácica e depois trabalhou por seis anos na Junta Americana de Cirurgia Torácica. O doutor Nelson foi presidente da Associação de Diretores de Cirurgia Torácica, da Sociedade de Cirurgia Vascular e da Associação Médica do Estado de Utah. Trabalhou também como diretor da Junta Americana de Cirurgia Torácica.
No LDS Hospital, serviu como presidente da Divisão de Cirurgia Torácica e vice-presidente da junta de diretores. Recebeu muitas homenagens, inclusive uma “Condecoração por Serviços Internacionais” da Associação Americana de Cardiologia e uma “Placa de Ouro” da Academia Americana de Realizações. Foi condecorado como professor honorário em três universidades na República Popular da China.
A família Nelson em 1982.
Amor no lar
Com o passar do tempo, a família Nelson foi crescendo, e o casal teve nove filhas e um filho. Tendo uma agenda bastante ocupada e muitas responsabilidades, Russell não podia estar sempre em casa. Mas sua esposa Dantzel comentou o seguinte sobre ele: “Quando ele estava em casa, estava mesmo!” A família nunca questionou o amor de Russell por eles.
O lar da família Nelson era um local cheio de música, riso e serviço. Eles sempre estudavam as escrituras e faziam noites familiares juntos. Costumavam viajar em família e assistir a jogos juntos.
Russell e Dantzel criaram sua família com amor e paciência. Em algumas ocasiões esporádicas, Russell chamava atenção das filhas do alto da escada e dizia: “Vocês poderiam falar mais baixo, por favor? Há pessoas cuja vida depende da boa noite de sono do pai de vocês!”
Como ele tinha que viajar muitas vezes devido a reuniões médicas, com frequência levava um membro da família com ele, para ter certeza de que conseguiria ficar perto de todos os filhos. Um líder da Igreja, certa vez, disse-lhe que isso era um “sábio investimento”. Como o presidente Nelson afirmou: “Recebi muitos títulos em minha vida, incluindo o de médico, capitão, professor e élder. Mas os títulos que mais reverencio são os de marido, pai e avô”.
À medida que os filhos foram crescendo e saindo de casa, eles encontraram meios de ficar sempre próximos. Deram início ao Nelson News, um jornal mensal em que cada membro da família escrevia um artigo, e que continha um calendário com os acontecimentos importantes. E todos os meses eles faziam um jantar e uma festa em família para comemorar todos os aniversários do mês. Os que não podiam comparecer sabiam que sempre eram lembrados.
Fé para servir
Apesar de sua agenda exigir muito de seu tempo como cirurgião altamente conceituado, o doutor Nelson colocou sua família e o serviço na Igreja em primeiro lugar. Antes de ser chamado como apóstolo, foi presidente de estaca, representante regional e presidente geral da Escola Dominical.
O presidente Harold B. Lee (à esquerda) e o presidente N. Eldon Tanner (à direita), da Primeira Presidência, com a nova presidência geral da Escola Dominical — o presidente Russell M. Nelson (ao centro) com os conselheiros Joseph B. Wirthlin e Richard L. Warner — e respectivas famílias.
Quando o élder Spencer W. Kimball (1895–1985) chamou e designou o doutor Nelson para ser presidente de estaca em 1964, ele disse brincando: “Todos os que entrevistamos por aqui disseram que você seria uma boa escolha, mas que não teria tempo. Você tem tempo?”
“Não sei se tenho tempo”, respondeu ele, “mas tenho fé!”
Russell confidenciou ao élder Kimball que uma das maiores dificuldades que ele sentia era a de realizar cirurgias para substituir válvulas aórticas. O índice de mortalidade para essa cirurgia era alto, e cada paciente precisava de muitas horas, até dias de cuidados específicos.
“Na bênção que pronunciou sobre minha cabeça naquele dia”, relembrou o presidente Nelson, “ele me abençoou de modo específico para que nossa taxa de mortalidade particularmente em relação à cirurgia de válvula aórtica fosse reduzida, e para que o procedimento não consumisse mais meu tempo e energia como havia acontecido no passado. No ano seguinte, as exigências de tempo para a operação realmente diminuíram, e tive o tempo necessário para servir naquele e em outros chamados. Na realidade, nossa taxa de mortalidade baixou ao ponto em que está hoje — um limite tolerável, muito baixo e aceitável. E o mais interessante é que essa foi a operação que fiz no presidente Kimball oito anos depois”.
O coração de um profeta
Quando o presidente Kimball servia como presidente em exercício do Quórum dos Doze Apóstolos, ele teve sérios problemas de coração e sabia que poderia morrer. Em 1972, o presidente Kimball e a Primeira Presidência fizeram uma reunião com o doutor Nelson para pedir conselhos médicos. Devido à idade avançada do presidente Kimball, o doutor Nelson não podia recomendar a operação necessária.
O presidente Kimball concordou, dizendo: “Sou velho e já estou pronto para morrer”.
Naquele instante, o presidente Harold B. Lee (1899–1973) se levantou, bateu na mesa e disse: “Spencer, você foi chamado! Você não vai morrer! Você precisa fazer tudo o que for necessário para cuidar de si mesmo e continuar a viver”. O presidente Kimball, então, decidiu fazer a cirurgia.
Antes do procedimento, a Primeira Presidência deu uma bênção ao doutor Nelson, dando-lhe a certeza de que a operação ocorreria bem e que ele não precisava temer suas próprias limitações, pois ele “tinha sido preparado pelo Senhor para realizar aquela operação”.
A cirurgia transcorreu sem falhas, e o doutor Nelson sabia que o sucesso tinha vindo do Senhor. Quando a cirurgia terminou, ele teve a forte impressão de que o homem que ele acabara de operar se tornaria presidente da Igreja.
Quando o presidente Kimball foi ordenado como o novo presidente da Igreja em 1973, o doutor Nelson escreveu uma carta assegurando-lhe que, como cirurgião dele, a saúde não o impediria de cumprir seu novo chamado. Essa foi apenas uma das vezes em que o doutor Nelson foi capaz de abençoar membros do Quórum dos Doze Apóstolos com sua especialidade médica.
Élder Russell M. Nelson apertando a mão do presidente Spencer W. Kimball, junto com o presidente Gordon B. Hinckley.
Um novo chamado
Em 7 de abril de 1984, o doutor Nelson se tornou o élder Nelson quando o presidente Spencer W. Kimball o chamou como membro do Quórum dos Doze Apóstolos. Esse chamado foi um choque tão grande para a família que uma de suas filhas, que estava grávida naquela época, entrou em trabalho de parto. O élder Nelson reconheceu que o anúncio do chamado foi “uma ajuda” para o nascimento de seu 22º neto.
Apesar de sua grande habilidade e vasta experiência como médico, o élder Nelson sabia que o poder maior vem de Deus e que o trabalho mais grandioso é servi-Lo.
“Os homens, por si mesmos, podem fazer muito pouco para curar seu corpo doente ou debilitado”, disse o élder Nelson. “Com conhecimento, podem realizar um pouco mais; com estudo e treinamento médico avançados, ainda é possível fazer um pouco mais. O verdadeiro poder para curar, no entanto, é um dom de Deus.”
Pouco depois de o élder Nelson ter sido chamado como apóstolo, foi anunciado em uma reunião de trabalho que o doutor Nelson não faria mais cirurgias cardíacas “porque sua igreja o havia tornado um ‘santo’”.
Quando o élder Nelson contou essa história, ele explicou que “algumas pessoas pensam, erroneamente, que [o termo santo] implica em beatificação ou perfeição. De jeito nenhum! Um santo é uma pessoa que crê em Cristo e conhece Seu perfeito amor. (…) Santo é aquele que serve aos outros, sabendo que, quanto mais servir, mais oportunidade terá de ser santificado e purificado pelo Espírito”.
Após servir por 31 anos como membro do Quórum dos Doze Apóstolos, o élder Nelson foi designado presidente do quórum em julho de 2015, após o falecimento do presidente Boyd K. Packer.
A vida não é fácil
Em um discurso de conferência, o presidente Nelson disse, certa vez, que “a vida não é para ser fácil. (…) A vitória só é alcançada por aqueles que têm fé suficiente para permanecer no caminho estreito e apertado”.
Em sua vida, o presidente Nelson com certeza teve sua porção de desafios. Em 1991, sua filha Emily foi diagnosticada com câncer. Pouco tempo depois, sua esposa foi diagnosticada com linfoma. Embora Dantzel tenha conseguido se recuperar, Emily faleceu depois de uma longa luta contra a doença.
Depois, em 2005, Dantzel faleceu rápida e inesperadamente. Na conferência geral após a morte da esposa, o presidente Nelson disse: “Dantzel não foi apenas uma companheira amada e amorosa. Ela foi uma professora: com seu nobre exemplo, ensinou fé, virtude, obediência e misericórdia. Ensinou-me a ouvir e a amar. Por causa dela, conheço todas as bênçãos que um marido, pai e avô pode receber”.
Outro acontecimento triste ocorreu no início de 2019, quando outra filha, Wendy, perdeu a luta contra o câncer. “Nossas lágrimas de tristeza se tornarão lágrimas de esperança ao adquirirmos uma perspectiva eterna”, disse o presidente Nelson durante o funeral.
Ministério e viagens
O presidente Nelson compartilhava regularmente seu testemunho sobre a harmonia das ciências que ele conhecia tão bem com a Criação e o plano divino. Ao falar sobre as maravilhas do corpo humano, ele disse: “Algumas pessoas pensam erroneamente que esses maravilhosos atributos físicos aconteceram por acaso ou como consequência de um grande ‘big bang’ ocorrido em algum lugar. Perguntem a si mesmos: ‘Poderia a explosão de uma gráfica produzir um dicionário?’” Suas experiências educacionais e profissionais apenas deram suporte a suas crenças espirituais no confronto dessas ideias.
Ele falava constantemente sobre seu respeito pelas mulheres e sobre a força delas no evangelho. Ele compartilhou o que aprendeu com Eva sobre o sacerdócio e a parceria entre marido e mulher. Incentivou os membros a entenderem como “homens e mulheres recebem a ordenança mais alta na Casa do Senhor juntos e igualmente”. Em um discurso na conferência de outubro de 2015, ele pediu às mulheres da Igreja: “Deem um passo adiante! Ocupem seu lugar de direito tão necessário em sua casa, comunidade e no reino de Deus — mais do que nunca o fizeram antes”.
Em 2006, o presidente Nelson se casou com Wendy L. Watson, professora universitária e terapeuta especialista em casamento e família. No World Congress of Families em 2009, em que ambos discursaram, ele disse: “Também sei o que é ser abençoado de novo pelo Pai Celestial com um segundo casamento, também com uma mulher de compaixão e generosidade de espírito, que mais uma vez completou meu círculo familiar”. Juntos, o presidente e a irmã Nelson viajaram o mundo prestando serviço dedicado.
Presidente Russell M. Nelson e sua esposa Wendy em 2018.
O ministério dele foi de fato global. Ele dedicou o Templo de Sapporo Japão, o Templo de Concepción Chile e o Templo de Roma Itália e participou da dedicação de outros templos em todo o mundo, inclusive o Templo de Payson Utah, o Templo de Kiev Ucrânia e o Templo de Acra Gana. Também dedicou o edifício Life Sciences na Universidade Brigham Young em abril de 2015. Ele dedicou 31 países para a pregação do evangelho. Ajudou a levar o evangelho para as nações da Europa Oriental e, durante seu ministério, viu pelo menos 30 países reconhecerem oficialmente a Igreja.
Onde quer que fosse, o presidente Nelson devotava especial atenção às crianças. Ao falar a uma congregação de mais de 4 mil membros da Igreja reunidos na Colúmbia Britânica, Canadá, ele estava ansioso para ver as crianças sentadas com as famílias. Durante seu discurso, ele pediu às crianças que ficassem de pé sobre suas cadeiras e acenassem. O presidente Nelson sorriu ao ver as crianças despontarem em meio à multidão e acenarem alegremente. “Ah, sim”, ele disse. “Agora consigo ver vocês.” Sua bondade e luz influenciaram milhões dos filhos de Deus — tanto os mais jovens quanto os mais velhos — em todo o mundo.
O presidente e a irmã Nelson cumprimentam uma família na histórica capela de Hyde Park, em Londres, Inglaterra, em abril de 2018.
Viver sua mensagem
O modo como o presidente Nelson viveu foi o maior testemunho que ele poderia ter prestado do Salvador.
Um desses momentos ocorreu quando seu colega apóstolo, o élder Joseph B. Wirthlin (1917–2008), deu um de seus últimos discursos de conferência. O élder Wirthlin falou sobre caridade e amor pelas pessoas como a característica que deveria definir os membros da Igreja. Ao proferir seu discurso, ele começou a tremer sem controle, e o élder Nelson se aproximou calmamente, colocou o braço ao redor dele e o amparou até o fim do discurso. Foi um sermão excelente e silencioso sobre o amor que devemos mostrar às pessoas.
“Aprendi, há muito tempo, a ser obediente a esses maravilhosos e sutis sussurros do Espírito, a essas fortes impressões de que devo seguir Seu conselho”, disse o presidente Nelson. “É importante refletir a respeito do fato de que, embora possamos estar satisfeitos com nossa situação na vida, o Senhor pode fazer de nós algo que vai muito além de nossa imaginação. Tudo o que Ele requer é que nos preparemos, que tentemos superar nossas imperfeições e que nos esforcemos a cada dia para fazer algo mais.”
O presidente Nelson sempre prestou atenção a essas fortes impressões. No começo de sua carreira profissional, ele operou duas menininhas e não conseguiu salvá-las, e isso pesou em sua consciência por anos, especialmente quando soube que a família delas continuava magoada com ele e a Igreja. Por quase 60 anos, ele sofreu muito com a lembrança da perda e com a tristeza da família. Por várias vezes ele tentou entrar em contato com eles, mas sem sucesso.
Então, em 2015, ele acordou à noite e sentiu a presença das duas menininhas estendendo a mão para ele. Ele descreveu a experiência assim: “Embora não pudesse vê-las ou mesmo ouvi-las com meus sentidos físicos, senti sua presença. Espiritualmente ouvi suas súplicas. A mensagem delas era breve e clara: ‘Irmão Nelson, não estamos seladas a ninguém! Pode nos ajudar?’”
O presidente Nelson tentou entrar em contato novamente com o pai e o irmão mais novo das meninas e, dessa vez, ele conseguiu. Ele se ajoelhou humildemente perante o pai, falou da súplica das filhas e se ofereceu para realizar as ordenanças de selamento. Ele disse que seriam necessários tempo e esforço, já que o pai e o irmão ainda não haviam recebido a investidura. Com o Espírito Santo envolvendo a sala, o pai e o irmão concordaram em fazer os preparativos necessários. Posteriormente, o presidente Nelson chorou de alegria ao conseguir realizar o selamento da família no Templo de Payson Utah.
Continuar no caminho do convênio
Quando o presidente Thomas S. Monson (1927–2018) faleceu no início de janeiro de 2018, o Quórum dos Doze se reuniu em oração para receber orientação do Senhor e chamar um novo profeta. Russell M. Nelson foi ordenado em 14 de janeiro de 2018 como profeta e 17º presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Ele fez sua primeira declaração pública como presidente no anexo do Templo de Salt Lake e incentivou os membros da Igreja a “[continuar] no caminho do convênio” e fez esta poderosa promessa: “Seu compromisso de seguir o Salvador, fazendo convênios com Ele e depois guardando esses convênios, vai abrir a porta de todos os privilégios e bênçãos espirituais disponíveis a mulheres, homens e crianças de todo o mundo”.
Ele declarou o desejo da nova Primeira Presidência: “Queremos começar com o fim em mente”, e explicou que “o fim que cada um de nós almeja é ser investido com poder em uma Casa do Senhor, selado como família, fiéis aos convênios feitos no templo — que nos qualificam para o maior dom de Deus, que é a vida eterna”.
Referindo-se ainda ao caminho do convênio, convidou aqueles que se afastaram a retornar, assegurando-lhes que há “um lugar para [eles] nesta Igreja, a Igreja do Senhor”.
A Primeira Presidência e o Quórum dos Doze Apóstolos no Centro de Visitantes do Templo de Roma Itália em março de 2019.
Receber inspiração e agir de acordo com ela
Os membros da Igreja se lembrarão por muito tempo do entusiasmo da primeira conferência geral que o presidente Nelson presidiu como profeta e presidente. Nessa conferência, o presidente Nelson anunciou que os sumo sacerdotes e élderes de cada ala se reuniriam em um único quórum “a fim de [realizar] o trabalho do Senhor de modo mais eficaz”. Ele anunciou também o fim do programa de mestres familiares e professoras visitantes e o estabelecimento de “uma nova e mais sagrada abordagem para cuidar das outras pessoas e ministrar a elas”, uma mudança que começaria um “novo capítulo na história da Igreja”. E, para encerrar a conferência, o presidente Nelson anunciou sete novos templos.
O élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos, pareceu falar por todos ao comentar após o segundo anúncio feito pelo presidente Nelson: “Os momentos mais memoráveis da vida são aqueles nos quais recebemos um bombardeio de revelação. Presidente Nelson, não sei quantos ‘bombardeios’ podemos aguentar este fim de semana”.
A revelação contínua definiu o ministério do presidente Nelson como profeta, vidente e revelador. Depois dessa primeira conferência, o presidente Nelson e sua esposa Wendy viajaram pelo mundo todo se reunindo com os membros da Igreja e ensinando-os, inclusive nas áreas onde novos templos seriam construídos conforme ele havia anunciado recentemente.
O presidente e a irmã Nelson, junto com o élder Gary E. Stevenson, do Quórum dos Doze Apóstolos, cumprimentam membros da Igreja no Peru em outubro de 2018.
Em um devocional mundial, ele e a irmã Nelson convocaram a juventude da Igreja a participar do “maior desafio, a maior causa e o maior trabalho que está sendo realizado na Terra”, a coligação de Israel.
Logo depois, ele fez uma declaração sobre a importância de se usar o nome correto da Igreja, uma ênfase, disse ele, que “o Senhor revelou em minha mente”.
Na Conferência Geral de Outubro de 2018, o presidente Nelson enfatizou a importância de usarmos o nome completo da Igreja. Ele também anunciou uma ênfase renovada no ensino e aprendizado do evangelho no lar, dizendo que era “hora de termos uma Igreja centralizada no lar com o apoio do que acontece dentro dos edifícios de nossos ramos, alas e estacas”. Esse plano do evangelho centralizado no lar e apoiado pela Igreja abreviou a programação dominical de três para duas horas e apresentou o novo currículo para estudo individual e familiar no lar. Ao final da conferência, o presidente Nelson anunciou 12 novos templos — o maior número de templos já anunciados de uma só vez.
Como profeta, o presidente Nelson nos mostrou o significado de buscar a vontade do Senhor e de agir prontamente ao recebermos revelação. Ele incentivou todos os membros da Igreja a fazerem o mesmo:
“Eu os exorto que avancem além da sua habilidade espiritual atual para receber revelação pessoal. (…)
Oh, há muito mais que o Pai Celestial quer que vocês saibam. (…)
Prometo que, ao continuarem a ser obedientes, (…) vocês receberão o conhecimento e a compreensão que procuram. Vocês receberão todas as bênçãos que o Senhor tem para vocês — até mesmo milagres”.
O presidente Nelson cumprimenta santos dos últimos dias na Cidade da Guatemala em agosto de 2019.
Uma promessa sagrada
Em seu primeiro discurso de conferência como apóstolo, o élder Nelson falou dos convênios que havia feito no templo, dizendo: “Reafirmo a promessa de dar tudo o que tenho para a edificação do reino de Deus na Terra. Ao aceitar este chamado, sabendo que terei desafios e responsabilidades, que chaves serão conferidas e que contratempos também virão, comprometo-me a dar tudo de mim, com todo o vigor e entusiasmo”.
Anos depois, e dois dias depois de ser ordenado profeta, o presidente Nelson fez uma promessa semelhante, dizendo: “Declaro minha devoção a Deus, nosso Pai Eterno, e a Seu Filho, Jesus Cristo. Eu Os conheço, eu Os amo e me comprometo a servir a Eles — e a vocês — até o último momento de minha vida”.
O presidente Nelson cumpriu essa promessa sagrada até o fim. Ficou claro para todos que o conheciam e o ouviram discursar, que ele tinha total confiança de que a obediência garante o recebimento das bênçãos do Senhor. O presidente Nelson foi verdadeiramente exemplar no cumprimento de convênios. Ele cumpriu seus “convênios com exatidão”.
Em uma conferência geral, o presidente Nelson disse certa vez: “Ao trilharem o caminho de retidão do Senhor, vocês serão abençoados para que continuem em Sua benignidade e sejam uma luz e um salvador para Seu povo”.
A vida do presidente Russell M. Nelson foi e continuará a ser essa luz.