2020–2024
Filhos e filhas de Deus
Conferência Geral de Outubro de 2024


9:58

Filhos e filhas de Deus

Nós verdadeiramente acreditamos que somos todos filhos e filhas literais de Deus e, por isso, todos temos o potencial de nos tornarmos como Ele.

Hoje, gostaria de falar sobre uma das verdades mais alegres, gloriosas e poderosas do evangelho revelada por Deus. Ao mesmo tempo, é uma verdade pela qual ironicamente temos sido criticados. Tive uma experiência há alguns anos que aumentou profundamente meu apreço por essa verdade do evangelho.

Como representante da Igreja, certa vez fui convidado para uma conferência religiosa em que foi anunciado que, daquele momento em diante, seriam reconhecidos como válidos todos os batismos realizados por quase todas as outras igrejas cristãs, desde que a ordenança fosse realizada com água e em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Depois, explicaram que essa norma não seria aplicada aos batismos realizados por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Após a conferência, pude me aprofundar mais nas razões dessa exceção com o líder que fez o anúncio. Tivemos uma conversa maravilhosa e esclarecedora.

Resumindo, ele me explicou que a exceção tinha a ver principalmente com nossas crenças específicas sobre a Trindade, que outras denominações cristãs frequentemente chamam de Santíssima Trindade. Expressei minha gratidão por ele dedicar um tempo para me explicar suas crenças e as normas de sua igreja. No final de nossa conversa, nós nos abraçamos e nos despedimos.

Mais tarde, enquanto eu refletia sobre nosso debate, o que esse líder disse sobre os santos dos últimos dias não entenderem o que ele chamou de “mistério da Trindade” permaneceu em minha mente. O que ele quis dizer com isso? Bem, tinha a ver com nossa compreensão da natureza de Deus. Cremos que Deus, o Pai “é um homem exaltado” que tem um “corpo [glorificado] de carne e ossos tão tangível como o do homem; [e] o Filho também”. Por isso, sempre que falamos sobre a natureza de Deus, de alguma maneira também estamos falando sobre nossa própria natureza.

Isso é verdade não apenas porque fomos feitos “à [Sua] imagem, conforme [Sua] semelhança”, mas também porque, como registrou o salmista, Deus disse: “Vós sois deuses, e todos vós sois filhos do Altíssimo”. Esta é uma doutrina preciosa para nós que agora foi recuperada com a Restauração. Em resumo, não é nada além do que nossos missionários ensinam na primeira lição, no primeiro parágrafo, na primeira linha: “Deus é nosso Pai Celestial, e somos Seus filhos”.

Bem, vocês podem dizer: “Mas muitas pessoas acreditam que somos filhos de Deus”. Sim, isso é verdade, mas o entendimento delas pode ser um pouco diferente em relação ao significado mais profundo que afirmamos. Para os santos dos últimos dias, esse ensinamento não é metafórico. Em vez disso, nós realmente acreditamos que somos todos literalmente filhos de Deus. Ele é o “Pai dos [nossos] espíritos” e, por isso, temos o potencial de nos tornarmos semelhantes a Ele, o que parece inconcebível para alguns.

Já se passaram mais de 200 anos desde que a Primeira Visão abriu as portas para a Restauração. Na época, o jovem Joseph Smith buscou orientação do céu para saber a qual igreja se filiar. Por meio da revelação que recebeu naquele dia, e em revelações posteriores que lhe foram dadas, o profeta Joseph obteve conhecimento sobre a natureza de Deus e nosso relacionamento com Ele como Seus filhos.

Por causa disso, aprendemos mais claramente que nosso Pai Celestial ensinou essa preciosa doutrina desde o início. Gostaria de citar pelo menos dois relatos das escrituras para ilustrar isso.

Vocês devem se lembrar das instruções de Deus a Moisés, conforme registradas na Pérola de Grande Valor.

Lemos que, “Deus falou a Moisés, dizendo: Eis que eu sou o Senhor Deus Todo-Poderoso; e infinito é meu nome”. Em outras palavras, Moisés, Quero que saibas quem Eu Sou. Depois acrescentou: “E eis que tu és meu filho”. Mais tarde Ele disse: “E tenho uma obra para ti, Moisés, meu filho; e tu és à semelhança de meu Unigênito”. E finalmente, Ele encerrou dizendo: “E agora, eis que te mostro isto, Moisés, meu filho”.

Parece que Deus estava determinado a ensinar a Moisés pelo menos uma lição: “Você é meu filho”, que Ele repetiu pelo menos três vezes. Ele nem sequer menciona o nome de Moisés sem acrescentar imediatamente que ele era Seu filho.

No entanto, depois que Moisés foi deixado sozinho, ele se sentiu fraco porque não estava mais na presença de Deus. Foi quando Satanás veio tentá-lo. Vocês conseguem ver um padrão aqui? A primeira coisa que ele disse foi: “Moisés, filho de homem, adora-me”.

Nesse contexto, o pedido de Satanás para adorá-lo pode ter sido apenas uma distração. Uma grande tentação para Moisés naquele momento de fraqueza era ficar confuso e acreditar que ele era apenas um “filho de homem”, em vez de um filho de Deus.

“E aconteceu que Moisés olhou para Satanás e disse: Quem és tu? Pois eis que sou um filho de Deus, à semelhança de seu Unigênito”. Felizmente, Moisés não estava confuso e não se deixou distrair. Ele havia aprendido a lição de quem ele realmente era.

A próxima história encontra-se em Mateus 4. Estudiosos a chamaram de “as três tentações de Jesus” como se o Senhor tivesse sido tentado apenas três vezes, que, é claro, não é o caso.

Centenas de galões de tinta foram usados para explicar o significado e o conteúdo dessas tentações. Como sabemos, o capítulo começa explicando que Jesus tinha ido para o deserto, “e tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome”.

A primeira tentação de Satanás estava aparentemente relacionada apenas à satisfação das necessidades físicas do Senhor. “Manda que estas pedras se façam pães”, ele desafiou o Salvador.

Uma segunda tentação estava talvez relacionada a tentar a Deus: “Lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Ele aos seus anjos ordenará a respeito de ti”.

Finalmente, a terceira tentação de Satanás se referia às aspirações e à glória do mundo. Após ter mostrado “todos os reinos do mundo” a Jesus, (…) [Satanás] disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares”.

Na verdade, a tentação principal de Satanás tinha pouco a ver com essas três provocações, e mais com tentar Jesus Cristo a questionar Sua natureza divina. Pelo menos duas vezes, a tentação foi precedida pela desafiadora acusação de Satanás: “Se tu és o Filho de Deus” — se você realmente acredita nisso, então faça isso.

Observem o que aconteceu imediatamente antes de Jesus ir ao deserto para jejuar e orar: temos o relato do batismo de Cristo. E quando Ele saiu da água, veio uma voz do céu dizendo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”.

Percebemos a conexão? Conseguem reconhecer um padrão?

Não é de se admirar que toda vez que somos ensinados sobre nossa natureza e destino divinos, o adversário de toda a justiça nos tenta a questioná-los.

O quanto nossas decisões seriam diferentes se realmente soubéssemos quem realmente somos!

Vivemos em um mundo desafiador, um mundo de crescente comoção, em que pessoas honradas se esforçam para pelo menos enfatizar nossa dignidade humana, enquanto nós pertencemos a uma Igreja e aceitamos o evangelho que eleva nossa visão e nos convida ao divino.

O mandamento de Jesus de sermos “perfeitos, como é perfeito o [nosso] Pai que está nos céus” é uma clara reflexão de Suas altas expectativas e de nosso potencial eterno. Nada disso acontecerá da noite para o dia. Nas palavras do presidente Jeffrey R. Holland, isso acontecerá “no final”. Mas a promessa é que, se nos achegarmos a Cristo, seremos “aperfeiçoados nele”. E isso exige muito trabalho — não qualquer trabalho, mas um trabalho divino. O trabalho Dele!

A boa notícia é que foi justamente o nosso Pai Celestial que disse: “Esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem”.

O presidente Russell M. Nelson para “pensar celestial” envolve um lembrete maravilhoso de nossa natureza, origem e nosso potencial destino divinos. Só podemos obter o celestial por meio do sacrifício expiatório de Jesus Cristo.

Talvez seja por isso que Satanás tentou enganar Jesus com exatamente a mesma tentação do começo ao fim de Seu ministério terreno. Mateus registrou que, enquanto Jesus estava na cruz, “os que passavam blasfemavam dele (…), dizendo: (…) Se és Filho de Deus, desce da cruz”. Glória a Deus que Ele não deu ouvidos, mas, em vez disso, providenciou o caminho para que recebêssemos todas as bênçãos celestiais.

Lembremo-nos sempre do alto preço pago por nossa felicidade.

Testifico como o apóstolo Paulo que “o mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo; se porventura com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados”. Em nome de Jesus Cristo, amém.