Mordomia justa — Discípulos de Jesus Cristo
Devocional Mundial para Jovens Adultos
4 de maio de 2025
Queridos amigos de todas as partes do mundo, sejam bem-vindos! Estou muito feliz por esta oportunidade de estar aqui com vocês e por compartilhar meu amor e minhas expectativas por vocês. Mais importante ainda, espero que vocês tenham uma experiência nesta noite — uma experiência em que sintam o amor de Deus e sejam inspirados a alcançar as mais altas expectativas Dele para vocês!
Estamos aqui no histórico Tabernáculo da Praça do Templo, em Salt Lake City. A construção desse grandioso edifício começou cem anos antes de eu nascer. Era uma época em que os materiais de construção eram muito caros no Território de Utah, não havia ferrovia para trazer suprimentos e, mesmo que houvesse, o dinheiro era escasso. Mas as pessoas que trabalhavam nessa grande estrutura eram engenhosas e reciclavam os materiais disponíveis. Parte da madeira usada foi reciclada de habitações construídas anteriormente. Pregos e arruelas foram forjados a partir de ferraduras gastas de bois. E o gesso foi misturado com pelos de animais para aumentar a resistência. “Reaproveitar”, “reutilizar” e “reciclar” eram suas palavras de ordem muito antes de elas se tornarem parte de nosso vocabulário.
O meu segundo e o meu terceiro tataravôs, imigrantes da Inglaterra, trabalharam na construção das enormes portas deste tabernáculo. Será que eles poderiam imaginar que sua descendente, uma tataraneta, falaria deste local histórico?
Irmãs e irmãos, vocês compreendem o impacto que vocês podem causar?
O mundo em que vivemos está repleto de desafios. E vocês são uma geração de mulheres e homens reservados para estes dias — vocês têm a capacidade, os atributos, o desejo e a oportunidade de recorrer ao poder de Deus para enfrentar esses desafios e superá-los. Seu potencial é divino.
Acredito em vocês. Profetas, videntes e reveladores expressam confiança em vocês. Vindo deles, é como se fosse dito pelo próprio Senhor.
Por favor, não desistam de tentar lidar com as complexidades desses dias. Precisamos de vocês!
Entendo que é fácil ficar preso na negatividade, na constante enxurrada de problemas que estão sendo noticiados em todo o mundo. Conflitos armados, política contenciosa, repressão, desastres naturais, sofrimento humano — isso praticamente me deixa sem fôlego. Vocês podem se sentir impotentes para encontrar soluções duradouras.
Com confiança, declaro que, abençoados com a força e o poder de Deus disponíveis a vocês ao fazerem e cumprirem convênios com Ele, vocês podem combater o que é negativo e iluminar todos os cantos escuros.
“[Somos] a luz do mundo”, declarou o Salvador. E “a luz se apega à luz”. Deixar brilhar nossa luz como discípulos de Jesus Cristo é a melhor forma de energia renovável — energia de uma fonte que é constantemente reabastecida. Testifico que, ao levarmos Seu socorro e Sua luz a outras pessoas, encontramos nosso próprio socorro Nele.
Portanto, sejam pacificadores em seu próprio lar, em sua comunidade e em sua presença on-line. Aliviem o sofrimento em sua própria vizinhança.
O objetivo de Satanás é fazer com que recebamos a ação. Em contraste, o plano de felicidade do Pai nos dá a oportunidade de agir, de sermos agentes do bem, da paz e da esperança.
Podemos combater a desinformação compartilhando informações edificantes, esperançosas e precisas — tornando-nos defensores da verdade em vez de apenas consumidores de informações. Podemos responder à negatividade inundando o mundo com a luz e as boas novas do evangelho de Jesus Cristo.
Como nosso amado profeta, o presidente Russell M. Nelson, exclamou, “a resposta é sempre Jesus Cristo”. “A despeito das perguntas ou dos problemas que vocês tenham, a resposta é sempre encontrada na vida e nos ensinamentos de Jesus Cristo.”
O presidente Nelson nos convidou a transformar nosso discipulado a Ele “em nossa mais alta prioridade”. Aprofundamos nosso discipulado quando aprendemos com e sobre Jesus Cristo. Então, vamos explorar os ensinamentos do Salvador.
O capítulo 25 de Mateus contém três parábolas, as últimas que foram registradas como tendo sido ensinadas pelo Salvador em Seu ministério mortal. Ao preparar meu último discurso na conferência geral e ao preparar este devocional, o Espírito me inspirou a voltar a essas histórias e aprender com elas.
Para nossos propósitos, desejo enfatizar os aspectos de preparação e mordomia dessas parábolas. O presidente Nelson nos convida a fazer do “agora (…) o momento para (…) nos prepararmos para a Segunda Vinda de (…) Jesus Cristo”. Mordomia é a administração cuidadosa e responsável de algo que foi confiado aos cuidados de alguém. Em nossas mordomias, imitamos a Jesus Cristo. Por isso, prestem atenção nas lições de preparação e mordomia que podemos extrair dessas histórias.
Primeiro, a parábola das dez virgens — cinco eram prudentes e cinco foram descritas como insensatas.
Na parábola, todas as dez virgens estavam no local correto, aguardando o noivo. Cada uma delas havia trazido consigo uma lâmpada, assim como todos vocês. Vocês estão aqui exercitando a sua fé e edificando o seu testemunho.
Quando o noivo — que representa o Salvador — chegou inesperadamente à meia-noite, cinco das virgens não tinham azeite suficiente em sua lâmpada. Talvez elas não achassem que ter azeite adicional fosse algo importante ou necessário. Ou não foram mordomas prudentes do azeite que possuíam. Talvez, distraídas, falharam em se preparar adequadamente para manter sua lâmpada acesa.
E, assim, em resposta à sua petição para que lhes fosse permitido entrar para celebrar as bodas, o noivo respondeu: “Vós não me conheceis”. Isso implica que, por meio da preparação e mordomia prudentes, as cinco virgens prudentes realmente O conheciam.
O azeite precioso que representava a conversão pessoal permitiu que as virgens prudentes acendessem sua lâmpada e entrassem no banquete de casamento com o noivo. O azeite não poderia ser compartilhado com suas amigas porque a conversão pessoal é isso — algo pessoal. Podemos e devemos manter forte a luz de nossa lâmpada para elevar e fortalecer outras pessoas, mas cada um de nós é o mordomo de nossa própria conversão.
Conforme expresso pelo Salvador, “Sede fiéis, orando sempre, mantendo vossas lâmpadas preparadas e acesas e tendo convosco óleo, para que estejais prontos na vinda do Esposo”.
Da mesma forma, conheceremos o Salvador e teremos “confiança ao nos aproximarmos de Deus agora mesmo” ao nos prepararmos para manter nossa lâmpada cheia do azeite da conversão e depois permitirmos que a luz dessa conversão brilhe. E como a magnífica escultura na Praça do Templo retrata, podemos e devemos apoiar e fortalecer outras pessoas ao fazermos isso — convidando-as a achegarem-se à luz — a Luz do Mundo, Jesus Cristo.
A segunda parábola apresentada por Mateus é a dos talentos. Naquela história, o mestre, em antecipação a uma longa viagem, deu talentos a três de seus servos. Na época do Novo Testamento, um talento representava dinheiro. Mas espero que vocês pensem nos talentos como os dons, as habilidades e as bênçãos que nos foram dados por nosso Pai Celestial. A um servo, o senhor deu cinco talentos; a outro, dois talentos; e a um outro, um. Depois, o mestre, seguiu viagem.
Quando ele voltou, descobriu que os servos a quem ele havia dado cinco talentos e dois talentos tinham sido mordomos fiéis e eficazes e tinham feito bom uso dos talentos. Cada um deles havia duplicado os talentos que lhe haviam sido confiados. E tendo sido fiéis no pouco, o Mestre lhes deu mais, exclamando: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”.
Em contraste, o servo que havia recebido um talento enterrou o seu — talvez por estar distraído e por ter procrastinado o uso de seu talento. Ou talvez estivesse frustrado por não saber como começar ou por medo de fracassar. Talvez ele tenha se comparado aos outros servos, e suas dúvidas sobre sua própria capacidade o impediram de tentar. Ele não se preparou para o retorno do senhor, não experimentou a alegria da mordomia fiel e perdeu seu talento.
A parábola das dez virgens e a parábola dos talentos são parábolas paralelas. Ambas enfatizam que temos responsabilidade pessoal por nossa própria conversão e que devemos nos preparar para receber o dom de exaltação do Senhor — e que temos uma mordomia e uma responsabilidade pessoal por aquilo com o que fomos abençoados.
Por fim, Mateus 25 conta a história daqueles que têm “confiança diante de Deus”. A essas pessoas, descritas como as ovelhas do Bom Pastor, encontradas à Sua direita, desfrutando com Ele das bodas de casamento e abençoadas para serem governantes de muitas coisas, Ele disse:
“Tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me”.
Este vídeo expressa isso perfeitamente.
[Legenda do vídeo]
“Jesus nos mostrou como podemos amar ao próximo. Seguimos Seu exemplo quando erguemos os cansados, cuidamos das crianças, consolamos alguém, alimentamos o faminto, buscamos os necessitados. Cada dia é uma oportunidade de ser como Ele, servir como Ele, cuidar como Ele. Todos os dias, cuidar de alguém começa com você. Acesse o site CaringSummary.ChurchofJesusChrist.org.”
[Fim do vídeo]
Isso é o que se espera de nós. Como Seus discípulos, preparamo-nos para Sua Segunda Vinda e exercemos fiel e eficazmente a mordomia por aquilo com o que fomos abençoados. A compaixão, a caridade, a virtude e a mordomia fiel nos qualificam para viver com Ele e ter confiança diante de Deus agora. Conforme ensinou Mórmon, para aqueles que estão cheios de caridade — o puro amor de Cristo —, “tudo estará bem” no último dia. Eles serão como o Salvador, vendo-O como Ele é, cheios de esperança e purificados como Ele é puro. O presidente Russel M. Nelson declarou: “A caridade e a virtude abrem o caminho para termos confiança diante de Deus”.
Todas essas três parábolas ensinam como Seus discípulos — ou seja, nós — devem se preparar para os tempos trabalhosos que precedem a Segunda Vinda do Salvador. Esses são os tempos em que vivemos! Devemos manter a lâmpada de nossa conversão ardendo intensamente, permitindo que nossa luz brilhe, usando e ampliando nossos talentos, cuidando dos necessitados — ou seja, possuindo caridade, o puro amor de Cristo.
Todas essas três parábolas nos ensinam sobre mordomia.
Mordomia por nossa própria conversão.
Mordomia pelos dons, talentos, bens e ajuda com os quais fomos abençoados, inclusive a própria Terra.
Mordomia por nosso próximo que está com fome, que não tem um teto, que está ferido e cansado.
Como discípulos de Jesus Cristo, de que forma praticamos a boa mordomia?
Talvez seja útil um debate mais aprofundado sobre mordomia. Vamos primeiro definir mordomia. E o que é um mordomo?
Um mordomo administra os bens de uma grande família ou propriedade. O mordomo não é o proprietário dos bens, mas foi encarregado de administrá-los em favor do proprietário. Um mordomo eficaz é fiel ao proprietário dos bens, cuidando dos recursos de forma prudente e generosa. Mordomia é a administração cuidadosa e responsável das coisas que nos foram confiadas.
O bispo Gérald Caussé, do bispado presidente, ensinou o que significa ser um mordomo terreno. Ele disse: “Em termos do evangelho, a palavra mordomia designa uma responsabilidade sagrada, espiritual ou temporal, de cuidar de algo que pertence a Deus, pelo qual somos responsáveis”.
Pensem em como essa percepção é grandiosa! Somos os mordomos dos bens que nosso Pai Celestial nos confiou. Isso representa uma responsabilidade sagrada pela Terra, seus recursos, Seus filhos, nossos dons, talentos e bênçãos. E é uma responsabilidade sagrada tratar Seus bens com cuidado.
Pelo que ou por quem vocês têm mordomia?
Na verdade, por todas as criações de Deus na Terra. Vocês têm mordomia por seu próprio corpo e mente. Vocês têm mordomia pelas habilidades, talentos, dons espirituais e ajuda com os quais foram abençoados; Vocês têm mordomia pela Terra. E vocês têm mordomia uns para com os outros.
O bispo Caussé explicou: “Nossa mordomia com relação às criações de Deus (…) inclui, em seu auge, o dever sagrado de amar, respeitar e cuidar de todos os seres humanos com quem compartilhamos a Terra. Eles são filhos e filhas de Deus, nossas irmãs e nossos irmãos, e sua felicidade eterna é o propósito do trabalho da criação”.
Vocês serão mordomos eficazes? Ou seja, vão cuidar das criações de Deus com prudência e generosidade?
Gostaria de refinar nosso enfoque na mordomia pelos dons e talentos com os quais fomos abençoados, nossa mordomia pela Terra e a mordomia pelo nosso próximo. Lembrem-se de que a mordomia justa é uma prova de nosso discipulado.
Primeiro, mordomia por nossos dons e talentos.
Em Doutrina e Convênios 46:11–12, aprendemos esta verdade:
“Pois a todos não são dados todos os dons; pois há muitos dons e a cada homem é dado um dom pelo Espírito de Deus.
A alguns é dado um, a outros é dado outro, para que desse modo todos sejam beneficiados”.
Nossos dons espirituais são os atributos dados por Deus a cada um de nós. Eles são dados de acordo com a vontade e o tempo Dele, por meio do poder do Espírito Santo, e destinam-se à bênção e ao benefício de todos os filhos de Deus.
Os mordomos fiéis buscam e convidam os dons espirituais para sua vida e usam aqueles com os quais foram abençoados para elevar e servir aos outros. Cada um de vocês, filhos e filhas de Deus, recebeu dons e talentos especiais.
O élder Marvin J. Ashton, um membro do Quórum dos Doze Apóstolos, descreveu uma série de outros dons espirituais menos notados — habilidades e atributos diversificados que vocês talvez nem sequer considerem. Enquanto os menciono, vocês podem fazer uma autorreflexão e procurar identificar um ou dois com os quais foram abençoados? Depois, já que têm esse dom, pensem em como o usarão como um mordomo fiel para abençoar outras pessoas.
“O dom de pedir; o dom de ouvir; o dom de escutar e acatar a voz mansa e delicada; o dom de chorar; o dom de evitar contendas; o dom de ser agradável; o dom de evitar vãs repetições; o dom de buscar a retidão; o dom de não julgar; o dom de buscar a orientação de Deus; o dom de ser discípulo; [o dom de acalmar;] o dom de se importar com o próximo; o dom da ponderação; o dom de orar; o dom de prestar um testemunho poderoso; e o dom de receber o Espírito Santo.”
Enquanto continuam a contemplar os seus dons, posso fazer uma advertência? Não comparem ou meçam os seus dons com os de outras pessoas. Não façam uma “autoavaliação depreciativa”. “A comparação é a ladra da alegria”. Apropriem-se de seus dons e celebrem os dos outros. Lembrem-se de que os dons espirituais são concedidos por Deus por intermédio do Espírito Santo para que todos sejam beneficiados.
Minha querida avó era professora de inglês e escolhia suas palavras cuidadosamente. Ela gostava de dizer: “Comparações são odiosas”. “Odiosa” é uma palavra muito forte. Significa “desprezível e altamente censurável”. Por que minha querida avó usou uma palavra tão forte ao me aconselhar sobre o risco de fazer comparações? Porque comparar-nos aos outros raramente é produtivo. Ao nos compararmos com os outros, nós nos afastamos deles. Em vez sentir que somos um só corpo em Cristo, assumimos o papel de um dedo mindinho e medimos nosso valor em relação a alguém que consideramos ser os ombros, os braços e o tronco. Em geral, ao nos comparamos com os outros, sentimo-nos inferiores ou superiores, e esse não é o caso. Somos todos filhos amados de pais celestiais, abençoados com um pacote personalizado de dons, atributos, talentos e pontos fortes.
Convido vocês a cultivar o dom de abandonar as comparações. Peçam ao Pai Celestial que os ajude a identificar seus dons espirituais e talentos e como vocês podem usá-los como mordomos fiéis.
Aqui está um exemplo.
Há alguns anos, Jean, uma jovem adulta que mora na Holanda, estava refletindo sobre o mandamento dado pela primeira vez a Adão e Eva para que se multiplicassem e enchessem a Terra. Como ela e o marido enfrentavam a infertilidade, eles procuraram entender como esse mandamento se aplicava a eles. Ela reconheceu que, durante o período em que Adão e Eva não tinham filhos, eles cultivavam e cuidavam do jardim que Deus lhes havia confiado como mordomia. Ao considerar suas circunstâncias, ela pensou nos jardins em que vivia — no jardim da Terra, no jardim do seu país, no jardim de sua família e no jardim de sua ala.
Ela percebeu que, embora não vivesse no Jardim do Éden, esses eram os jardins em que o Senhor a havia colocado. Ela poderia procurar multiplicar e encher aquilo que o Senhor lhe havia confiado como mordomia. Jean ponderou:
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“Como posso multiplicar os dons que o Senhor concedeu a mim e a outras pessoas?
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Como posso multiplicar o amor pelos filhos de Deus?
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Como posso multiplicar meu tempo e meus esforços para servir às pessoas?
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Como posso encher meu próprio reservatório espiritual?
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Como posso encher o que outros perderam, tanto em termos materiais quanto espirituais?
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Como posso encher a esperança e a fé que parecem estar perdidas para muitos no mundo?”
Ao se concentrar nessas perguntas, Jean teve a bênção de reconhecer oportunidades de multiplicar e encher ao usar seus dons e talentos. Ela ensinou teatro para jovens de todo o mundo. Ela serviu as moças. Aproveitou a flexibilidade de sua vida profissional para ajudar a cuidar dos filhos de seus amigos. Passou mais tempo estudando o evangelho e sentiu-se abençoada por entender melhor como carregar os fardos dos outros e confortar aqueles que precisam de conforto. Isso aumentou seu testemunho e sua fé em Jesus Cristo e em Seu evangelho. Mais importante ainda, ela adquiriu um entendimento pessoal do plano de Deus para ela.
Os bons mordomos sempre multiplicam e enchem os bens do Mestre.
Embora não da maneira que ela inicialmente imaginou, a experiência de Jean é uma bela evidência de uma promessa do profeta Jeremias, que disse:
“Bendito é o homem cuja confiança está no Senhor, cuja confiança nele está.
Ele será como uma árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes; não ficará ansiosa no ano da seca nem deixará de dar fruto”.
Segundo, a mordomia pela Terra e por todos os filhos de Deus.
O presidente Russell M. Nelson ensinou: “Como beneficiários da divina Criação, o que faremos? Devemos cuidar da Terra, ser seus mordomos prudentes e preservá-la para as futuras gerações”.
Sei que esse é um tópico com o qual sua geração se preocupa profundamente. Vocês têm muita determinação, e alguns têm um pouco de ansiedade. Permitam-me assegurar-lhes que Deus preparou um caminho para uma vida saudável para todos neste planeta se estivermos dispostos a empregar nossos dons e talentos para esse bem, se permanecermos dignos de receber revelação e se usarmos prudentemente os abundantes recursos da Terra para cuidarmos uns dos outros.
O Senhor disse:
“Eu (…) estendi os céus e formei a Terra, obra de minhas mãos; e todas as coisas que neles há são minhas”.
“Pois a Terra está repleta e há bastante e de sobra; sim, preparei todas as coisas e permiti que os filhos dos homens fossem seus próprios árbitros.”
Como vocês vão usar o arbítrio com o qual foram abençoados, sua mordomia, para a gloriosa bênção da Terra?
O Senhor esclarece no versículo seguinte que devemos “tomar da abundância que [Ele fez] e repartir [nossa] porção com os pobres e os necessitados, de acordo com a lei de [Seu] evangelho”. Há bastante e de sobra se compartilharmos da abundância das bênçãos e usarmos o nosso arbítrio como mordomos de Cristo desta Terra.
Voltemos à citação do presidente Nelson sobre nossa mordomia pela Terra. Ele disse: “Como beneficiários da divina Criação, o que faremos? Devemos cuidar da Terra, ser mordomos prudentes e preservá-la para as futuras gerações”.
O presidente Nelson continuou: “Precisamos amar e cuidar uns dos outros”.
É importante que reconheçamos a conexão entre cuidar da Terra e cuidar do nosso próximo. Ao cuidarmos da Terra, embelezarmos nosso ambiente e ajudarmos nossas comunidades a se tornarem mais sustentáveis, agimos como mordomos prudentes da Terra para abençoar a vida de nosso próximo. Eles são aqueles a quem recebemos o mandamento de amar. Assim como as ovelhas da parábola, alimentamos os famintos, damos água aos que têm sede, vestimos os nus e visitamos os doentes e os cansados. Nós “[socorremos] os fracos, [erguemos] as mãos que pendem e [fortalecemos] os joelhos enfraquecidos”.
Suas irmãs e irmãos em todo o mundo estão fazendo isso. Eritai cresceu na remota ilha de Marakei, em Quiribati. Depois de voltar da missão, ele frequentou a BYU-Havaí, onde participou da equipe de Tecnologia de Ação Mundial Sustentável e aprendeu sobre hortas hidropônicas, um método de cultivo de plantas sem solo usando nutrientes minerais em uma solução aquosa. Após sua formatura, Eritai retornou a Quiribati para ajudar seu próprio povo.
Quiribati é uma nação insular que consiste em 32 ilhas de coral em forma de anel, com lagoas centrais, chamadas atóis, e uma ilha de coral elevada. Devido à sua localização na linha do equador, as condições climáticas são severas. A brisa marítima quente e salgada e a infiltração da água do mar destroem as plantações e contaminam a água. Por isso, há falta de solo e espaço para cultivar alimentos nutritivos. A desnutrição e as doenças se tornaram generalizadas para os habitantes de Quiribati porque dependiam quase que exclusivamente de alimentos importados e processados.
Mas Eritai tinha energia e visão, talentos dos quais ele se valeu para criar um programa sustentável para ensinar as famílias locais de Quiribati a cultivar frutas e vegetais saudáveis usando a hidroponia. Uma horta hidropônica é portátil, independente e cresce rapidamente, produzindo uma safra em 30 dias.
Devido ao seu trabalho inovador e que salva vidas, Eritai recebeu o prêmio Campeões da Terra das Nações Unidas para a região Ásia-Oceania.
Eritai é um exemplo fabuloso de uso eficaz de dons e talentos em sua mordomia pela terra e pelo próximo. Quando alimentamos os famintos, somos contados entre as ovelhas à direita de Deus.
E devemos dar de beber a quem tem sede. Abençoar nosso próximo com acesso a água potável, saneamento e higiene é fundamental para o desenvolvimento humano. Para realizar esse trabalho, a Igreja colabora com outras organizações e comunidades locais no mundo todo para melhorar o acesso a esses serviços e fortalecer os sistemas de modo geral, garantindo que as soluções sejam duradouras e promovam a autossuficiência. Esse trabalho é importante! E é cada vez mais importante, à medida que as secas proliferam em todo o mundo e as populações continuam a se expandir.
Alexandra, uma jovem adulta em Cascas, Peru, perguntou a si mesma: “O que nos falta aqui?” Alexandra sabia que pelo menos 20% das famílias de sua comunidade não tinham serviços de saneamento básico adequados, o que aumentava o risco de doenças transmitidas pela água, como a cólera. Para resolver isso, Alexandra participou de um treinamento para negócios sobre saneamento organizado pela equipe local do programa Water for People [Água para as Pessoas] no Peru.
Ela abriu seu negócio e abasteceu o estoque de sua pequena loja com o máximo de itens que pôde — pias, torneiras, vasos sanitários, azulejos e outros materiais que as famílias precisavam para finalizar seus banheiros. Agora as famílias de Cascas têm acesso aos materiais de que precisam para construir banheiros em casa.
Vocês também podem identificar as necessidades de água potável e saneamento em sua comunidade e como podem ajudar.
O profeta Isaías ecoa seu amigo contemporâneo Jeremias quando nos diz:
“E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita, então a tua luz nascerá nas trevas (…).
E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos (…); e serás como um jardim regado, e como um manancial de águas, cujas águas nunca faltam”.
É claro que Jesus Cristo é a fonte de toda água viva. Testifico que, ao darmos de beber a quem tem sede, somos abençoados por beber Sua água viva — “uma fonte de água que [salta] para a vida eterna”. Ao cuidarmos da Terra e de nosso próximo, nós nos aproximamos do Salvador e desejamos ter um relacionamento por convênio com Ele, que nos permita tornar-nos mais semelhantes a Ele. Seremos mordomos responsáveis — e felizes também. Seremos renovados e subiremos com asas como águias e não nos cansaremos.
No ano passado, a presidência geral da Sociedade de Socorro anunciou a expansão de uma iniciativa global para melhorar a saúde e o bem-estar de mulheres e crianças. A pedido da Primeira Presidência, a Sociedade de Socorro está liderando esse esforço.
Queremos capacitar mulheres e famílias com mais compreensão e recursos para que estejam mais bem equipadas para fazer mudanças que possam ter um impacto duradouro em seu lar, em sua comunidade e em sua nação. Quando uma mulher é capacitada por ser saudável e educada, famílias são abençoadas, comunidades são elevadas e nações são fortalecidas. Quando vocês abençoam uma criança, vocês investem no futuro. Essa obra se concentra em nutrir crianças com menos de 5 anos de idade, bem como fornecer cuidados maternos e neonatais, vacinação e educação.
Alaina é uma jovem adulta que mora na Geórgia, EUA. Ela está fazendo doutorado em terapia ocupacional com o objetivo de trabalhar em uma unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN) de um hospital para bebês que precisam de cuidados adicionais após o nascimento, especialmente os que nascem prematuramente. A iniciativa global da Sociedade de Socorro em prol de mulheres e crianças teve grande apelo para Alaina. Inspirada pelo convite para participar da iniciativa global, Alaina realiza o “método mãe canguru”, ou contato pele a pele para bebês nascidos prematuramente, o tema de seu projeto final do programa de doutorado.
Há quase 15 milhões de bebês nascidos prematuramente todos os anos no mundo todo. E em Atlanta, Geórgia, onde Alaina mora, tanto a taxa de nascimentos prematuros quanto a taxa de mortalidade infantil são mais altas do que a média nacional dos EUA.
Alaina está criando um programa educacional para que as pessoas estejam mais conscientes dos benefícios do contato pele a pele entre bebês prematuros e suas mães. Os bebês, usando apenas uma fralda, são colocados diretamente sobre a pele da mãe em seu peito, com uma cobertura em cima de ambos. Esse contato mantém a temperatura, reduz o estresse, regula os hormônios, aumenta a conexão, promove a amamentação, melhora o sono e traz muitos outros benefícios. Mas isso nem sempre é implementado nas UTIs neonatais como um padrão de atendimento. O projeto de Alaina visa melhorar essa implementação.
Sua pesquisa tem sido muito espiritual para ela. “Ler sobre a ciência (…) e (…) aprender que nosso corpo foi criado para fazer essas coisas” fez sentido para ela por causa do conhecimento que ela tem do plano de salvação.
O método pele a pele para bebês prematuros é especialmente comovente para mim, pois tive um neto que nasceu em fevereiro quase sete semanas antes do previsto. Com apenas 1,5 kg, nosso pequeno guerreiro ficou na UTI neonatal por aproximadamente um mês. E em cada um desses dias, minha nora e meu filho o colocaram em seu peito, pele a pele. Bem, o “método mãe canguru” também é para os pais. A natureza traumática do nascimento repentino de nosso neto e a dor da separação associada ao fato de deixá-lo no hospital foram amenizadas nesses momentos.
Alaina permite que a luz de sua conversão brilhe; ela usa os talentos com os quais foi abençoada e cuida dos necessitados estudando e aumentando a conscientização sobre essa importante prática. Seus esforços são uma resposta ao chamado do Salvador: “Adoeci, e visitastes-me”.
Eritai, Alexandra e Alaina são discípulos de Jesus Cristo e estão se preparando para Sua Segunda Vinda ao exercerem fiel e eficazmente a mordomia por aquilo com que o Senhor os abençoou.
O Salvador disse: “Quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. Certamente esses jovens adultos são representantes daqueles que o Salvador descreve como Suas ovelhas, que estarão ao Seu lado direito, qualificados para desfrutar de Sua presença.
Pertencemos a uma Igreja que faz um bem notável em todo o mundo, abençoando a vida de nosso próximo, não apenas de nossos membros. Em 2024, foram 6,6 milhões de horas de voluntariado, 1,45 bilhão de dólares gastos e 192 países e territórios atendidos. As iniciativas humanitárias globais da Igreja incluíram água potável, projetos de higiene e saneamento, ajuda emergencial, assistência médica e projetos de segurança alimentar. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e seus membros permitem que sua luz brilhe para glorificar nosso Pai Celestial.
Embora a Igreja e a Sociedade de Socorro possam usar e usarão o seu alcance global para ampliar os esforços inspirados de alimentar os famintos, dar de beber aos que têm sede, vestir os nus e cuidar dos doentes, o trabalho mais importante e impactante continua a ser feito um por um.
Na tentativa de imitar a Jesus Cristo, procuramos reconhecer as necessidades imediatas ao nosso redor e responder com amor. Nós nos esforçamos para ser mordomos fiéis de Seus bens, que incluem os talentos e as oportunidades com os quais fomos abençoados, bem como a Terra em todo o seu esplendor, e as pessoas em nossa esfera de influência.
Assim como Naamã, do Antigo Testamento, talvez vocês estejam esperando que lhe digam “alguma grande coisa” para fazer — imaginando como chegariam àquela parte remota da África ou a uma ilha no mar para cuidar de seu próximo no mundo.
Irmãs e irmãos, convido-os a usar seus dons e talentos para fazer coisas pequenas e simples na esfera de sua mordomia. Onde quer que vocês morem, há crianças desnutridas. Onde quer que vocês morem, há pessoas que não sabem ler. Onde quer que vocês morem, há barreiras ao atendimento médico. Onde quer que vocês morem, há pessoas com fome, com sede, nuas, doentes e na prisão, literal ou figurativamente.
Amigos, precisamos de vocês! Espero que busquem sinceramente a revelação e usem seus dons e talentos para encontrar soluções criativas que ajudem a abençoar o futuro de todos os filhos de Deus. Isso sem dúvida faz parte de sua mordomia divina.
[Legenda do vídeo]
“O universo é imenso. Trilhões de galáxias com bilhões de estrelas, terras, águas, plantas e animais. Ainda assim, Deus conhece pelo nome e ama todas as Suas criações. Inclusive você.”
[Fim do vídeo]
Encerro com uma história pessoal; uma história sobre minha querida amiga Lydia, que fez a oração de abertura nesta noite. Conheci Lydia quando ela estava servindo no Edifício da Sociedade de Socorro como missionária de serviço há vários anos. Lydia sempre usa a cor púrpura porque a mulher descrita como a primeira conversa de Paulo era Lídia, que vendia tecidos de cor púrpura.
Lydia foi diagnosticada com artrite quando tinha apenas 4 anos de idade. E embora sofra com a dor todos os dias, ela agradavelmente permite que a luz de sua conversão a Jesus Cristo brilhe. Se há algo virtuoso, amável, de boa fama ou louvável — ela vai buscar!
Como parte dessa designação para falar a todos vocês, fui convidada a escolher as pessoas que ofereceriam a oração hoje à noite. Lydia me veio imediatamente à mente. Ela terminou sua missão, começou a estudar na BYU e foi aceita na faculdade de enfermagem. E como ela é minha amiga querida, mantivemos contato. Eu amo você, Lydia.
Era minha tarefa pedir que ela fizesse a oração, mas eu simplesmente não tinha conseguido fazer a ligação. Então, no dia 31 de março, recebi esta mensagem de texto da Lydia:
“Bom dia, presidente Johnson!!!
Amo muito você!
Noite passada sonhei com você. Eu estava me sentindo muito nervosa e estressada com algo que tinha de fazer, e você percebeu. Colocou seu braço em volta de mim, me puxou [para perto], com a cabeça ao lado da minha, e sussurrou em meu ouvido: ‘Está tudo bem, Lydia[;] você consegue fazer isso. Basta fazer as coisas pequenas.’ Seu incentivo gentil e o lembrete de que devo fazer as coisas passo a passo é exatamente o que precisava ouvir hoje. E ah, como eu precisava de um abraço da presidente Johnson! Acho que o Pai Celestial às vezes nos envia pequenas mensagens por meio de pessoas que amamos e confiamos, como você.
Espero que se sinta carregada pelos anjos esta semana. Um grande abraço para você, querida amiga”.
Mandei rapidamente uma mensagem de volta: “Mal posso esperar para lhe contar o porquê de você ter tido esse sonho!”
Liguei para Lydia naquela noite para perguntar se ela estaria disposta a fazer a oração neste devocional mundial para jovens adultos. É claro que ela disse que sim — e continuou a me contar o que não havia compartilhado em sua mensagem de texto. Era um detalhe que ela achava sem importância quando me escreveu. Em seu sonho, ela estava nervosa por ter de fazer uma oração perante um grande grupo.
Ah! Como são ternas as misericórdias do Senhor! Eu havia adiado o pedido para Lydia fazer a oração sem nenhuma razão plausível — exceto o fato de que Lydia precisava ter seu sonho. Uma garantia de que o Senhor está atento a ela e queria que ela tivesse essa oportunidade.
Sim, o universo é imenso. Trilhões de galáxias. Com bilhões de estrelas. Terras, águas, plantas e animais pelos quais Ele nos deu mordomia. E Deus conhece pelo nome e ama todas as Suas criações. Inclusive vocês.
O Salvador deu início a Seu ministério mortal ao dizer que Ele foi enviado “para pregar o evangelho aos pobres, (…) para curar os quebrantados de coração; para apregoar liberdade aos cativos e dar vista aos cegos; para pôr em liberdade os oprimidos”. Se essa era Sua missão e somos Seus discípulos, compartilhamos Seu objetivo.
Vocês, meus amigos, foram preparados e preordenados exclusivamente para ajudá-Lo. Vocês são filhos e filhas de Deus. Ele os conhece. Vocês estão em um relacionamento por convênio com Ele. Vocês nunca esgotarão a paciência misericordiosa Dele para com vocês. À medida que cumprimos nossos convênios, Ele nos investe com “Seu poder de fortalecimento e cura”. O poder de Deus aumentará suas capacidades, ampliará os talentos com os quais vocês foram abençoados e os ajudará a vê-Lo nos que têm fome, nos que têm sede, nos que estão excluídos e nos doentes.
Como Seus discípulos, vamos nos preparar para Sua Segunda Vinda exercendo fiel e eficazmente a mordomia por aquilo com que fomos abençoados. Testifico que, ao levar o socorro de Jesus Cristo a outras pessoas, vocês serão abençoados ao descobrir seu próprio socorro Nele.
Sei com certeza que Jesus Cristo vive. Ele dirige Sua Igreja por meio de profetas, videntes e reveladores vivos. Sei com certeza que Russell M. Nelson é Seu poderoso porta-voz na Terra hoje.
A obra e a glória de nosso Pai Celestial e de Jesus Cristo é nos levar de volta para casa, preparados e qualificados para permanecer na presença Deles, onde não há pessoas com fome, com sede, excluídas, doentes ou coxas — pois elas terão sido curadas e restauradas. Vocês são seus parceiros essenciais. Eu amo vocês. Eles os amam.
No sagrado nome de nosso Redentor, Jesus Cristo, amém.