Mensagem da Área
Fé, serviço e o amor do Senhor em meio ao caos
Em 3 de maio de 2024, fomos notificados pela prefeitura sobre a necessidade de evacuar nosso bairro devido ao risco iminente de inundação. Imediatamente, meu marido sugeriu que preparássemos mochilas com roupas e itens essenciais para que pudéssemos buscar um local seguro. Pegamos nossas três filhas e nossos animais de estimação e seguimos para o apartamento de familiares. Ainda assim, eu custava a acreditar que a água realmente chegaria até nossa casa.
Naquela noite, o nível da água subiu rapidamente, invadindo nosso bairro e nossa casa. Recebi fotos de vizinhos que, em barcos, tentavam acessar a área. A cena parecia surreal, como algo tirado de um filme. Nossa casa, nosso refúgio, estava submersa, e eu não podia fazer nada. Todo o bairro, além de parte da cidade, incluindo a escola de nossas filhas, ficou submerso.
Meu primeiro pensamento foi garantir a segurança de minha família e tranquilizar nossas filhas, assegurando-lhes que tudo ficaria bem. Decidi não me entregar ao sofrimento ou à reclamação, confiando que o Senhor tinha um propósito para aquela situação. “Guardei minha dor no bolso” e, ao lado de meu marido, passei a servir e ajudar outras pessoas que também haviam perdido sua casa. Vi a mão do Senhor se manifestar de inúmeras maneiras por meio de pessoas que sacrificavam seu tempo, seus dons e seus talentos para levar conforto aos necessitados. O espírito de serviço tomou conta de nosso coração, e testemunhamos milagres em meio ao caos. Meu marido trabalhou incansavelmente para garantir a segurança dos membros de nossa estaca, e o Senhor nos deu forças para ajudar outros que também foram atingidos pela inundação.
Foram semanas desafiadoras. Embora o desânimo muitas vezes ameaçasse me dominar, eu me forçava a ser forte, sentindo que não tinha o direito de ceder ao sofrimento. No entanto, havia um peso dentro de mim, e eu não sabia como lidar com ele.
Após 15 dias, a água finalmente baixou em nosso bairro, permitindo-nos acessar nossa casa. Foi então que percebi o poder destrutivo da água em questão de segundos. De repente, tudo o que um dia me incomodou, como a bagunça das crianças ou uma louça por lavar, tornou-se irrelevante. Nossa casa estava tomada por lama e sujeira, com um cheiro insuportável, lembranças perdidas, móveis destruídos, tudo revirado. Meu coração ficou apertado e, pela primeira vez, chorei e questionei por que isso havia acontecido, por que fomos forçados a sair de casa dessa maneira.
Com o tempo, meu marido e eu começamos a retirar os pertences da casa, e, a cada memória que surgia, lágrimas rolavam. Em meu coração, orava ao Senhor pedindo compreensão. Em meio à sujeira e ao caos, encontrei uma pedra que ficava em minha mesa de escritório, na qual estava escrito: “Posso tudo em Cristo”. A pedra permanecia no mesmo lugar, intacta. Naquele momento, senti o amor do Senhor por mim e fui lembrada de que, com Ele, eu poderia suportar todas as adversidades, assim como aquela pedra permaneceu firme.
Um mês depois, durante a visita do élder Gong em Canoas, Rio Grande do Sul, obtive minha resposta. Senti profundamente que o Senhor me conhecia e sabia exatamente pelo que eu estava passando. Entendi que era permitido aceitar ajuda e vivenciar o luto, e que Cristo desejava me consolar e carregar meus fardos. Somente após esse momento, permiti-me aliviar o peso em meu coração, com a certeza de que meu Salvador compreendia minhas dores e poderia curar minhas feridas.
Posso testificar que, em nenhum momento dessa jornada, me senti sozinha. Vejo as mãos do Senhor estendidas em nossa vida e na vida de muitos outros membros que também sofreram com esse desastre. O Senhor não esquece de nenhum de Seus filhos.
Nossa cidade e nossa estaca ainda levarão tempo para se reerguer, mas, de todo o coração, sei que
o Senhor está cuidando de cada detalhe. Confiando Nele, tenho certeza de que tudo ficará bem. ■