Histórias dos santos
Willy Binene — República Democrática do Congo


“Willy Binene — República Democrática do Congo”, Histórias dos santos, 2024

Willy Binene — República Democrática do Congo

Um rapaz na África central aprende a confiar no tempo de Deus

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Que tipo de mosquito picou você?

Em agosto de 1992, Willy Sabwe Binene, um rapaz de 23 anos, aspirava a uma carreira em engenharia elétrica. Tudo estava indo bem em seus estudos no Institut Supérieur Technique et Commerciale, em Lubumbashi, uma cidade no Zaire, país na África central. Ele tinha acabado de terminar o primeiro ano do curso e estava animado para continuar os estudos seculares.

Durante o recesso entre os semestres, Willy voltou para Coluezi, sua cidade natal, a cerca de 322 quilômetros ao noroeste de Lubumbashi. Ele e alguns de seus parentes pertenciam ao ramo da Igreja em Coluezi. Após a revelação do sacerdócio em 1978, o evangelho restaurado se espalhou para além de Nigéria, Gana, África do Sul e Zimbábue, chegando a mais de uma dúzia de outros países da África: Libéria, Serra Leoa, Costa do Marfim, Camarões, República do Congo, Uganda, Quênia, Namíbia, Botsuana, Suazilândia, Lesoto, Madagascar e Maurício. Os primeiros missionários da Igreja chegaram ao Zaire em 1986, e o país agora tinha cerca de 4 mil santos.

Pouco depois de Willy chegar a Coluezi, o presidente do ramo o chamou para uma entrevista. “Precisamos preparar você para uma missão de tempo integral”, disse ele.

“Tenho que continuar meus estudos”, disse Willy surpreso. Ele explicou que ainda faltavam mais três anos no curso de engenharia elétrica.

“Você deve servir missão primeiro”, disse o presidente do ramo. Ele ressaltou que Willy era o primeiro rapaz do ramo a se tornar elegível para uma missão de tempo integral.

“Não”, disse Willy, “não vai dar certo. Vou terminar os estudos primeiro”.

Os pais de Willy não ficaram felizes quando souberam que ele havia recusado o convite do presidente do ramo. Sua mãe, que costumava ser reservada, perguntou-lhe diretamente: “Por que está adiando?”

Certo dia, o Espírito inspirou Willy a visitar seu tio, Simon Mukadi. Quando ele entrou na sala de estar do tio, notou um livro na mesa. Algo no livro chamou sua atenção. Ele se aproximou e leu o título: Le miracle du pardon, a tradução francesa de O Milagre do Perdão, de Spencer W. Kimball. Intrigado, Willy pegou o livro, abriu-o em uma página aleatória e começou a ler.

Era uma passagem sobre idolatria e Willy logo ficou imerso na leitura. O élder Kimball escreveu que as pessoas, além de se curvarem perante deuses de madeira, pedra e barro, também adoravam seus próprios bens. E alguns ídolos não tinham uma forma tangível.

Aquelas palavras fizeram Willy tremer todo. Ele sentiu que o Senhor estava falando diretamente com ele. Naquele instante, todo o seu desejo de terminar os estudos antes da missão foi embora. Ele procurou o presidente do ramo e lhe disse que havia mudado de ideia.

“Que bicho mordeu você?”, perguntou o presidente do ramo.

Depois que Willy contou a história, o presidente do ramo pegou uma folha de inscrição para missionários. “Certo”, disse ele. “Vamos começar do começo.”

À medida que Willy se preparava para sua missão, a violência irrompeu na região onde vivia. O Zaire ficava na bacia do rio Congo, na África, onde vários grupos étnicos e regionais lutavam uns contra os outros havia gerações. Recentemente, na província onde Willy morava, o governador havia pedido que a população de Catanga expulsasse o grupo minoritário de Cassai.

Em março de 1993, a violência se espalhou até Coluezi. Os militares de Catanga rondavam as ruas, brandindo facões, varas, chicotes e outras armas. Eles aterrorizavam famílias de Cassai e incendiavam as casas, pouco se importando com quem ou o que estivesse dentro delas. Temendo pela vida, muitas pessoas de Cassai se esconderam dos saqueadores ou fugiram da cidade.

Como Willy era de Cassai, ele sabia que era questão de tempo até os militares irem atrás de sua família. Para evitar o perigo, ele suspendeu sua preparação para a missão e ajudou a família a fugir para Luputa, uma cidade a cerca de 563 quilômetros de distância, onde alguns de seus parentes viviam.

Como havia poucos trens que saíam de Catanga, centenas de refugiados de Cassai montaram um enorme acampamento próximo à estação ferroviária de Coluezi. Quando Willy e sua família chegaram ao acampamento, não tiveram opção a não ser dormir a céu aberto até encontrarem um abrigo. A Igreja, a Cruz Vermelha e outras organizações humanitárias estavam no acampamento fornecendo comida, barracas e cuidados médicos para os refugiados. Contudo, sem saneamento básico adequado, o acampamento cheirava a dejetos humanos e lixo queimado.

Após algumas semanas no acampamento, a família de Willy recebeu a notícia de que um trem conseguiria levar embora algumas mulheres e crianças. A mãe e as quatro irmãs de Willy decidiram partir no trem com outros parentes. Enquanto isso, Willy ajudou seu pai e seu irmão mais velho a consertarem um vagão de trem quebrado. Quando ficou pronto, engataram o vagão a um trem que estava partindo e deixaram o acampamento.

Semanas depois, quando chegou à Luputa, Willy não conseguia deixar de comparar a cidade com Coluezi. Era uma cidade pequena e sem eletricidade, o que o impedia de usar sua formação em engenharia elétrica para buscar emprego. E lá também não havia nenhum ramo da Igreja.

“O que vamos fazer aqui?”, perguntou a si mesmo.

Acesse o texto completo na Biblioteca do Evangelho para ver as notas de rodapé e as fontes das citações.

Permanece fiel em Luputa

A vida em Luputa não era a vida que Willy Binene tinha imaginado que teria enquanto estudava engenharia elétrica em Lubumbashi. Luputa era uma comunidade rural e, enquanto o conflito étnico durasse em sua cidade natal de Coluezi, ele e sua família ficariam em Luputa trabalhando na terra.

Felizmente, o pai de Willy havia lhe ensinado a cultivar quando ele era pequeno, então ele já sabia o básico do cultivo de feijão, milho, mandioca e amendoim. Até a primeira colheita de feijão, porém, sua família tinha pouco para comer. Eles cultivaram para sua própria subsistência e venderam o pouco que restou da colheita para comprar sal, óleo, sabão e um pouco de carne.

Dentre os santos que haviam fugido de Coluezi por questão de segurança, cerca de 50 se estabeleceram em Luputa. Não havia nenhum ramo no vilarejo, mas eles se encontravam semanalmente em uma grande casa para adorar. Apesar de vários homens do grupo portarem o sacerdócio, incluindo o antigo presidente do distrito em Coluezi, eles não se sentiam autorizados a realizar reuniões sacramentais. Em vez disso, eles realizavam aulas da Escola Dominical, e os élderes se alternavam para liderar as reuniões.

Durante esse período, Willy e os outros santos fizeram de tudo para entrar em contato com a sede de missão em Kinshasa, mas não tiveram sucesso. Ainda assim, sempre que os santos recebiam dinheiro, eles separavam seu dízimo, esperando pelo momento em que poderiam doá-lo para um líder autorizado da Igreja.

Certo dia, em 1995, a família de Willy decidiu mandá-lo de volta para Coluezi a fim de tentar vender sua antiga casa. Sabendo que lá ele encontraria com o presidente do distrito, os santos em Luputa viram nessa viagem uma chance de pagar o dízimo. Eles colocaram o dinheiro em envelopes, entregaram a Willy e a outro membro da Igreja que viajaria com ele e se despediram.

Ao longo dos quatro dias de viagem de trem para Coluezi, Willy escondeu a bolsa com os envelopes de dízimo por baixo da roupa. Ele e seu companheiro de viagem estavam nervosos e aflitos durante o trajeto. Eles dormiram no trem e só desceram nas estações para comprar fufu (prato típico feito com farinha de mandioca) e outras comidas. Também estavam preocupados com a chegada em Coluezi, que ainda era hostil ao povo de Cassai. Mas se consolaram com a história de Néfi recuperando as placas de latão. Eles confiavam que o Senhor os protegeria e também protegeria o dízimo.

Quando finalmente chegaram a Coluezi, encontraram a casa do presidente do distrito, que os convidou para ficar lá. Dias depois, os novos líderes da Missão Zaire Kinshasa, Roberto e Jeanine Tavella, chegaram à cidade, e o presidente do distrito os apresentou a Willy e seu companheiro de viagem.

“Eles eram membros do Ramo de Coluezi”, explicou o presidente de distrito. “Eles se mudaram para Luputa por causa do que aconteceu. E agora voltaram. Eles queriam conhecer vocês.”

“Conte-me mais”, disse o presidente Tavella. “Você é de Luputa?”

Willy contou ao presidente sobre sua viagem e a distância que tinham percorrido. Então ele pegou os envelopes de dízimo. “Este é o dízimo dos membros que estão em Luputa”, disse ele. “Eles separaram o dízimo porque não sabiam para onde levá-lo.”

Sem dizer uma palavra, o presidente e a síster Tavella começaram a chorar. “Quanta fé vocês têm”, disse, por fim, o presidente de missão com a voz trêmula.

Willy foi inundado por sentimentos de paz e alegria. Ele acreditava que o Senhor abençoaria os santos em Luputa por pagarem o dízimo. O presidente Tavella os aconselhou a serem pacientes. “Quando voltarem, digam a todos em Luputa que os amo”, disse ele. “Eles são abençoados pelo Pai Eterno, pois nunca vi tamanha fé.”

Ele prometeu enviar um de seus conselheiros a Luputa o mais rápido possível. “Não sei quanto tempo vai levar”, disse ele, “mas o conselheiro vai chegar”.

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Minha missão é aqui

Em maio de 1997, o governo do Zaire entrou em colapso após anos em estado de guerra e turbulência política. O presidente Mobutu Sese Seko, que controlou a nação por mais de três décadas, estava morrendo e agora se encontrava incapaz de impedir a queda de seu regime. As forças armadas de Ruanda, o vizinho ao leste do Zaire, haviam entrado no país em busca de rebeldes exilados de sua própria guerra civil. Outras nações do leste africano logo fizeram o mesmo, por fim juntando forças a outros grupos para derrubar o presidente enfraquecido, substituí-lo por um novo líder e mudar o nome do país para República Democrática do Congo, ou RDC.

A Igreja continuou a funcionar na região durante o conflito. Cerca de 6 mil santos viviam na RDC.A Missão Kinshasa abrangia cinco países, com 17 missionários de tempo integral. Em julho de 1996, vários casais da região viajaram por mais de 2.800 quilômetros para receber as bênçãos do templo no Templo de Joanesburgo África do Sul. Alguns meses depois, em 3 de novembro, líderes da Igreja organizaram a Estaca Kinshasa, a primeira estaca na RDC e a primeira na África a usar o idioma francês. Havia também 5 distritos e 26 ramos por toda a missão.

Em Luputa, Willy Binene, agora aos 27 anos, ainda tinha esperança de servir missão de tempo integral apesar da revolta em seu país. Porém, quando ele compartilhou sua esperança com Ntambwe Kabwika, o conselheiro na presidência da missão, recebeu notícias decepcionantes.

“Meu irmão”, disse o presidente Kabwika, “a idade limite é 25 anos. Não há como chamá-lo para uma missão”. Então, na tentativa de consolá-lo, acrescentou: “Você ainda é jovem. Ainda pode estudar e se casar”.

Mas Willy não se sentiu consolado. A decepção o consumiu. Parecia injusto ser impedido de servir missão por causa de sua idade. Por que não se poderia fazer uma exceção, especialmente depois de tudo pelo que ele tinha passado? Ele se perguntou o motivo de o Senhor tê-lo inspirado a servir missão em primeiro lugar. Ele havia adiado sua educação e carreira para seguir essa inspiração, mas para quê?

“Você não pode se incomodar com isso”, disse por fim a si mesmo. “Você não pode condenar a Deus.” Ele resolveu ficar onde estava e fazer tudo o que o Senhor solicitasse.

Mais tarde, em julho de 1997, os santos em Luputa foram formalmente organizados em um ramo. Após Willy ser chamado como secretário financeiro e missionário de ramo, ele percebeu que o Senhor o havia preparado para estabelecer a Igreja onde ele morava. “Certo”, disse ele, “minha missão chegou”.

Alguns outros santos no Ramo Luputa também foram chamados para servir como missionários de ramo. Willy cuidava da colheita três dias na semana. Nos outros dias, ele ia de porta em porta para falar com as pessoas sobre o evangelho. Depois disso, Willy lavava seu único par de calças a fim de que estivessem limpas para o dia seguinte. Ele não tinha certeza do que o levava a pregar o evangelho com tanto afinco, especialmente nos dias em que tinha que sair de barriga vazia. Mas ele sabia que amava o evangelho e queria que seu povo, e em algum dia seus ancestrais, tivesse as bênçãos que ele tinha.

O trabalho às vezes era desafiador. Algumas pessoas ameaçavam os missionários de ramo ou avisavam outras para os evitar. Certas pessoas na vila até se reuniam para destruir cópias do Livro de Mórmon. “Queimem o Livro de Mórmon”, diziam, “e a Igreja vai desaparecer”.

Ainda assim, Willy presenciou o Senhor operando milagres por meio de seus esforços. Certa vez, ele e seu companheiro bateram a uma porta e sentiram um cheiro desagradável vindo de dentro da casa. Ouviram uma voz chamando-os bem baixo. “Entrem”, disse a voz. “Estou doente.”

Willy e seu companheiro estavam com medo de entrar na casa, mas, ao entrar, encontraram um homem que parecia enfraquecido. “Podemos orar?”, perguntaram eles.

O homem concordou, então eles ofereceram uma oração e o abençoaram para que sua doença desaparecesse. “Voltaremos amanhã”, disseram a ele.

No dia seguinte, encontraram o homem do lado de fora da casa. “Vocês são homens de Deus”, disse ele. Desde a oração, ele estava se sentindo melhor. Ele queria pular de felicidade.

O homem ainda não estava pronto para se juntar à Igreja, mas outros estavam. Toda semana, Willy e os outros missionários encontravam pessoas, às vezes famílias inteiras, que queriam adorar com os santos. Em alguns sábados, eles batizavam até 30 pessoas.

A Igreja em Luputa estava começando a crescer.

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O Senhor tinha outros planos

No início de 2006, Willy Binene estava ansioso para se mudar para Kinshasa, a capital da República Democrática do Congo, para continuar seu estágio em engenharia elétrica. Ele havia trabalhado durante 13 anos em uma fazenda na aldeia de Luputa, a cerca de 1.500 quilômetros da cidade.

Na época, ele já era casado com uma jovem chamada Lilly, que ele havia batizado enquanto servia como missionário do ramo. Eles tinham dois filhos. No entanto, nos últimos dois anos, Lilly e as crianças estavam morando em Kinshasa, enquanto Willy economizava para voltar a morar com eles e retomar os estudos.

No dia 26 de março, o presidente da missão William Maycock organizou o primeiro distrito em Luputa e chamou Willy para servir como presidente. Willy não se sentia muito seguro, mas abandonou o plano de se mudar e aceitou o chamado. Pouco tempo depois, Lilly e seus filhos voltaram para Luputa, e Willy assumiu suas novas responsabilidades com a família ao seu lado.

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Encontrar o céu no templo

Em junho de 2008, Willy e Lilly Binene pegaram um ônibus com seus três filhos para o aeroporto em Mbuji-Mayi, cerca de cento e sessenta quilômetros ao norte de onde moravam em Luputa, República Democrática do Congo. De lá, eles voaram para Kinshasa, passaram a noite na cidade e depois embarcaram em um voo para a África do Sul. O percurso foi longo, mas as crianças estavam felizes, aproveitando as viagens. A família estava indo para o templo de Joanesburgo para ser selada para a eternidade.

Dois anos se passaram desde que o chamado de Willy como presidente do distrito de Luputa os reuniu como família. Ao regressar para Luputa, Lily abriu um jardim de infância. Foi um sucesso imediato e, em pouco tempo, ela o expandiu para uma escola primária. Willy deixou de lado seu sonho de se tornar engenheiro elétrico para começar seu treinamento como enfermeiro no hospital local. Ele conciliou esse trabalho com as demandas do seu chamado e confiou no apoio de seus conselheiros na presidência do distrito ao aprender suas novas responsabilidades: treinar líderes locais e visitar os santos.

Recentemente, a presidência assumiu responsabilidades adicionais para apoiar uma iniciativa de três anos, financiada pela Igreja, com o objetivo de levar água potável para Luputa. Os moradores da cidade há muito tempo dependiam de tanques, nascentes e valas de drenagem para obter água. Duas vezes por dia, mulheres e crianças caminhavam mais de um quilômetro e meio para chegar a um dos pontos de água. Elas usavam qualquer recipiente que tivessem em mãos para transportar a água até em casa. Essas fontes de água estavam repletas de parasitas perigosos, e quase todo mundo conhecia alguém — geralmente uma criança pequena — que havia morrido por causa da água contaminada. Às vezes, as mulheres eram atacadas enquanto iam ou voltavam das fontes de água.

Por muitos anos, ADIR, uma organização humanitária na República Democrática do Congo, quis levar água limpa para as 260 mil pessoas de Luputa e região. Mas a melhor fonte de água era um grupo de nascentes que ficava em uma encosta a mais de 35 quilômetros de distância, e a ADIR não tinha os 2,6 milhões de dólares necessários para construir o sistema de canalização. Posteriormente, o diretor administrativo da organização ouviu falar dos Serviços de Caridade SUD e entrou em contato com os missionários humanitários locais para uma possível colaboração no projeto.

Criada em 1996, sob a direção da Primeira Presidência, os Serviços de Caridade SUD apoiaram centenas de projetos humanitários da Igreja ao redor do mundo por todos esses anos. Embora seus serviços variem de acordo com a necessidade, suas recentes iniciativas se concentram em aplicação de vacinas, doação de cadeiras de rodas, atendimento oftalmológico, assistência à infância e distribuição de água potável. Quando surgiu a notícia sobre a necessidade de canalização de água para Luputa, os Serviços de Caridade SUD doaram os fundos necessários. Os voluntários de Luputa e de outras comunidades próximas concordaram em ajudar com o fornecimento de mão de obra.

Como presidência de distrito, Willy e seus conselheiros trabalharam com a ADIR e Daniel Kazadi, um membro da Igreja da região, contratado como supervisor local. Eles também se ofereceram como trabalhadores voluntários.

Agora, quando a família Binene desembarcou em Joanesburgo, pôde deixar de lado sua vida agitada e se concentrar na casa do Senhor. No aeroporto, eles foram recebidos por uma família e levados ao alojamento do templo. Mais tarde, Willy e Lilly entraram no templo, deixaram seus filhos na creche promovida pela Igreja e vestiram roupas brancas.

Antes de deixarem Luputa, eles estudaram o manual de preparação do templo da Igreja, Investidos de Poder do Alto, e leram o livro do apóstolo James E. Talmage, A Casa do Senhor. Ainda assim, quando chegaram ao templo, estavam um pouco desorientados porque tudo era novo e ninguém falava francês. Utilizaram gestos para descobrir para onde ir e o que fazer.

Mais tarde, na sala de selamento, eles ficaram felizes em se reencontrar com seus três filhos. Vestidos de branco, eles pareciam anjos quando entraram na sala. Willy sentiu arrepios em seus braços. Ele e sua família não pareciam mais estar na Terra. Era como se eles estivessem na presença de Deus.

“Nossa!”, disse ele.

Lilly também sentiu como se eles estivessem no céu. Saber que estariam unidos para a eternidade parecia multiplicar o amor que a família sentia uns pelos outros. Eles se tornaram inseparáveis agora. Nem mesmo a morte poderia separá-los.

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O milagre da água potável

Em setembro de 2010, os moradores de Luputa, na República Democrática do Congo, tinham quase terminado de colocar a tubulação para a canalização de água potável financiada pela Igreja. Em conversa com um jornalista, o presidente distrital, Willy Binene, enfatizou a importância de haver água encanada.

“O homem consegue viver sem eletricidade”, disse ele. “Mas a falta de água potável é um fardo quase insuportável.”

Se o repórter percebeu ou não, Willy estava falando com base na experiência de vida. Como estudante de engenharia elétrica, ele nunca havia desejado morar em Luputa, uma cidade sem eletricidade. Contudo, seus planos mudaram e ele se adaptou bem — chegando até a prosperar — sem energia. Ele, sua família e todas as outras pessoas na região, sofreram os efeitos dolorosos de doenças transmitidas pela água. Na igreja, para não correrem o risco de contaminação, fizeram um grande esforço comprando água engarrafada para o sacramento.

Todavia, com um pouco mais de trabalho, a vida em Luputa estava prestes a mudar. Desde o início do projeto, foram estabelecidos os dias de trabalho na canalização para cada bairro da cidade e dos seus arredores. Naquela fase, os caminhões da ADIR, a organização que gerenciava o projeto, passava cedo nos bairros para transportar os voluntários até o local de trabalho.

Como presidente do distrito, Willy queria ser um líder modelo. Nos dias em que seu bairro estava na escala de trabalho, ele deixava seu trabalho de enfermagem de lado para ajudar a cavar. Entre Luputa e a fonte de água limpa havia quilômetros de colinas e vales. Como a tubulação precisava da gravidade para funcionar, os voluntários tiveram que cavar a vala e enterrar os canos com precisão para garantir que a água fluísse adequadamente.

Willy e os voluntários cavaram tudo manualmente. A vala tinha que ter aproximadamente 46 centímetros de largura e 1 metro de profundidade. Em alguns lugares, o solo era arenoso, o que agilizava o trabalho. Já em outros lugares, era um emaranhado de raízes de árvores e rochas, tornando o trabalho exaustivo. Os voluntários só podiam orar para que os incêndios florestais e os ninhos de insetos perigosos não retardassem o andamento do projeto. Em um bom dia de trabalho, eles conseguiam cavar quase 150 metros de vala.

Os santos do distrito de Luputa trabalhavam em turnos extras, devido às suas outras atividades no bairro. Naqueles dias, os homens da Igreja se juntavam aos voluntários regulares para cavar as valas, enquanto as mulheres da Sociedade de Socorro preparavam refeições para os trabalhadores.

O comprometimento dos santos com o projeto ajudou as pessoas a aprender mais sobre a religião deles. A população local via a Igreja como uma instituição que não apenas cuidava de seus próprios membros, mas também da comunidade em geral.

Quando a canalização ficou pronta, em novembro de 2010, muitas pessoas foram a Luputa para testemunhar a chegada da água. Cisternas enormes, instaladas sobre estacas altas foram construídas na cidade para o armazenamento e distribuição de água. No entanto, algumas pessoas se perguntavam se a canalização conseguiria mesmo levar água suficiente para encher os tanques. O próprio Willy tinha suas dúvidas.

Então as comportas se abriram e todos puderam ouvir o som da água enchendo as cisternas. Uma alegria imensa tomou conta da multidão. Dezenas de pequenas estações feitas de concreto para conter a água, distribuídas por toda a cidade, cada uma com muitas torneiras, agora podiam fornecer água potável.

Para comemorar a ocasião, a cidade realizou uma celebração. As festividades atraíram 15 mil pessoas de Luputa e região. Entre os convidados de honra estavam dignitários governamentais e tribais, funcionários da ADIR e um membro da presidência da Área África Sudeste da Igreja. Em um dos tanques de água estava pendurada uma grande faixa com letras azuis brilhantes:

Quando os convidados chegaram e se sentaram sob os gazebos construídos especialmente para a celebração, um coral de jovens santos dos últimos dias cantou hinos.

Assim que todos estavam acomodados, e o burburinho da multidão cessou, Willy pegou um microfone e se dirigiu ao público como um representante local da Igreja. “Assim como Jesus realizou muitos milagres”, disse ele, “hoje presenciamos um milagre com a chegada da água a Luputa”. Ele disse à multidão que a Igreja havia financiado a canalização para toda a comunidade e pediu a todos que fizessem bom uso dela.

E para quem se perguntou por que a Igreja havia se interessado por um lugar como Luputa, ele deu uma resposta simples.

“Somos todos filhos do Pai Celestial”, respondeu. “Devemos fazer o bem a todos.”

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Alegrando-se em Luputa

Em 2 de outubro de 2011, um gerador movido a gasolina começou a funcionar na capela de Luputa na República Democrática do Congo. Dentro da capela, cerca de 200 membros da Igreja, incluindo Willy e Lilly Binene, procuravam um bom lugar em frente à televisão. Dentro de instantes, naquela noite de domingo, a transmissão da 181ª Conferência Geral Semestral da Igreja começaria e seria traduzida para o francês, um dos 51 idiomas disponíveis para os santos do mundo todo. Era a primeira conferência geral da qual os membros da Igreja em Luputa desfrutariam como membros de uma estaca de Sião.

A organização da Estaca Luputa, três meses antes, não foi surpresa para aqueles que estavam familiarizados com o rápido crescimento da Igreja na cidade. Em 2008, no mesmo ano em que a família Binene foi selada no templo, mais de 1.200 santos dos últimos dias moravam em Luputa. Naquela época, não havia missionários de tempo integral servindo ali. No entanto, nos três anos seguintes, Willy e outros líderes da Igreja trabalharam com missionários do ramo fiéis para mais do que dobrar o número de santos em seu distrito. Esse esforço foi, sem dúvida, impulsionado pelo papel da Igreja em proporcionar acesso à água potável na cidade. O distrito havia enviado 34 missionários de tempo integral para servir em diferentes regiões da República Democrática do Congo, da África e do mundo.

Ainda assim, Willy ficou surpreso quando o élder Paul E. Koelliker e o élder Alfred Kyungu, dos setenta, chamaram-no para ser presidente da nova estaca. A Igreja em Luputa tinha vários líderes do sacerdócio experientes, que poderiam servir como presidente da estaca. Não seria a vez de outra pessoa liderar?

No dia 26 de junho, o dia em que a estaca foi organizada, Willy auxiliou os élderes Koelliker e Kyungu na distribuição de chamados de missão de tempo integral para 15 jovens, tanto homens quanto mulheres da estaca. Ao término, Willy sorriu enquanto posava para uma foto com o grupo. Duas décadas antes, conflitos étnicos e derramamento de sangue o forçaram a sair de casa, privando-o da oportunidade de servir o Senhor em missão de tempo integral. Ainda assim, seus anos de dedicação servindo à Igreja em Luputa contribuíram para oferecer à nova geração de santos oportunidades que ele mesmo não teve.

Quando a transmissão da conferência começou, Willy se acomodou para ouvir os discursantes. Normalmente, o presidente Monson era o primeiro orador na sessão de abertura da conferência, mas um problema de saúde atrasou sua chegada ao Centro de Conferências. Mas após o hino intermediário, ele então se aproximou do púlpito e deu as boas-vindas aos santos à conferência com um caloroso “olá”.

“Quando estamos atarefados, o tempo parece passar rápido demais, e os últimos seis meses não foram exceção para mim.”

O presidente Monson falou sobre a dedicação do templo em El Salvador, bem como da rededicação do templo em Atlanta, no sul dos Estados Unidos. “A construção de templos continua ininterrupta, irmãos e irmãs”, prosseguiu ele. “Tenho hoje o privilégio de anunciar vários outros novos templos.”

Willy ouvia atentamente. Naqueles dias, os templos estavam na mente dos líderes da Igreja em Luputa. De fato, na primeira conferência de estaca na cidade, muitos dos discursos haviam se concentrado na preparação dos santos para frequentar a casa do Senhor. Além da família Binene, apenas alguns santos em Luputa conseguiram ir ao Templo de Joanesburgo. Embora os passaportes fossem relativamente fáceis de obter na República Democrática do Congo, os vistos de viagem para a África do Sul não eram nada fáceis. A longa espera para obtenção de vistos deixava muitos santos na República Democrática do Congo preocupados com a possibilidade de seus passaportes expirarem antes que pudessem obter um visto para visitar o templo.

O primeiro templo que o presidente Monson anunciou foi o segundo templo da cidade de Provo, Utah. Há pouco tempo, o tabernáculo histórico da cidade havia sido consumido por um incêndio acidental, restando apenas as paredes externas. Neste momento, a Igreja está planejando reconstruí-lo e transformá-lo em uma casa do Senhor.

“Tenho também o prazer de anunciar novos templos nas seguintes localidades”, continuou o presidente Monson. “Barranquilla, Colômbia; Durban, África do Sul; Kinshasa, na República Democrática do Congo; e…”

Assim que ouviram “Kinshasa”, Willy e todos ao seu redor ficaram em pé e aplaudiram. A notícia pegou todos de surpresa. Logo, os santos congoleses não teriam que se preocupar com vistos ou expiração de passaportes. O simples anúncio do profeta mudava tudo.

Não havia rumores, nem sinais de que a Igreja tinha planos de construir um templo na República Democrática do Congo. Havia apenas a esperança de que, um dia, o Senhor estabelecesse Sua casa no país.

Agora está se tornando realidade! Estava finalmente acontecendo!

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Deixar o tempo com Deus

No dia 28 de maio de 2017, Willy Binene prestou seu testemunho na capela de sua ala em Luputa. Era o último domingo que sua família estaria lá, pelo menos por algum tempo. Ele e Lilly tinham recebido recentemente um chamado da Primeira Presidência para servir como líderes da Missão Costa do Marfim Abidjan, na costa ocidental da África. Como perdeu a chance de servir missão de tempo integral quando jovem, Willy sempre teve a esperança de um dia servir missão ao lado de Lilly. Mas nenhum dos dois esperava que o chamado viesse tão cedo.

No ano anterior, o élder Neil L. Andersen, do Quórum dos Doze Apóstolos, tinha ido à República Democrática do Congo para a cerimônia de abertura de terra para o templo em Kinshasa. Durante a viagem, ele e sua esposa, Kathy, foram para Mbuji-Mayi, uma cidade a cerca de 145 quilômetros ao norte de Luputa, para se reunirem com os santos da região. Willy encontrou o élder Andersen e compartilhou sua história com ele.

Alguns meses depois da visita do élder Andersen, o apóstolo surpreendeu Willy e Lilly com uma chamada de vídeo. Ele lhes disse que o Senhor tinha outra designação para eles e fez algumas perguntas sobre suas responsabilidades pessoais e profissionais. Ele então perguntou a Lilly: “Você concordaria em deixar seu país para ir servir ao Senhor em outro lugar?”

“Sim”, respondeu Lilly. “Estamos à disposição.”

Cerca de uma semana depois, o presidente Dieter F. Uchtdorf fez o chamado para que servissem como líderes de missão. Eles receberam o convite com uma mistura de alegria e medo. Os dois não tinham certeza se conseguiriam estar à altura de suas novas responsabilidades. Mas não era a primeira vez que o Senhor lhes pedia que fizessem algo difícil, e eles estavam dispostos a se dedicarem totalmente ao Seu serviço.

“Se foi Deus quem nos chamou”, pensou Lilly, “somente Ele se manifestará e nos qualificará para o trabalho.”

Seus quatro filhos, com idades entre 5 e 16 anos, receberam bem a notícia. Os santos em Luputa, no entanto, não conseguiram esconder a tristeza em seus rostos quando o chamado de Willy e Lilly foi anunciado. Por mais de 20 anos, Willy ajudou a Igreja a florescer em Luputa, passando de um pequeno grupo de fiéis dispersos para uma próspera estaca de Sião. Os santos não pensavam nele apenas como seu antigo presidente de distrito e estaca. O evangelho restaurado havia lhes ensinado a ver todos como irmãos e irmãs, de modo que Willy, Lilly e os filhos do casal Binene eram sua família.

Quando Willy prestou seu testemunho aos membros da ala, sentiu um imenso amor por eles. No entanto, ele permaneceu com os olhos secos, mesmo quando Lilly, os membros do coral e todos ao seu redor choravam. Poucas coisas na vida dele tinham saído conforme esperado. Parecia que toda vez que ele fazia um plano, seja para a escola, para uma missão de tempo integral ou para o trabalho, algo acontecia e o levava para outra direção. Mas, ao relembrar tudo o que aconteceu em sua vida, pôde perceber que o Senhor sempre teve um plano para ele.

Após a reunião, as emoções de Willy finalmente o dominaram, e seus olhos se encheram de lágrimas. Ele não achava que havia feito algo especial. Na verdade, ele se sentia um pouco insignificante, como se fosse uma gota no oceano. Mas ele sabia que o Senhor o guiava e o incentivava à medida que o plano se tornava mais claro e definido.

Em casa, ele, Lilly e as crianças se despediram de seus amigos. A família entrou no carro que os levaria para o próximo campo de serviço.

“Você nunca deve ter pressa”, percebeu Willy. “Deixe o tempo com Deus.”

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